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Brasil está brincando com fogo

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A paralisação dos caminhonheiros em Teresina

 

O prolongamento da paralisação dos caminhoneiros, depois que a categoria teve suas reivindicações atendidas pelo governo, é um passo perigoso. O movimento começou espontaneamente, sem cara e sem nome, porém outras forças já se infiltraram nele, transformando-o num cabo de guerra.

O presidente Michel Temer cedeu e reduziu em 46 centavos na bomba o valor do litro de óleo diesel, com corte de tributos como a Cide e o PIS/Cofins. Também decidiu congelar o preço do diesel por 60 dias, e não mais 15 ou 30 dias como anunciado semana passada. Vencidos os dois meses, o reajuste será feito a cada 30 dias.

Michel Temer também assinou três Medidas Provisórias que garantem a isenção da cobrança do eixo suspenso nos pedágios, a reserva de 30% dos fretes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para os caminhoneiros autônomos e uma tabela com valores mínimos para os fretes rodoviários.

As três MPs foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União. Essa foi uma das exigências do comando grevista para encerrar o movimento. O governo fez a sua parte.

Palavra de ordem

Ao deixar o Palácio do Planalto, o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, disse que recomendaria aos motoristas que voltassem ao trabalho por entender que as reivindicações haviam sido contempladas pelo governo.

A entidade, que representa quase 1 milhão de caminhoneiros, havia se recusado a assinar o acordo anunciado na última quinta-feira. “Foi o melhor para o caminhoneiro. Peço aos motoristas que levantem acampamento e sigam a vida”, declarou.

Acontece que, ontem, ao contrário do que se esperava, o movimento não foi suspenso e há sinais de que as lideranças perderam o seu controle. O resultado é que a crise no abastecimento se agrava e o Brasil caminha para o caos. Por mais justo e democrático que seja o movimento, o país não pode pagar esse preço para atender os interesses de uma categoria e o oportunismo de outras.

E mais: com o agravamento da crise no abastecimento, a paralisação vem perdendo a simpatia inicial da população, que não tardará a se transformar em revolta, se o movimento persistir.

Uso da força

Muitos acusam o presidente Michel Temer de fraco, por ele ter insistido na busca de uma solução através do diálogo. Se a radicalizar continuar, porém, ele será exigido a usar a força para acabar com a paralisação e recolocar o país nas estradas.

O que advirá disso não se sabe. Então, a estas alturas, todo cuidado é pouco.

Os políticos que não querem o fim da paralisação, por interesse no desgaste do governo, devem lembrar que muitos deles também são parte da crise, especialmente os governadores, que aumentaaram vorazmente o ICMS dos combustíveis e fazem corpo mole para ajudar na solução do problema .