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PP, PSDB e Novo lavam as mãos com 2º turno

Todos reconhecem que o momento do país é grave. Mesmo assim, os partidos que não conseguiram chegar com seus candidatos ao segundo turno, mas que tiveram as melhores votações entre os derrotados, buscam a saída mais cômoda para a sucessão presidencial, que é lavar as mãos com a eleição do próximo dia 28.

Ontem, o PP, o PSDB e o Novo anunciaram posição de neutralidade no segundo turno. Ou seja, não vão apoiar nem o deputado Jair Bolsonaro (PSL) nem o ex-ministro Fernando Haddad (PT), os finalistas da eleição presidencial.

Em nota, o Progressistas, que formalmente apoio o tucano Geraldo Alckmin, indicando sua vice, afirma que "o eleitor quer tomar sua decisão sem que qualquer outro aspecto, que não os candidatos, sejam levados em consideração como critério de escolha".

A sigla destaca ainda que deseja contribuir com o futuro governo - o partido elegeu 37 deputados federais e cinco senadores.

Tucano vota no PT

O PSDB também anunciou posição de neutralidade. Segundo o seu presidente, Geraldo Alckmin, candidato derrotado à Presidência da República, a cúpula da sigla decidiu liberar os diretórios estaduais da legenda e os filiados para fazer a escolha que quiserem.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já se adiantou, no entanto,e declarou voto para o candidato do PT.

O Novo, do candidato Amôedo, uma das surpresas da eleiçao presidencial, também anunciou a decisão de manter a neutralidade. "O cenário presidencial no segundo turno não é aquele que desejávamos. Manteremos nossa coerência e nossa contribuição se dará através da atuação de nossa bancada eleita", informa o documento. 

O partido elegeu oito deputados federais, 11 estaduais e um distrital em sua estreia nas urnas.

Adesões a Bolsonaro

O DEM deve liberar o apoio individual de seus quadros aos candidatos. O partido presidido pelo prefeito de Salvador (BA), ACM Neto, não fará um anúncio formal de adesão.

Como o DEM, historicamente, faz oposição ao PT, a tendência é que a maior parte dos filiados com mandato e militantes do partido siga em campanha por Bolsonaro.

É o caso da líder da Frente da Agropecuária, Tereza Cristina (MS), de Onyx Lorenzoni (RS), coordenador da campanha de Bolsonaro à revelia do DEM, e do líder da bancada da bala, Alberto Fraga (DF), que perdeu a eleição para o governo do Distrito Federal.

O PTB anunciou apoio a Bolsonaro. "Acreditamos que Jair Bolsonaro trabalhará para que o nosso país volte aos trilhos do desenvolvimento social e econômico, e pela pacificação e união do povo brasileiro", informou a sigla em nota. O partido elegeu 10 deputados federais nas eleições de domingo.

O PRB reuniu ontem à noite a bancada de 30 deputados eleitos para definir a posição do partido no segundo turno das eleições presidenciais. A preferência da cúpula da legenda era apoiar Bolsonaro.

O partido é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, cujo líder religioso, o bispo Edir Macedo, declarou voto ao candidato do PSL.

O PRB foi uma das legendas conservadoras que mais cresceu, passando de 21 para 30 parlamentares, aumento de 42%. O partido estava aliado ao tucano Geraldo Alckmin.

Adesões a Haddad

O presidente do PDT, Carlos Lupi, disse que o partido deve anunciar o que está chamando de “apoio crítico” à candidatura de Fernando Haddad (PT).

O PSol, que concorreu à presidência com Guilherme Boulos, oficializou apoio ao petista.

O Solidariedade deve liberar seus integrantes, majoritariamente favoráveis ao candidato do PT. A executiva nacional do partido se reúne hoje em São Paulo para bater o martelo.

Por debaixo dos panos

Pela sua gravidade, o momento exige um posicionamento claro e firme dos líderes políticos. Eles precisavam dizer de que lado estão.

Quando tiram o corpo fora, dão ao eleitor a oportunidade de procurar um “novo” líder, à revelia deles, velhos políticos, velhos caciques e velhas raposas que, mesmo não dando as caras no segundo turno, por debaixo dos panos aguçam o apetite para o banquete dos eleitos