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13 milhões de brasileiros não comemoram Dia do Trabalho

Foto: Cidadeverde.com

Desemprego bate novo recorde no Brasil

 

Um total de 13,689 milhões de brasileiros não tem motivo para comemorar hoje a passagem do Dia do Trabalhador. Eles formam o contingente de desempregados do país.

O IBGE divulgou no final de semana, através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que o Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2018 com taxa de desemprego de 13,1 por cento, a mais alta desde maio do ano passado, quando chegou a 13,3 por cento.

O aumento da dispensa de trabalhadores se verifica diante de uma economia que vem mostrando menos força do que o esperado.

Renda cai

Já o contingente de pessoas ocupadas no período era de 90,581 milhões, de 91,091 milhões no trimestre até fevereiro e queda de 1,7 por cento sobre o quarto trimestre, quando eram 92,108 milhões.

Ao mesmo tempo, o contingente de empregados com carteira assinada atingiu no primeiro trimestre o menor patamar da série iniciada em 2012, com 32,913 milhões de pessoas, queda de 1,2 por cento no primeiro trimestre sobre o quarto e de 1,5 por cento sobre o mesmo período do ano passado.

O rendimento médio do trabalhador também caiu, ainda segundo a Pnad Contínua, sendo de R$2.169 nos três meses até março, sobre R$2.173 no quarto trimestre.

Imagem: Reprodução/PT

"Lula Livre"

A oposição vai lembrar a data nas ruas. As centrais sindicais e o PT convocaram para Curitiba um ato público no qual se façam discursos pela liberdade do ex-presidente Lula. Além disso, uma gravação de Lula, de 1986 e nunca divulgada, será distribuída pelo país.

A assessoria de imprensa do PT informou que a programação de hoje começa às 7 horas, com a concentração no terminal Boa Vista, próximo à sede da Polícia Federal. De lá, os manifestantes seguem para o edifício da PF, onde, diariamente, há uma rito conhecido como “bom dia, Lula” — quando todos dizem a frase aos gritos.

Em carta à senadora Gleisi Hoffmann (PR), o ex-presidente afirmou que consegue ouvir seus apoiadores, e pediu para que eles continuem com a "tradição".

Depois da “cerimônia”, haverá um ato ecumênico e, em seguida, todos caminharão para o Centro, às 14h, quando haverá ato na Praça Santos Andrade.

No fim, shows de artistas locais e de grandes nomes nacionais, como Maria Gadu e Beth Carvalho, encerram a programação.

Imagem: Divulgação

Temer anuncia reajustes

Ontem à noite, em mensagem pelo Dia do Trabalhador, o presidente Michel Temer anunciou  o reajuste do Bolsa Família (5,67%, a partir de julho) e também a renovação do Programa Luz Para Todos, beneficiando 2 milhões e pessoas que vivem no escuro.

Ele anunciou ainda que estava encaminhando ao Congresso Nacional o novo valor do salário mínimo, antecipando que ele será o maior da história.

O presidente, já com a popularidade tão baixa, bem que poderia ter se poupado de mais esse desgaste. O reajuste do Bolsa Família beneficia a quem não trabalha e o aumento do novo salário mínimo será pago já depois de seu mandato.

E a crise?

O Dia do Trabalhador se presta para se recordar, mais uma vez, que o Brasil não saiu da grave crise econômica que se arrasta desde 2015. E também para lembrar que, apesar do esforço do governo, com as reformas implantadas, a instabilidade permenece e o mercado de trabalho não ganhou força suficiente para a retomada do emprego.

Enquanto isso, a agenda nacional continua sendo focada quase que exclusivamente na política, com o país em pé de guerra por causa das eleições e com seus líderes vivendo uma insuperável crise de credibilidade. Isso, naturalmente, não favorece o cenário econômico nem desperta a confiança dos investidores.