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Balada número 10

Foto: Divulgação/Fifa

 

(...) Hoje outros craques repetem as suas jogadas
Ainda na rede balança seu último gol
Mas pela vida impedido parou...

(Balada nº 7, Moacir Franco)

 

Uma foto do rei Pelé, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o ex-jogador Maradona e outras personalidades do futebol, anda de mão em mão, nos últimos dias, pelo WhatsApp. Ela não é recente, como tentam sugerir. A fotografia realmente foi feita em Moscou, mas em dezembro de 2017, no sorteio dos Grupos da Copa de 2018.

Convidado de honra da Fifa, Pelé não pode comparecer à abertura da Copa da Rússia. O ex-craque ainda não se recuperou da última das quatro cirurgias a que se submeteu de 2016 para cá. Aos 77 anos, Pelé tem enfrentado dificuldades de mobilidade.

Cadeira de rodas

No final do ano passado, quando esteve presente ao sorteio, Pelé compareceu ao evento em uma cadeira de rodas. Ele foi festejado nos bastidores pelo presidente russo e até por seu eterno antagonista, o argentino Diego Maradona, de quem recebeu um beijo.

No início do ano passado, Pelé caminhava com o auxílio de uma bengala. Ele relatou à imprensa, à época, que, com tantas cirurgias, ficava um pouco abatido psicologicamente.

“Na primeira cirurgia nos quadris, disseram que eu ficaria no máximo três meses parado. Passaram-se vários meses e não melhorei. Resolvi fazer a revisão nos Estados Unidos, e falaram que em dois meses eu ficaria bem de novo. Quando estava melhorando, torci o joelho. Isso me deixou chateado, me abateu um pouco. Joguei trinta anos e nunca tive problema, afinal”, desabafou o rei do futebol.

Também por causa desses problemas físicos, ele não pode participar da cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

Ironia do destino

De fato, impressiona ver um atleta como Pelé nessa situação. Chega a doer na alma de quem o viu em campo, ou assiste os replays de suas jogadas espetaculares, e acompanhou a sua trajetória profissional.

Ele se destacou não apenas como um gênio em campo, mas como um atleta rigorosamente disciplinado, que sempre teve cuidado com a saúde, inclusive com o peso, e se manteve longe das drogas. E conservou essa disciplina mesmo depois de deixar o gramado, como um exemplo a ser seguido.

As pernas que correram tanto, que deram incontáveis dribles desconcertantes nos adversários, que foram mais fortes e mais ágeis que as das melhores defesas do futebol mundial e marcaram mais de mil gols, levaram-no ao topo como rei do futebol, mas hoje, nem com a ajuda de muletas, já não conseguem arrastá-lo ao centro do campo, para um trivial e simbólico gesto de abertura de uma Copa.

O destino e suas implacáveis ironias.