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Nova operação tira o humor do governo

Foto: Cidadeverde.com

Ministério Público explica objetivos da operação

 

A polícia bateu ontem novamente à porta do Governo do Estado, vasculhando cinco órgãos suspeitos de fraudarem licitações públicas. A nova operação, a terceira em menos de um mês, foi deflagrada pelo Ministério Público do Estado, por meio da 44ª Promotoria de Justiça de Teresina.

A operação mobilizou também o Tribunal de Contas do Estado - TCE, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado no Piauí – Gaeco e a Polícia Rodoviária Federal – PRF.

Através da Operação Itaorna, foram cumpridos oito Mandados de Busca e Apreensão expedidos pelo Juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública de Teresina, nas Sedes da Secretaria de Turismo e Secretaria de Desenvolvimento Rural, além do Instituto de Desenvolvimento do Piauí – Idepi.

Os policiais e auditores estiveram também na Coordenadoria de Desenvolvimento Social e Lazer e na Coordenadoria de Combate à Pobreza Rural, bem como na sede da Construtora Crescer e na residência dos sócios da empresa.

Essas coordenadorias foram criadas recentemente para acomodar parlamentares que aderiram ao governo;

Com a execução dos mandados, o Ministério Público visou à apreensão de computadores, notebooks, pen drives, HDs externos, celulares e documentos relacionados a procedimentos licitatórios.

As investigações iniciais apontam para um desvio de recursos públicos superior a R$ 13 milhões. O esquema estaria presente também em 38 prefeituras municipais. Ninguém foi preso.

Politicagem

O governo, já incomodado com as Operações Topique, na Secretaria de Educação, e Natureza, na Secretaria do Meio Ambiente, reagiu com indignação à Operação Itaorna.

O líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado Francisco Limma (PT), afirmou que as operações têm objetivo político. Ele chegou a sugerir que os membros dos órgãos de controle, mais especificamente do Tribunal de Contas, que têm parentes de primeiro grau concorrendo às eleições deveriam se afastar de suas funções.

O deputado Limma não citou nomes, mas o recado tem endereço certo: o conselheiro Luciano Nunes (pai do candidato a governador pelo PSDB, deputado Luciano Nunes); a conselheira Lilian Martins (esposa do ex-governador Wilson Martins, candidato ao Senado), e o conselheiro Kleber Eulálio (pai do deputado Severo Eulálio – MDB – candidato à reeleição).

Abuso de autoridade

O governador Wellington Dias  foi mais duro. Ele afirmou que a operação caracterizou abuso de autoridade.

Em nota, o Governo do Estado esclareceu que a Operação Itaorna teve por objeto constatar se a empresa investigada teria capacidade operacional ou não de realizar as obras e de se habilitar nos processos licitatórios.

“Nenhum agente público é investigado neste caso. É importante frisar, também, que o governo sempre prezou pela transparência de todos os seus atos e assegura que todos os processos licitatórios obedecem aos trâmites legais e obrigações jurídicas, tendo tramitado pela Controladoria e Procuradoria Geral do Estado”, afirma a nota.

Só piaba

De fato, quem não está acostumado, estranha. Três barulhentas operações em menos de um mês dentro do governo tiram o bom humor de qualquer um, ainda mais em plena campanha eleitoral.

Só que, enquanto o governo se porta como quem quer mandar prender a polícia e soltar o bandido, a observação que se faz é que nas redes dessas operações só caem peixes miúdos.