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Começa a chegar a conta dos caminhoneiros

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Caminhoneiros pararam o Brasil

A paralisação dos caminhoneiros mostrou, mais uma vez, que o Brasil não é para principiantes, como ensinava o compositor Tom Jobim. O movimento ganhou de imediato a simpatia da população, já cansada de ser espoliada por tantos aumentos de combustíveis e uma carga tributária escorchante.

Não tardou e a paralisação do transporte rodoviário de carga ganhou força em todo o Brasil.

Não tardou também e país foi completamente nocauteado pela paralisação, advindo daí uma crise no abastecimento jamais vista.

E quando a população passou a ser diretamente atingida pelo caos, deu-se conta que o caso não seria tão simples quanto a princípio parecia.

Na fila do caos

Começou a faltar gasolina por mais de um dia, por mais de dois, por mais de três, por mais de uma semana... Também faltou gás de cozinha. Voos foram cancelados, o transporte público parou ou reduziu sua frota e começaram a faltar ainda alimentos e remédios. Até as aulas foram suspensas.

E muitos dos que já estavam achando os combustíveis caros, sujeitaram-se a comprá-los a qualquer preço, depois de passar horas em filas intermináveis.

A solução de sempre

O governo lançou mão do recurso de sempre para acabar o movimento: abriu o cofre, meteu a mão dentro o ofereceu o que estava sendo reivindicado pelos caminhoneiros.

Depois de enfrentar esses dias de sufoco por causa da paralisação do transporte de carga, os brasileiros que, pelos mais diferentes motivos, apoiaram o movimento, e os que não o apoiaram também, agora começam a receber a conta. A primeira fatura é de quase R$ 10 bilhões.

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Nos postos, a fila do caos

Reoneração

O presidente Michel Temer sancionou ontem a lei da reoneração da folha de pagamento que aumenta a carga tributária de setores da economia. No texto final publicado em uma edição extra do Diário Oficial da União, o presidente vetou ponto que pretendia zerar o PIS/Cofins do óleo diesel até o fim do ano.

Para substituir o trecho que tratava do tributo, Temer editou três medidas provisórias (MPs) a fim de garantir o acordo com caminhoneiros e reduzir em R$ 0,46 o preço do litro do diesel na bomba. O litro do diesel vai ficar mais barato a partir de hoje e deve ficar congelado por dois meses.

Entre as medidas editadas por Temer está a que abre crédito extraordinário de R$ 9,58 bilhões para compensar a Petrobras e garantir a redução no preço do litro do diesel.

Cortes

O governo meteu também a tesoura em recursos para diversas áreas, notadamente a social.

Entre outros, foram cortados recursos para Gestão de Políticas Públicas de Juventude; Força Nacional de Segurança Pública; Política Pública sobre Drogas; Policiamento Ostensivo nas Rodovias e Estradas Federais; e Concessão de Bolsas de Estudo a Alunos Estrangeiros, no Sistema Educacional Brasileiro.

Conta dividida

Não surpreende nem o comportamento dos brasileiros durante a paralisação nem o caminho seguido pelo governo.

O brasileiro, de um modo geral, e o político, em particular, se movem sempre por duas obsessões: a do ‘almoço grátis” e a da ‘meia entrada’.

No primeiro caso, existe a ilusão de que uma vantagem relativa não custará nada. No segundo, que vantagens relativas são justas e devem ser atendidas.

Ninguém se iluda, no entanto: em ambos os caos, mesmo quem não tem muito ou nada a ver com o peixe é que paga essas contas, como está ocorrendo agora, nesse caso dos caminhoneiros.