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Terror, pânico e tragédia no Dia de Natal

Foto: Izabella Pimentel/Cidadeverde.com

O carro da família perseguido pela polícia

Terror, pânico e tragédia foram vividos pelo casal Evandro da Silva Costa, 31 anos, e Daiane Félix Caetano, 26 anos, após cantar “Noite Feliz” com a família, celebrando o Natal. Tudo aconteceu menos de 24 horas depois da festa, no mesmo Dia do Natal, numa abordagem policial desastrosa.

O casal se dirigia com as três filhas para uma franquia de açaí, na zona Leste de Teresina. Em uma rotatória, uma roda do carro em que andavam passou por cima do meio fio. Em seguida, iniciou-se uma perseguição policial ao carro.

Daiane contou à polícia que o marido dela não parou porque ela carregava um bebê de oito meses no colo, sem a cadeirinha de bebê, e o casal temia ser multado.

Família é baleada

Como a viatura policial não deu trégua na perseguição e se aproximava cada vez mais, ela entendeu que era melhor parar. O marido obedeceu. Quando os policiais desceram da viatura, ouviram gritos de populares de que o carro era ocupado por uma família. Em vão. Iniciaram um tiroteio que acabou em tragédia.

O pai, que é cantor sertanejo, levou um tiro na cabeça e permanece em observação médica. A mãe foi atingida no braço, de raspão, e recebeu alta. A filha mais velha, Émile Caetano Costa, de 9 anos, também foi baleada e deu entrada à meia-noite no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), juntamente com os pais. A criança não resistiu aos ferimentos e morreu às 5h30 de ontem. A menina teve o tórax e costela perfurados a bala. 

Despreparo

Os PMs envolvidos na ocorrência são do 5° Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo policiamento na zona Leste da Capital. São eles: Francisco Venício Alves (cabo F. Alves) e Aldo Barbosa Dornel (soldado Dornel). Os dois militares foram autuados pela Corregedoria da PM e estão no Presídio Militar, onde ficarão à disposição da Justiça.

Segundo o coronel Wagner Torres, comandante de Policiamento da Zona Leste de Teresina, o cabo informou que a viatura recebeu a informação de que um veículo igual ao da família estava sendo usado em assaltos na região.

"Eles relataram que localizaram o carro e então fizeram uma perseguição por várias vias da Zona Leste até chegarem à avenida João XXIII, onde o carro parou. O cabo disse que o soldado Dornel disparou cinco vezes contra o veículo e ele disparou duas vezes para o alto”. A mãe da criança morta contou pelo menos 10 tiros.

O coronel reprovou a operação e informou que a PM tem um procedimento padrão para esses casos. O correto, segundo ele, seria o cabo e o soldado pedirem reforço, montar barreiras para o carro em fuga e convencer seus ocupantes a saírem dele. Ele disse que o cabo tem 25 anos de polícia e o soldado, 6.

Um milagre

O coordenador da Delegacia de Homicídios, delegado Francisco Costa, o Barêtta, contou que por pouco outra criança não morreu durante a operação policial.  “A mãe contou que estava com o bebê no colo e o tiro atingiu ela no braço. Foi por questão de centímetros que a criança não foi atingida”, relatou o delegado. A outra filha do casal, de 8 anos, também saiu ilesa.

Por ordem do comando da PM, toda assistência está sendo dada à família, mas o caso traz preocupação para a corporação, afinal ele acontece no momento em que a polícia faz um esforço máximo para garantir segurança à população na virada do ano.

Ironicamente, dois policiais experientes, mas despreparados, é que são os autores e atores de mais uma cena trágica com a farda, a viatura e as armas da PM.