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E quem julga o Supremo?

Foto: Divulgação/STF

Supremo Tribunal Federal

A semana foi marcada por um entra e sai de ‘colarinhos brancos’ nas portas das cadeias. O Supremo, através de decisões desencontradas de seus ministros, concedeu uma espécie de ‘Indulto de Natal’ para uns e mandou outros para o xilindró.

Foram vistos saindo do xadrez, para passar as festas natalinas com a família, o empresário Marcelo Odebrecht e o ex-governador do Rio, Antony Garotinho, entre outros. E foi visto voltando para trás das grades o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP).

Como esperado, a prisão de Maluf foi a que mais repercutiu na mídia brasileira. Não era para menos, afinal há muito tempo ele foi eleito o símbolo nacional da corrupção na administração pública.

Não vou dizer que a decisão do Supremo mandando engaiolar o deputado seja um espetáculo circense. Não chegaria a esse ponto, mas arrisco afirmar que se trata de mais uma ação midiática da Suprema Corte.

Em um país que não tem memória nem interesse pelos assuntos mais graves, isso cola.

20 anos depois

A denúncia contra Maluf está relacionada com prática criminosa ocorrida em 1998, quando ele era prefeito de São Paulo. Maluf foi acusado de remessa de valores, supostamente ilícitos, ao exterior.

Mas somente em 2006 as autoridades brasileiras tiveram conhecimento desses recursos fora do país, concluindo que se tratava de propina. E somente em maio passado o deputado foi julgado no Supremo, sendo condenado a 7 anos e 9 meses de prisão.

A ordem para trancafiá-lo, expedida 20 anos depois do suposto delito, o alcança quando ele chega aos 86 anos, doente de câncer e alquebrado. Ou seja, mais uma vez o Supremo falha em sua missão. Isso porque a fila de bandidos de colarinho branco não anda no STF.

E a Lava-Jato?

Bata lembrar o escândalo da Lava-Jato. Desde que começou a operação, em março de 2014, foram abertos 183 inquéritos na Corte, dos quais 140 continuam lá, parados que nem água de poço. Eles foram abertos com base nas 113 delações premiadas e resultaram em 94 ações cautelares.

Na 1ª instância, em Curitiba, mais de 170 condenações. No Supremo, que analisa apenas os casos de denunciados com foro privilegiado, nenhum julgamento.

Porém, tudo o que se relaciona a Maluf ainda dá ibope, mesmo que nesse período de duas décadas ele já nem seja mais o símbolo da corrupção no Brasil. Há muito ele perdeu a taça para políticos agasalhados no PT, PMDB, PP e PSDB. Diante de alguns deles, virou um trombadinha de esquina.

Enquanto o Supremo faz vistas grossas para os acusados da Lava-Jato, entrega ao país a prisão de Maluf, como quê a lavar a alma da nação.

Ledo engano! Como já sentenciou um renomado jurista, a justiça que tarda, falha! Mas quem há de julgar o Supremo?