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Não se faz um grande país com 'mortadelas' e 'coxinhas'

Foto: Divulgação

Ciro Gomes no Fórum da Liberdade 2018, em Porto Alegre

 

O ex-ministro Ciro Gomes, tido e havido como um pavio curto e um língua solta, foi quem, a meu ver, melhor indicou o caminho para o Brasil sair da grave e complexa crise econômica, política, social e institucional em que se encontra.

Ele apresentou a sua proposta no início da semana, no Fórum da Liberdade 2018, realizado em Porto Alegre. O evento, promovido desde 1988 pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), teve a participação de palestrantes brasileiros e também de personalidades internacionais, além dos presidenciáveis.

O pré-candidato do PDT esteve lá e deu o seu recado. Infelizmente, a mídia só destacou um ‘pescotapa’ que o ex-ministro teria dado em um youtuber. E depois ficou provado que era uma montagem, uma fake-news, portanto, uma notícia falsa. O jornalismo brasileiro também vive a sua crise particular.

O tamanho da crise

Pois bem! Mostrando absoluto conhecimento da realidade brasileira e segurança em sua fala, Ciro Gomes apresentou de cor muitos números sobre a conjuntura nacional e advertiu que não é uma tarefa fácil encontrar rumos para o país.

O ex-governador do Ceará disse, por exemplo, que, nos últimos 12 meses, o Brasil assistiu, impotente, a 64.700 assassinatos, quase todos de jovens, pobres e negros. Pelas estatísticas, apenas 8% desses homicídios serão investigados.

Disse mais: em janeiro deste ano, a população economicamente ativa teve, pela primeira vez, a informalidade maior que a formalidade. Isto é, essa relação foi invertida, com 34 milhões e 700 mil trabalhadores na informalidade e 32 milhões e 700 mil na formalidade.

Ele indagou: - Qual É o sistema previdenciário que se sustenta com uma situação dessas? E qual é o sistema tributário também que pode sobreviver nesse quadro?

Por causa da crise econômica, 60 milhões de brasileiros já estão negativados no SPC/ Serasa.

As urgências do país

O ex-ministro não apontou o dedo para ninguém. Não quis culpar A, B ou C. Preferiu dizer que tudo isso é resultado de um modelo econômico equivocado, adotado há muito tempo pelo Brasil, em vários governos.

Ciro Gomes observou que, em função de todos esses dramas, as urgências populares, ou seja, as principais preocupações e necessidades da sociedade, estão centradas na saúde, no emprego, na segurança e no combate à corrupção.

O presidenciável lamentou que entre os dramas existenciais do povo não esteja a educação, que nem é lembrada em suas manifestações, apesar de ser o verdadeiro instrumento para a sua emancipação.

Debate inócuo

Muito bem! Chego ao ponto aonde queria chegar: o ex-ministro Ciro Gomes reclama que, enquanto o Brasil vive esta situação dramática, faz-se um debate nacional  - e irracional, acrescento - entre ‘mortadelas’ e ‘coxinhas’, isto é, entre lulistas e antilulistas.

É uma discussão, como ele bem acentuou, que só interessa aos 'capitães' desses dois grupos tão radicais, pois se trata de um debate estéril e inócuo.

Mais que isso: é uma discussão que só contribui para semear o ódio e alimentar a luta fraticida entre os brasileiros, jogando irmãos contra irmãos, e empurrando o país para o caos, ao invés de levá-lo à busca de soluções para seus verdadeiros e gravíssimos problemas.