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Bom Miguel, o bispo dos pobres!

Foto: Renato Bezerra/Arquidiocese de Teresina

Dom Miguel, na celebração de seus 90 anos

 

Desde a semana passada, divulgava-se falsamente a morte do arcebispo emérito de Teresina, dom Miguel Câmara, que estava internado em estado grave desde o último dia 3.

A partida dele se confirmou ontem à tarde. Não no dia nem na hora em que alguns erroneamente informaram, mas no dia e na hora em que o Senhor quis.

Dom Miguel se despediu do mundo dos mortais aos 93 anos. Ele nasceu em 4 de abril de 1926, no município de Quixeramobim, no sertão do Ceará. Era o quarto de uma família de oito irmãos.

Sua vocação sacerdotal aflorou quando ele era ainda criança. Aos 12 anos de idade, foi estudar no Seminário Menor de Fortaleza, ordenando-se padre aos 23 anos, em 8 de dezembro de 1948.

Ele estudou no Seminário da Prainha, em Fortaleza. Fez pós-graduação em Roma, cursando Ciências Sociais na Universidade Gregoriana, e na Universidade Pro Deo, fez especialização em Ação Social e Opinião Pública.

Foi padre no Ceará, atuando em paróquias do interior. Além de professor do Seminário Maior, foi bispo auxiliar da capital cearense e arcebispo de Maceió.

Bispo dos pobres

Chegou a Teresina no final de 1984 e tomou posse como arcebispo metropolitano em 6 de janeiro de 1985, depois de nomeado pelo Papa João Paulo II, para substituir dom José Freire Falcão, transferido para a Arquidiocese de Brasília.

Dom Miguel esteve à frente da Arquidiocese por 16 anos. Ao longo desse período, criou várias pastorais sociais para cuidar de instituições como o Lar da Fraternidade, para acolher pacientes soropositivos; Lar de Misericórdia, casa de acolhimento para pacientes em tratamento contra o câncer;  Centro Maria Imaculada, que presta assistência aos portadores de hanseníase; Lar Maria Menina, para prestar apoio a adolescentes com gravidez precoce; Pastoral do Menor, Casa de Zabelê, Projeto Periferia e tantos outros serviços.

Em sua gestão, foi criado também o primeiro Vicariato das Comunicações Sociais do Brasil, com a finalidade de promover, articular e integrar os serviços de comunicação no âmbito de Igreja local.

O arcebispo renunciou às suas atividades em fevereiro de 2001, por conta de sua idade superior a 75 anos. Embora cearense, com muitos parentes lá, optou por morar no Piauí após a sua aposentadoria, sendo o primeiro arcebispo emérito de Teresina.

Dom Miguel

Um Francisco que veio antes

 “As pessoas não devem ser lembradas pelo modo como morreram, mas pelo modo como viveram”, sentenciou uma vez dom Miguel.

Por isso, ele não deve ser lembrado pelo seu calvário nem pela sua luta pela vida até os últimos e desesperadores instantes.

Ele há de ser lembrado como um homem bom, como um homem que se fez líder. Um líder que se impôs pela sua simplicidade, sua inteligência, sua autenticidade e sua firmeza, vivendo na prática a opção preferencial pelos pobres. Foi um Papa Francisco que chegou antes.

O bom pastor

Em Teresina, muitos que o conheciam mais de perto não o chamavam propriamente de Dom Miguel, mas apropriadamente de Bom Miguel, não como um gesto de bajulação, mas como um ato de carinho e respeito à sua humildade e também um reconhecimento à sua vigorosa ação pastoral e à sua devoção de homem de fé cristã.

Quem acompanhou de perto a sua marcante presença em Teresina não tem dúvidas, hoje, de que ele foi um santo que habitou entre nós.

Que o Senhor acolha a alma do Bom Miguel em sua misericórdia, verdadeira fonte de alegria!