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Na mira do PCC, Fábio Abreu surpreende

Foto: Cidadeverde.com

Fábio Abreu com Rodrigo Maia, em Brasília

A Polícia do Piauí não dorme no ponto. A Secretaria de Segurança confirmou, através de nota, um plano da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar o secretário Fábio Abreu.

De acordo com a SSP, investigações do Núcleo de Inteligência da Polícia do Piauí confirmaram que dez detentos custodiados em penitenciárias do Estado estariam planejando ações criminosas para desestabilizar a atual gestão. Todos eles seriam integrantes do PCC.

“Eles estariam insatisfeitos com as operações policiais de combate a explosões de caixas eletrônicos e tráfico de entorpecentes”, informou a Secretaria em sua nota.

Garantias de vida

Por ser deputado federal, o secretário Fábio Abreu levou o assunto ao conhecimento do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em Brasília. O presidente da Câmara acionou a Polícia Federal.

Está certo o secretário de segurança em denunciar a possível trama para matá-lo. Está certo também em pedir garantias de vida ao presidente da Câmara Federal.

E nós?

Mas fica indagação: e o cidadão comum, ameaçado todo dia no Piauí por uma bandidagem que ele nem sabe de onde vem, deve recorrer a quem, já que, para se proteger, o próprio secretário de Segurança vai pedir socorro em Brasília?

Fábio Abreu é um capitão da PM, um homem de campo, acostumado a enfrentar bandidos pessoalmente. Um policial associado à bravura, sendo por isso reconhecido pela população com o mandato de deputado federal, em 2014. No começo de sua gestão, por exemplo, ele apareceu com o pé no pescoço de um meliante, numa operação de rotina.

Dizem que era um menor. Isso, porém, não ficou completamente esclarecido. O que ficou claro, naquele episódio, foi que nem o Rambo do cinema teria a destreza do secretário de Segurança para dominar um bandido com tamanha rapidez no corpo a corpo.

Daí porque a sua atitude, diante das supostas ameaças do PCC, não deixa de surpreender.

Foto: Polícia Civil

Robert Rios, ex-superintendente da PF

Crime Organizado

Em 1999, o então superintendente da Polícia Federal no Piauí, delegado Robert Rios, enfrentou e desmantelou o crime organizado no Estado sem dar um tiro. Ele mesmo andava desarmado.

A quadrilha atuava no Piauí há mais de 10 anos, com requintes de perversidade, e foi parar atrás das grades apenas com o uso do Serviço de Inteligência da PF e o pulso firme do superintendente, do Ministério Público Federal e da Justiça.

‘Chacina da Meruoca’

Antes disso, três empresários e o motorista deles foram assassinados por engano pela Polícia de Elite do Piauí – Comando Corisco e COE (Comando de Operações Especiais), quando participavam de uma caçada no povoado Meruoca, nas matas entre Teresina e União. Era a madrugada de 17 de janeiro de 1999.

Os policiais estavam em perseguição a um bando que assaltara a agência do Banco do Brasil no município de Altos. Acabaram confundindo os caçadores com os bandidos e mandaram bala neles.

Todos foram executados deitados no chão, sem chance de defesa.

Carlos Lobo, ex-secretário de Segurança

Ordem de prisão

O então secretário de Segurança, Carlos Lobo, convocou uma reunião de emergência com a cúpula da polícia e os envolvidos na chacina para a manhã do mesmo dia, em seu gabinete. Queria o esclarecimento dos fatos.

Um dos policiais pediu uma reunião reservada com o secretário e lhe propôs que apresentasse uma versão diferente, inocentando-os.

Imediatamente, o secretário deu ordem de prisão para todos os envolvidos e suspendeu as atividades do Comando Corisco.

A seguir, o govenador Mão Santa não apenas ratificou as decisões do secretário de Segurança, como extinguiu o Comando Corisco.

O caso foi entregue à Justiça.

Que a lembrança desses episódios possa contribuir com as reflexões e as ações do secretário de Segurança!