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Juiz lança movimento contra aula aos sábados

Foto: Pablo Cavalcante/RCV

Juiz Márcio Braga Magalhães: não às aulas aos sábados

Uma proposta do juiz federal Márcio Braga Magalhães, professor da Universidade Federal do Piauí, pelo fim das aulas aos sábados, nas escolas da rede privada de Teresina, vem obtendo ampla repercussão.

Ele lançou a ideia, como pai, depois de fazer uma pesquisa entre pais e mães nas portas das principais escolas da capital. A pesquisa, realizada no início de outubro, durante uma semana, indicou que 95% dos entrevistados por ele são contrários às aulas aos sábados.

O juiz disse que começou a se incomodar com a situação há alguns anos, quando suas filhas passaram a estudar aos sábados. Hoje a mais velha já é universitária. A mais nova tem 15 anos.

Intrigado com a situação, ele começou a pesquisar se o fato de repetia em outras cidades. Constatou que não, especialmente em Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo.

As escolas de Teresina alegaram que há demanda dos pais por aulas aos sábados. A pesquisa feita pelo magistrado mostrou que não. Outro argumento das escolas é que esse ritmo de estudo mais puxado, com aulas nos fins de semana, ajuda na aprovação para o Enem e outros concursos disputados.

O juiz observou que as cidades que não têm aulas aos sábados também aprovam alunos no Enem e no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), por exemplo, em quantidade muito maior que Teresina.

Perdas

O juiz contou que, na pesquisa, cada pai ou mãe lhe dizia que o filho estava estressado e no psicólogo por causa da excessiva carga horária. Muitas das mães entrevistadas são também psicólogas e psicopedagogas.

“Com as aulas aos sábados, as crianças perdem tudo, desde o convívio familiar à saúde. Além disso, o domingo não é para descanso, mas para tarefas escolares”, critica.

Novo calendário

Márcio Braga Magalhães esclarece que a sua proposta não implicará a redução da carga horária. O magistrado observou que, em Teresina, as aulas do primeiro semestre terminam ali pelo dia 20 de junho, e retornam no final de julho ou começo de agosto.

No segundo semestre, as aulas acabam por volta de 20 de novembro e recomeçam no final de janeiro.

Em sua opinião, basta distribuir melhor os dias letivos, ampliando o período e reduzindo as férias, e a solução para o problema se dará sem traumas e sem prejuízos.

“O aluno não precisa de tantas férias, precisa é de mais tempo ao longo do ano”. Ou seja, o semestre letivo deve acabar mais tarde e começar mais cedo.

Petição

Márcio Braga Magalhães levou a ideia para a internet. Ele elaborou uma petição pelo fim das aulas aos sábados. Os interessados podem assiná-la no endereço www.petição24.com/sabados_sem_aulas.  No documento, ele expõe e propõe:

“É chegada a hora das escolas de Teresina refletirem sobre essa situação, pois já praticamente chegou-se ao limite! Vejam a quantidade de jovens deprimidos, tristes e ansiosos, muitos buscando tratamento especializado para esses problemas É o momento de se repensar  essa filosofia. Por tudo isso, AS MÃES E PAIS de Teresina REQUEREM que, a partir de 2018, uma nova política de ensino seja adotada, elaborando-se um novo modelo para as aulas durante os dias úteis, para que assim SEJAM EXTINTAS DEFINITIVAMENTE AS AULAS AOS SÁBADOS.”

A petição on-line foi postada na internet no dia 1º e ontem já registrava mais de 1.500 assinaturas. O documento será encaminhado ao Sindicato das Escolas Particulares, ao Ministério Público Estadual e às Secretarias Estadual e Municipal de Educação, para que busquem um diálogo com as escolas no sentido de acabar as aulas aos sábados.