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Uma chuva de verão

Foto: Divulgação

Wellington Dias e Firmino Filho: aparando arestas

O fato expressivo da semana, na política estadual, foi o rapapé do prefeito Firmino Filho ameaçando ser candidato a governador nas próximas eleições. Isso depois de ser derrotado na eleição da Mesa Diretoria da Câmara Municipal de Teresina, antecipada em mais de um ano.

A declaração do prefeito, admitindo a candidatura, até então impensável, animou as hostes oposicionistas. Vários líderes, como o ex-governador Wilson Martins, presidente regional do PSB, se manifestaram com entusiasmo sobre a disposição de Firmino, destacando a sua liderança.

O prefeito estava no exterior e viu na antecipação da sucessão na Câmara uma manobra política para engessá-lo na eleição para governador. Firmino enxergou nessa articulação as digitais do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho, e do próprio governador Wellington Dias.

Themístocles foi aliado do prefeito na campanha pela sua reeleição, no ano passado, oferecendo o seu vice, o ex-reitor da Universidade Federal do Piauí, professor Luiz Júnior, indicado pelo PMDB. O presidente da Assembleia se movimenta para ser candidato a vice-governador na chapa de reeleição de Wellington, no próximo ano.

Mãos atadas

Com a reeleição do tucano Jeová Alencar para um novo mandato de presidente da Câmara, à sua revelia, inicialmente, e, depois, contra a sua vontade, Firmino identificou uma interferência indevida do presidente da Assembleia e do governador no processo, com o objetivo de imobilizá-lo no Palácio da Cidade para as eleições de 2018.

Ora, o próprio prefeito deu um nó nele mesmo ao ceder o cargo de vice-prefeito a um partido aliado do governador. Repetiu o mesmo erro de 2008, que levou o PSDB a pagar um alto custo na sucessão estadual de 2010 e também na eleição municipal de 2012.

Themístocles Filho negou categoricamente a acusação do prefeito e, saindo de sua habitual postura arredia a polêmicas, partiu para o contra-ataque, acusando o prefeito de mau companheiro. Confessou, inclusive, que estava arrependido de ter votado nele e feito campanha pela sua reeleição.

Wellington tira o corpo de banda

O governador Wellington Dias, por sua vez, procurou imediatamente jogar água na fervura e foi bater à porta do prefeito, a pretexto de discutir a antecipação de metas para o abastecimento de água em Teresina, cujo sistema foi entregue no meio do ano à iniciativa privada.

Em conversa privada com Firmino, nessa ocasião, Wellington também negou interferência na eleição da Câmara. Com isso, a conta política do episódio ficou apenas nas costas do presidente da Assembleia. Foi Themístocles, no final, quem acabou pagando o maior preço no episódio, já que o PMDB foi posto para fora da prefeitura e o presidente reeleito da Câmara já se recompôs com o prefeito.

Ciro cacifado

Já o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e aliado tanto do governador quanto do prefeito de Teresina, saiu cacifado dessa crise. Ele acalmou o prefeito e, por enquanto, este já não fala mais em sair candidato a governador. Fez mais: disse que seu plano é botar Firmino e Wellington no mesmo palanque em 2018.

Isso chega a ser um alívio para o governador, até aqui franco-favorito na sucessão estadual. Mas Wellington está de orelha em pé. Chegou às suas mãos uma pesquisa de intenção de voto na qual o prefeito de Teresina aparece surpreendentemente bem posicionado, antes de se declarar candidato.

Nestes tempos de instabilidade política, quando as eleições têm potencial para virar uma roleta-russa, chega a ser tranquilizador para Wellington saber que a eventual candidatura do prefeito, o principal nome das oposições, não passou de uma chuva de verão.

Foto: divulgação

O senador Ciro Nogueira usou até ambulância para acalmar o prefeito de Teresina