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PMDB fatura com aprovação de pacote fiscal

Foto: Divulgação/Alepi

Deputado Júlio Arcoverde, presidente do PP no Piauí

A bancada do PMDB na Assembleia Legislativa encontrou o que procurava: uma chance para chegar mais perto do governador Wellington Dias. O partido está no governo desde o início do ano, aquinhoado que foi com uma mão cheia de cargos. Mas vinha recebendo apenas tratamento protocolar.

A votação do novo e polêmico pacote fiscal do governo deu à bancada peemedebista a oportunidade que faltava. Como o PP, aliado de primeira hora do governador, decidiu dar os seus três votos na Assembleia contra o projeto, o PMDB correu em socorro de Wellington Dias.

Ao reagir retirando da Assembleia os dois suplentes do PP, o governador mandou para a Casa quatro deputados-secretários, dois deles do PMDB – Pablo Santos, presidente da Fundação Hospitalar do Piauí, e Zé Santana, secretário da Sasc. Com isso, conseguiu aprovar a matéria por 19 votos a 10. Precisava apenas da maioria simples – 16 votos.

A articulação contou com a participação direta do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho. Ele trabalhou abertamente e nos bastidores pela aprovação do projeto do governo.

O projeto aprovado cria um novo Programa de Refinanciamento de Créditos Tributários do Estado (Refis), concedendo descontos em juros e multas de débitos fiscais, e aumenta a alíquota de ICMS para vários produtos e serviços, inclusive combustíveis e telecomunicação. Também permite o uso de dinheiro de empréstimos para pagar a folha de aposentados. O governo já aumentou o ICMS dos mesmos produtos em julho passado.

Nada será como antes

O PP saiu do episódio desgastado com o governo e também desapontado com o Palácio de Karnak. Foram, afinal, duas investidas contra o partido. A primeira foi a surpreendente substituição de seus dois suplentes na Assembleia e a segunda a tentativa de retirar o presidente regional do partido, Júlio Arcoverde, da Comissão de Finanças para pôr um governista de quatro costados em seu lugar.

Os suplentes afastados da Assembleia estão de volta à Casa, depois da vitória do governo. O PP havia avisado que a discordância do governo era pontual, ou seja, resumia-se ao voto contra a aprovação de mais impostos. Poucos acreditam, no entanto, que a relação dos progressistas com o Palácio de Karnak seja a mesma.

O fato é que, no fim, a bancada do PMDB levou a melhor junto ao governador e faturou politicamente com o rapapé do PP, ficando ainda mais confiante de que aumentam suas chances de indicar o vice de Wellington Dias nas eleições de 2018.