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Landim, o decano, luta para renovar o mandato

Fotos: Divulgação/Câmara dos Deputados

Deputado Paes Landim, decano da bancada federal do Piauí

 

O eleitor brasileiro se mostra indignado com a classe política, com justa razão. Os desapontamentos são muitos. Por conta disso, há uma sede de mudança e o risco é, na hora do voto apressado, a emoção falar mais alto que a razão, misturando-se alho com bugalho.

Nem todos os políticos são iguais. Dizendo de outro modo, nem todos os políticos são ruins. Há os que se dedicam à exaustão ao exercício do mandato em sintonia com os interesses da população e de seus Estados.

Do mesmo modo que não é correto consagrar nas urnas os que decepcionam, também não é justo punir com a derrota os que se esforçam para bem representar o povo.

Na era digital, não é tão difícil para o eleitor fazer uma consulta rápida sobre a vida pregressa dos candidatos. E mais fácil ainda é pesquisar sobre os que já exercem mandatos eletivos, para saber se eles merecem ou não o seu voto de confiança.

30 anos na Câmara

Entre os congressistas do Piauí, o deputado federal Paes Landim (PTB) é, seguramente, um dos que horam o mandato popular. Ele chegou ao parlamento em 1987, como membro da Assembleia Nacional Constituinte.

Está lá desde então, agora no exercício do oitavo mandato consecutivo de deputado e na condição de decano da bancada federal do Piauí.

Já são mais de 30 anos de sua vida que o deputado dedica ao parlamento.

Na Constituinte

Na Constituinte, tornou-se titular da Subcomissão do Poder Judiciário e do Ministério Público, da Comissão da Organização dos Poderes e Sistema de Governo e suplente da Comissão de Sistematização.

Durante a elaboração da Constituição, votou a favor da proteção ao emprego contra a despedida sem justa causa, da pluralidade sindical, do presidencialismo e da anistia aos micro e pequenos empresários.

Após a promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, passou a exercer somente o seu mandato ordinário e, nas várias legislaturas, tornou-se membro titular e suplente de várias comissões técnicas da Câmara e vice-líder de seu partido e de bloco parlamentar.

Os votos de Landim

Em 1992, ele votou a favor da abertura do processo para afastamento do presidente Fernando Collor.

Na mesma legislatura, manifestou-se a favor da criação do Fundo Social de Emergência (FSE) e votou contra o fim do voto obrigatório.

Em 2000, votou a favor da criação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Nas votações constitucionais do governo Lula, ocorridas em 2003, votou a favor da reforma da Previdência.

No recente episódio do impeachment da presidente Dilma Rousseff, votou contra.

Na tribuna

Paes Landim é um assíduo frequentador da tribuna da Câmara, abordando temas de relevância para o país. Suas bandeiras principais são as da educação, do meio ambiente e do Nordeste, com o Piauí sempre no centro de suas atenções.

A criação da Universidade Federal do Delta do Parnaíba, decorrente de uma luta iniciada em Brasília pelo então senador Mão Santa, é uma de suas últimas conquistas.

No parlamento brasileiro, é o maior defensor do Parque Nacional da Serra da Capivara e de políticas públicas vigorosas para o sertão.

Humanista e dotado de vasta cultura, é também uma voz que se levanta com frequência para enaltecer uma personalidade brasileira – viva ou morta – da política, da educação, da cultura, da religião ou do mundo dos negócios, destacando-lhe a contribuição à vida do país, em seu respectivo ramo de atuação.

Nunca se afastou um só dia do exercício de suas atividades parlamentares para ocupar outros cargos, o que atesta o seu zelo com o mandato, jamais colocado no balcão de negócios da política, e consequentemente o seu compromisso com a delegação popular recebida nas urnas.

Enfrentou de cabeça erguida os reveses da vida pública, sem manchar a sua biografia.

Empobrecimento

Enquanto no Brasil o que escandaliza é ver que muitos se enriqueceram na atividade pública, Landim é um dos poucos exemplos dos que fizeram o caminho inverso, como atestam suas declarações de bens.

Nos registros da imprensa, sobre o encolhimento de seu patrimônio, após o ingresso na política, destaca-se a informação de que não possui imóvel residencial em Teresina nem em Brasília nem em qualquer outro lugar. É um “sem-teto”.

Também não tem carro. Faz suas campanhas na base da carona ou de carros locados ou cedidos por amigos.

Em tom jocoso, a imprensa chega a apontá-lo como um dos raros casos de “empobrecimento ilícito na política”.

Sua biografia, porém, se enriqueceu extraordinariamente, na medida em que ele procurou dar o melhor de si para honrar o Piauí no exercício de seus mandatos.

Aos 80 anos, casado com a política e esperança perdida de muitas beldades casadoiras, ele está em busca de um novo mandato.