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Alexandre Carvalho, o mago do rádio

Fotos: Arquivo

 

O Piauí acaba de perder um dos grandes nomes da época de ouro do rádio, Alexandre Carvalho, também bancário aposentado e escritor. Ele morreu na tarde de quarta-feira e o corpo foi sepultado ontem.

Depois de aposentado, dedicou-se à literatura. Seu livro de estreia foi Os Brasinhas, que conta a história do conjunto jovem guarda mais famoso do Piauí, ainda em atuação.

Escreveu também um romance e o livro Nas Ondas do Rádio, ainda inédito, com a história da radiofonia piauiense.

Durante muitos anos, a voz de Alexandre Carvalho embalou os sonhos da juventude piauiense de sua geração. Ele trabalhou nas principais emissoras de rádio de Teresina, atuando tanto na locução quanto na programação.

Teve seu nome associado ao sucesso de muitos programas. Foi mestre de muitos profissionais do rádio.

“Alexandre Carvalho foi um brilhante e criativo diretor artístico de rádio. Montou e bolou uma série de programas ao longo de 50 anos. Destaco aqui a nova programação e equipe da Rádio Clube 700, em 1979, que venceu a imbatível Pioneira em muitos horários e por um ano aproximadamente”, resume o radialista Zé Lula.

Inovação

Ele recorda que Alexandre Carvalho mudou o rádio com uma programação moderna e uma plástica inovadora, ao montar a grade da Clube 700, com a máquina do som, com Eudes Pereira, Frank Silva e Luiz Carlos Maranhão. “Depois vinha Ze Povim e Ze Ignorantim, seguido do noticiário, com Carlos Augusto. A seguir, a Elvira Raulino. Depois, Antônio Emídio e, fechado a tarde, o compadre Zé Nunes e a equipe de esportes, com Bolinha, Sérgio Pinheiro, Walters Arraes e Luiz Borges. Tudo sob o comando e direção deste mago que fez história no rádio, Alexandre Carvalho”.

 

Alexande Carvalho nos anos 70

A lembrança que fica

Além de um exímio profissional, um cidadão exemplar, de bom gosto artístico, sobretudo musical e literário.

“Era homem versátil, de conversa agradável, espírito conciliador, admirava a beleza da vida e por ela lutou até o fim com raro destemor e bravura pessoal”, destaca o professor e acadêmico Jônathas Nunes.

Como escreve do Rio de Janeiro o médico e escritor piauiense Edmar Oliveira, ao se despedir do amigo, “Alexandre Carvalho leva um pouco muito importante dos que ouviram sua voz nas ondas sonoras do rádio”.

A juventude transviada de sua época embota seus olhos nas lágrimas de cabeludos que hoje estão de cabeleira rala ou branca.

Alexandre Carvalho leva um pouco daquelas jovens tardes de domingo e de outros belos dias. Mas deixa também a lembrança alegre de sua marcante e inesquecível passagem pela vida de todos que o admiravam!

Que a alma dele tenha o merecido descanso dos justos!

Alexandre Carvalho entre Weyden Cunha e Galego