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Governo também sai do procedimento-padrão

O corpo da menina Émile Caetano Costa, de 9 anos, assassinada por policiais militares, durante uma abordagem desastrosa, em Teresina, foi sepultamento ontem em Timon, em clima de comoção. Para todos que aompanhavam o sepultamento, era inacreditável que a inocente criança tivesse sido morta crivada de bala e pela polícia.

O pai dela, Evandro da Silva Costa, 31 anos permanece internado no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), com uma bala alojada na cabeça. A mãe dela, Daiane Félix Caetano, 26 anos, foi atingida no braço, de raspão, e já recebeu alta. O bebê de oito meses que estava em seu colo escapou milagrosamente.

Os PMs envolvidos na ocorrência são do 5° Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo policiamento na zona Leste da Capital. São eles: Francisco Venício Alves (cabo F. Alves) e Aldo Barbosa Dornel (soldado Dornel). Os dois militares foram autuados pela Corregedoria da PM e estão no Presídio Militar, onde ficarão à disposição da Justiça.

Faltou pulso

Em qualquer país civilizado, no entanto, todos os que, direta ou indiretamente, tivessem responsabilidade por essa tragédia já teriam sido afastados das funções.

A punição não pode ser, apenas, para os que estão diretamente envolvidos no crime, mas também para os que comandam, orientam, instruem e supervisionam as ações dos seus comandados.

Aliás, não se trata de um fato isolado. Há poucos dias, no início de novembro, na Vila Irmã Dulce, uma família também foi perseguida pela polícia e só não houve morte também por um milagre.

Seis pessoas e um bebê de 8 meses estavam em uma caminhonete quando se assustaram com os tiros disparados de uma viatura. Três pessoas ficaram feridas, entre elas, a mãe da criança.

Já virou rotina

As autoridades não podem continuar recebendo estes e outros casos do gênero como fatalidade. Nem abrandá-los com a desculpa de que a polícia trabalha muito, que prende muito.

Sim, trabalha! E prende muito também. E seu trabalho é difícil. Quanto a isso, não há questionamento. Mas deve trabalhar certo, afinal se trata do braço armado do estado.

Está evidente que existe um erro na formação dos policiais. Ou eles simplesmente são bandidos usando a farda da PM.

Existe uma sucessão de erros terríveis e graves em muito pouco tempo. Agora, uma família foi humilhada e destroçada por PMS; há poucos dias, num assalto a uma agência do Banco do Nordeste, em Teresina, sumiram R$300 mil dos R$700 mil que estavam nas mãos de policiais que prenderam um dos bandidos com sacolas de dinheiro.

Nem cito o assassinato frio, brutal e covarde de uma jovem universitária por um oficial da PM, pois não se trata de uma ação da polícia, mas de um caso pessoal e passional. Mas sem dúvida ele também mancha a reputação da corporação.

Em resumo, nessas operações citadas, os policiais se desviaram do procedimento-padrão. As autoridades também, na medida em que não adotam rigorosamente o que está previsto no manual para estes casos – o afastamento de todos!

O governo cala

O Governo do Estado nada disse sobre o caso. Nenhum pronunciamento, nenhuma nota de solidariedade. Talvez porque se trate de uma família modesta e porque não queira reconhecer o grave erro que resultou em crime.

Ontem, o secretário de Segurança, Fábio Abreu, ao comentar o episódio, em entrevista à imprensa local, afirmou que a população precisa estar consciente de que qualquer reação a esse tipo de abordagem policial pode gerar a possibilidade de um evento como o que ocorreu na noite de segunda-feira.

Ora, se não tinha uma palavra de conforto para a família da vítima, se não se comove com a sua dor e se não tem qualquer satisfação a dar à sociedade,  o secretário de Segurança faria melhor se continuasse recolhido ao seu silêncio. Seria mais consequente do que procurar transferir para as víimas a responsabilidade da tragédia!