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Piauí manda 4 senadores para duas vagas

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Amauri assume cadeira no Senado

 

O empresário José Amauri, filiado ao Podemos e um ilustre desconhecido de dez entre dez eleitores, é mais um suplente que vira senador pelo Piauí . Nos últimos 40 anos, vários suplentes assumiram as cadeiras no Senado, por morte dos titulares e outros motivos.

O primeiro da lista foi o advogado Bernardino Viana, ex-presidente do Banco do Estado do Piauí (BEP). Ele foi convocado em março de 1979, com a posse do senador Petrônio Portella no Ministério da Justiça. Com a morte deste, em 6 de janeiro de 1980, Bernardino Viana concluiu o seu mandato, encerrado em 1983.

Dirceu e Alberto

Ainda em março de 1979, o engenheiro Alberto Silva assumiu a cadeira do senador Dirceu Arcoverde, que morreu no dia 16. Os dois ex-governadores concorreram ao Senado nas eleições de 1978 por duas sublegendas da Arena.

A legislação eleitoral de então previa que o segundo mais votado tornava-se automaticamente o primeiro suplente do eleito. Alberto tirou todo o mandato de oito anos.

Hugo e Álvaro Pacheco

Outro suplente de senador do Piauí teve a oportunidade novamente de assumir o mandato na legislatura de 1987 a 1995. O senador Hugo Napoleão (PFL) licenciou-se duas vezes para ocupar os Ministérios da Educação (Governo Sarney) e das Comunicações (Governo Itamar Franco) e o seu suplente, poeta Álvaro Pacheco, foi convocado a Brasília.

Freitas Neto e Elói

No último ano do primeiro Governo FHC, o senador Freitas Neto, eleito em 1994, pelo PFL, foi convidado para ser ministro extraordinário das Relações Institucionais, dando vez à convocação do suplente Elói Portella. Com isso, dois irmãos estavam juntos no Senado na mesma legislatura – Elói e Lucídio Portella, este eleito em 1990.

Hugo e Benício Sampaio

Mais um suplente de senador que teve a chance de ser convocado foi o médico Benício Sampaio, quando Hugo Napoleão exercia seu segundo mandato no Senado e retornou ao Governo do Estado por decisão judicial, após a cassação do governador Mão Santa (PMDB), em 6 de novembro de 2001.

Benício ficou no Senado até o final do mandato, no início de 2003.

Duas vagas, 4 senadores

Finalmente, na atual legislatura, os piauienses elegeram dois senadores e ganharam quatro.

Em 2014, o senador Wellington Dias (PT) renunciou a quatro anos de mandato depois de ser eleito para o terceiro mandato de governador do Estado. Ele abriu espaço para a convocação da suplente Regina Sousa, a primeira mulher a assumir uma cadeira no Senado pelo Piauí.

Agora, o senador Elmano Férrer (Podemos) se licencia por quatro meses para concorrer ao cargo de governador nas próximas eleições, dando vez à convocação do seu suplente José Amauri, um pernambucano que mora no Piauí há mais de 20 anos e trabalha como executivo do Grupo Claudino.

Um detalhe: além de primeiro suplente de Elmano, desde 2015, Amauri é segundo suplente do senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, desde 2011.

Curiosidade

A história dos suplentes de senador do Piauí registra ainda um fato curioso: o empresário e ex-deputado federal Jesus Tajra foi suplente de quatro senadores e não assumiu o mandato por um só dia.

Primeiro, ele foi suplente do senador Helvídio Nundes, de 1971 a 1979, pela Arena. A seguir, foi suplente de Dirceu Arcoverde. Com a inesperada morte deste, ainda no início do mandato, ao invés do suplente, foi convocado o concorrente. Tratava-se, naturalmente, de um casuísmo da legislação eleitoral da época.

Assim, Jesus Tajra continuou como suplente, agora de Alberto Silva, que só saiu do Senado ao final do mandato, em 1987, quando já estava eleito governador, pelo PMDB.

Por fim, Jesus Tajra foi suplente do senador Heráclito Fortes (PFL), agora pela quarta vez, na legislatura de 2003 a 2011. Ao todo, completou 24 anos de suplência no Senado, caso único na história política do Piauí.

O empresário demonstrou ser pé quente em eleição. Todos os candidatos a senador que o tiveram como suplente foram eleitos. E todos perderam a reeleição quando trocaram de suplente.