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De símbolo da cidade a símbolo do abandono

Foto: Durvalino Couto Filho

 

O incêndio ocorrido há uma semana em um edifício do centro de São Paulo jogou luzes sobre um prédio do centro de Teresina em situação semelhante. Trata-se do antigo e histórico edifício-sede do IAPC-INPS-INSS, na Praça João Luís Ferreira.

O prédio foi construído há aproximadamente 70 anos. O último órgão público que funcionou lá foi o SUS (Sistema Único de Saúde), até 2006, quando o edifício foi completamente abandonado e, depois, interditado pelo Corpo de Bombeiros.

Edifício-símbolo

A antiga sede do extinto IAPC (Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários)  é um edifício-símbolo de Teresina. Com oito andares, foi o primeiro arranha-céu com pilotis construído na cidade. Sua edificação começou em 1947. A pedra fundamental foi lançada naquele ano pelo prefeito Durvalino Couto, que assumiu o cargo por quatro meses.

De lá para cá, surgiram novas e mais eficientes técnicas e normas de construção, incompatíveis hoje com o estado em que o prédio se encontra. Segundo especialistas, o pé direito do edifício é reduzido e as escadas são muito estreitas.

Foto: Acervo Durvalino Couto Filho

Prefeito Durvalino Couto, no lançamento da  pedra fundamental do Edifício do IAPC

A interdição 

O Corpo de Bombeiros embargou o prédio porque ele não tem uma rota de fuga adequada em caso de acidente - um incêndio, por exemplo. Existe, assim, a necessidade de ser feita uma escada externa, o que seguramente comprometeria suas linhas arquitetônicas originais.

O sistema de ventilação, em caso de incêndio, é precário. O prédio é muito alimentado por entradas de ar, o que dificultaria a fuga de fumaça de suas dependências, num caso desses. O prédio tem apenas um poço de elevador.

Centro Cultural não vinga

Em 2010, o Governo do Estado anunciou a instalação de um Centro Cultural do Banco do Nordeste no local. Mais de R$ 6 milhões seriam investidos na obra.

Com a cessão do imóvel, que pertence ao Patrimônio da União, o BNB se responsabilizaria por todas as benfeitorias e intervenções estruturais previstas para a implantação do novo centro cultural.

A revitalização do prédio ofereceria, segundo o governo, acesso gratuito a bens e serviços culturais, como teatro, cinema, biblioteca, espaço para exposições e oficinas de arte, a exemplo do que ocorre nos demais centros que o Banco mantém nas cidades de Fortaleza, Juazeiro do Norte (CE) e Sousa (PB).

O novo Centro Cultural do BNB iria transformar Teresina em um polo de manifestações artísticas, valorizando a cultura local, e integrando-a a expressões culturais de outras origens e inserindo a cidade no circuito dos demais centros do banco.

Imagem: Reprodução/BNB

Segundo o BNB, o Centro Cultural de Teresina ficaria assim

Imbróglio

O BNB chegou a montar tapumes no prédio, anunciando o começo das obras. Pouco tempo depois, elas foram suspensas. Houve um imbróglio entre o banco e a construtora contratada para reformar o prédio. O problema se deu entre o final de 2012 e o início de 2013.

Teresina perdeu, dessa forma, o Centro Cultural do BNB, que foi anunciado com pompa, com a presença do então presidente do banco, Roberto Smith, do ministro da Cultura da época, Alfredo Manevy, além do governador Wellington Dias e de representantes da Secretaria do Patrimônio da União no Piauí.

À época, o BNB afirmou que o Centro teria teatro com 150 lugares, auditórios e salas para leitura, música e oficina de arte; espaços para exposições; bibliotecas: tradicional, infantil, virtual e adaptada para pessoas com deficiência audiovisual; sala de dança e ainda um mirante no topo do edifício.

Assim, com esse problema e mais a perda da cessão do prédio que receberia a instalação física, o BNB decidiu que o Centro seria construído em Parnaíba. Mas lá também o Centro Cultural do Banco do Nordeste não andou.

Casa da Mulher

Durante o impasse, a Secretaria do Patrimônio da União recebeu uma demanda da Secretaria de Políticas para as Mulheres, que precisava de um imóvel para instalar um equipamento de apoio ao órgão no Piauí – a Casa da Mulher Brasileira.

Um estudo técnico que chegou às mãos do prefeito Firmino Filho informa que a revitalização do edifício é factível, porém o dinheiro necessário para isso é equivalente ao que é preciso para construir um novo e moderno prédio no mesmo local.

Moradias

A Prefeitura planejou a ocupação do prédio com moradias, dentro do Projeto de Revitalização do Centro de Teresina.

Para tanto, foram iniciados entendimentos com o Serviço de Patrimônio da União a fim de que seja feita a doação do prédio ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), a fim de que a Caixa possa planejar uma linha de financiamento para moradias através do Programa Minha Casa, Minha Vida.

Enquanto não se chega a uma decisão sobre o destino do velho edifício que já foi um cartão postal da cidade, ele segue como um símbolo do abandono. Pelo visto, todos querem que ele caia. Pelo menos no esquecimento.