Cidadeverde.com

Quando todos pagam a conta sem dever

Na prolongada crise política brasileira, muitos empresários aparecem envolvidos nos escândalos que se sucedem. Alguns deles já foram presos, como Marcelo Odebrecht, dono da maior construtora do país, e os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS-Friboi, a maior empresa do setor no Brasil.

Contra todos eles, o Ministério Público e a Polícia Federal encontraram um rastro de malfeitos. Esses malfeitos vão desde o crime de caixa-2 nas eleições ao derrame de propinas para os políticos e altos servidores públicos.

Em troca, os empresários receberam muitas facilidades para operar suas empresas e fazer crescer os seus negócios, numa concorrência desleal e brutalmente predatória.

As investigações estão em andamento.

Jogo sujo

O cenário é confuso. Tem bala perdida para todos os lados. Assim, todo cuidado é pouco para não confundir os bons políticos – sim, eles existem! – com os maus.

O mesmo cuidado deve ser exercido também em relação aos empresários e às empresas. Nem todos eles entraram nesse jogo sujo de ganhar a qualquer preço. Na verdade, apenas uma pequeníssima minoria entrou nesses vergonhosos esquemas.

A esmagadora maioria dos empresários toca seus negócios pagando um preço maior. Nesse caso, as empresas carregam nas costas, além da pesada carga tributária, da enervante burocracia e de outros custos, o sobrepeso da corrupção. Com se sabe, a corrupção acaba sobrecarregando todo mundo que não faz parte dela.

O joio e o trigo

Portanto, apesar de toda essa confusão e de tantas crises sobrepostas, não se pode perder a noção de que muitos fazem a coisa correta. É preciso separar sempre o joio do trigo, pois de um lado estão aqueles que se aproveitam das facilidades, com desvios éticos, e do outros estão os que trabalham com retidão.

Os primeiros estão na mídia, porque foram parar na cadeia ou estão a caminho dela. Os demais estão aí em todo lugar, trabalhando duro e muitas vezes anonimamente, com seus colaboradores, para ajudar a manter de pé este maltratado e dilapidado país.