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PT e PMDB juntos outra vez no Nordeste

Foto: Cidadeverde.com

Themístocles, o vice dos sonhos do PMDB

Não é somente no Piauí que o PMDB pretende andar de braços dados com o PT nas próximas eleições. Em mais quatro estados do Nordeste, os dois partidos deixaram de lado as desavenças surgidas com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, passaram uma borracha nas diferenças e procuram fechar alianças para as eleições de 2018.

A reaproximação entre os dois partidos, no Nordeste, se dá por uma combinação de fatores, como assinala o jornal O Estado de São Paulo. A força eleitoral que o ex-presidente Lula ainda tem na região atrai os peemedebistas, ao passo que o fato de o PMDB ser o partido com maior tempo de TV e ter o maior número de prefeituras do País é um atrativo para o PT.

Ceará

O caso mais emblemático citado pelo jornal é o do Ceará. No Estado, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), vem em conversas adiantadas com o governador Camilo Santana (PT) para estarem juntos na mesma chapa em 2018.

Pelas negociações, Eunício apoiaria a reeleição do petista. Em troca, o peemedebista garantiria para ele uma das duas vagas de senador na chapa encabeçada pelo petista. A outra vaga deve ir para o ex-ministro Cid Gomes (PDT), irmão do ex-ministro Ciro Gomes, pré- candidato a presidente da República.

Em 2014, Eunício e Santana foram adversários na disputa pelo governo do Estado.

Alagoas

Em Alagoas, o governador Renan Filho e o pai dele, o senador Renan Calheiros, negociam para repetir em 2018 a aliança de 2014 com os petistas. Com base em pesquisas internas que mostram Lula na frente na corrida presidencial, o clã Calheiros quer subir ao palanque presidencial do petista no Estado.

Sergipe

Em Sergipe, o PT negocia para apoiar a eleição para o governo do atual vice-governador, Belivaldo Chaga (PMDB). Em troca, terá uma das vagas ao Senado na chapa, para a qual deve indicar o ex-deputado Rogério Carvalho. “O Lula dá aval para essa aliança”, disse o deputado João Daniel (PT-SE).

Segundo ele, aliança entre PT e PMDB no Estado é antiga e não sofreu abalos após o impeachment, pois a maioria do PMDB sergipano não apoiou a saída de Dilma.

Piauí

No Piauí, o PMDB já fechou informalmente com o governador Wellington Dias uma aliança para a sua reeleição. Para que a aliança seja oficializada, basta que o PT aceite o nome do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho, como companheiro de chapa de Wellington.

O ex-ministro João Henrique Sousa, atual presidente do Sesi, corre por fora e tenta emplacar uma candidatura própria do partido no Estado, pela oposição.

Paraíba

Na Paraíba, a negociação entre PT e PMDB se dá de forma indireta. Líder do partido de Temer no Senado, Raimundo Lira tenta convencer a legenda a apoiar o candidato do PSB ao governo que será indicado pelo atual governador, Ricardo Coutinho (PSB). No Estado, o PSB tem o PT como aliado. Em troca, Lira, que precisa renovar o mandato, seria um dos candidatos ao Senado da chapa.

Rio Grande do Norte

No Rio Grande do Norte, a tendência do PMDB é se aliar a PDT e DEM para apoiar uma possível candidatura do prefeito de Natal, Carlos Eduardo (PDT), a governador. Lideranças peemedebistas não descartam, porém, uma aliança com o PT, caso a senadora petista Fátima Bezerra dispute o governo.

Sem chance

Já no Maranhão, Pernambuco e Bahia, uma aliança entre PMDB e PT é tida hoje como impossível por lideranças das duas legendas. No Maranhão, o PMDB lançará a ex-governadora Roseana Sarney como adversária do atual governador, Flávio Dino (PCdoB).

Na Bahia, peemedebistas devem apoiar a eleição do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), para o governo contra o atual governador, Rui Costa (PT). Em Pernambuco, PMDB e PT devem ter candidatos próprios ao governo.

Com essas articulações, perde força dentro do PMDB a tese do presidente nacional do partido, senador Romero Jucá, proibindo alianças com o PT em 2018.

“O PMDB vai fazer coligações nos Estados livremente, com quem achar que é conveniente”, avisa o presidente do Senado, Eunício Oliveira, puxando brasa para a sua sardinha, naturalmente, mas expressando o desejo de muitos no partido.