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Wellington abre o jogo da sucessão

Foto: Jorge Bastos/Palácio de Karnak

Governador recebe MDB e joga cartas na mesa sobre a chapa majoritária

 

Enfim, o governador Wellington Dias jogou as cartas na mesa sobre a composição da chapa majoritária governista para as próximas eleições.

Em reunião com o MDB, o governador apresentou a chapa da situação com ele mesmo na cabeça e a senadora Regina Sousa como vice, além de Ciro Nogueira e Marcelo Castro concorrendo ao Senado.

Com isso, ele enterra o sonho do MDB de emplacar o presidente da Assembleia, deputado Themístocles Filho, na vaga de candidato a vice e embala o seu sonho pessoal de guindar a senadora petista à condição de sua companheira de chapa.

Também quebra o critério que ele mesmo estabeleceu para sacar a vice-governadora Margarete Coelho da chapa – o de que cada partido aliado só teria direito a indicar um candidato.

Na nova situação, o PT emplaca dois nomes, quando o PSD e o PRB também reivindicam uma vaga de senador.

Enterro de luxo

O governador descartou o presidente da Assembleia como seu vice com muita classe, como é do seu estilo.

Primeiro, ele declarou que era grato ao MDB pela colaboração que deu ao seu governo e destacou o empenho pessoal de Themístocles para aprovar na Assembleia os seus projetos mais polêmicos e impopulares.

Depois, Wellington apontou ainda as qualidades de líder do deputado Themístocles Filho.

Ao cobrir o presidente da Assembleia com loas e ditirambos, fez o que popularmente se chama de enterro de luxo.

Papel presente

O governador embrulhou a sua chapa em papel de presente, com laços de fita. Ele argumentou que estava precisando de um candidato “competitivo e articulado” para a segunda vaga de senador, tendo a escolha recaído sobre o nome do presidente estadual do MDB, deputado federal Marcelo Castro, cujos olhos brilharam.

Ontem mesmo, Marcelo declarava que se o partido indicar o seu nome para concorrer ao Senado ele se sentiria muito honrado. Também avisou que estava pronto para a luta.

De encher os olhos

E por falar em olhos, a contraposta do governador enche os olhos de qualquer candidato a deputado estadual pelo MDB.

Com o eventual deslocamento de Marcelo Castro para a disputa da senatória, o deputado estadual Severo Filho sairia para concorrer à Câmara Federal. Seus colégios seriam rateados entre os demais candidatos emedebistas à Assembleia.

Outra: a coligação proporcional com o PT fica liberada.

Pedido de desculpas

A propósito, o deputado João Mádison (MDB) está devendo um pedido de desculpa público ao deputado Assis Carvalho, presidente regional do PT.

Não era dele, Assis, a proposta da chapa pura do Partido dos Trabalhadores para a eleição de deputado estadual.

Ficou claro que Assis foi apenas o porta-voz de uma ideia do próprio governador para se cacifar nas negociações com o MDB.

De Assis era apenas a veemência na defesa da proposta.

Que tiro foi esse?

Se já vinha mal nas pesquisas de intenção de voto, a senadora Regina Sousa fica em situação ainda mais delicada depois da justificativa do governador de que precisa de um candidato “competitivo e articulado” para a segunda vaga.

A senadora se sentia prejudicada pela indefinição de sua candidatura ao Senado e, depois dessa, fica ainda mais difícil deslanchar, se não for confirmada como candidata a vice.

Detalhe: o governador reconheceu que Regina não é competitiva nem articulada para a eleição de senadora, mas não explicou em que ela é mais competitiva e mais articulada que a vice-governador Margarete Coelho para ocupar seu lugar na chapa majoritária.

Barba de molho

Depois desse drible do governador no MDB, digno de Copa do Mundo, o senador Ciro Nogueira passa a ter motivos para por as barbas de molho como candidato à reeleição na chapa governista.

Até onde o PT vai efetivamente com ele? Os petistas sairão à praça pública para brigar pela sua reeleição?

Se o deputado Marcelo Castro for confirmado na chapa majoritária, quem será o primeiro candidato da coligação governista ao Senado?