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Bolsonaro é uma criação da esquerda

Tantas você fez, que ela cansou

Porque você, rapaz

Abusou da regra três

Onde menos vale mais...

 

Lembrei-me destes versos da canção de Toquinho e Vinícius a propósito do clima de esquizofrenia que domina a esquerda brasileira, ante a iminente vitória do deputado federal Jair Bolsonaro para a Presidência da República.

O candidato do PSL foi o mais votado no primeiro turno, com uma diferença de 16% sobre o segundo colocado, o candidato do PT, Fernando Haddad. E já larga com 58% na primeira pesquisa de intenção de voto do Datafolha para o segundo turno, contra 42% de Fernando Haddad.

Pois bem! Bolsonaro não é tudo que se diz dele. Mas é quase tudo. Está há 30 anos no Congresso Nacional, com contribuição zero para a vida política do país.

É um nepotista de carteirinha, com três filhos pendurados em mandatos eletivos conquistados à sombra de seu prestígio popular. Um deles acaba de se eleger senador pelo Rio de Janeiro.

Ele é ainda defensor de um país militarizado e excludente.

Mãe da criança

O que não se diz é que Bolsonaro, com seus muitos e conhecidos defeitos, é um produto da esquerda. Sim, o candidato do PSL é criação genuína da esquerda brasileira.

A oligarquia partidária petista, ambiciosa e egoísta, desesperada para manter seus núcleos de poder, para traficar prestígio e azeitar negócios, produziu Bolsonaro.

Há um ano, ele não passava de um parlamentar do baixo clero, que só aparecia quando se metia em polêmicas histéricas e estéreis.

Mas, aos poucos, ele foi caindo no gosto do eleitor inconformado e indignado com a bandalheira que assolava o país. Um eleitor desconfiado de tudo e de todos.

O ex-presidente Lula, o manda-chuva do PT, e os demais líderes das esquerdas, subestimaram os milhares de brasileiros contrários a eles. E ficaram prendendo a bola da sucessão indeterminadamente com uma candidatura fake, falsa, impossível, que era a dele, Lula, condenado, preso e enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

Monstro das urnas

Em um dado momento, o candidato do PSL canalizou e catalisou todo o sentimento de revolta contra o PT, a esquerda e o sistema político como um todo. Disso resultou o Bolsonaro que aí está, com um pé no Palácio do Planalto.

A construção desse Bolsonaro, esse novo monstro das urnas, não foi, porém, uma tarefa única e exclusiva do PT. Trata-se de uma obra coletiva.

Os aliados do Partido dos Trabalhadores, e até partidos situados no outro lado da rua, como o PSDB e outras legendas do carcomido sistema político brasileiro, participaram ativamente da empreitada.

E, como nos versos de Toquinho e Vinícius, tantas fizeram, tanto abusaram, que o povo cansou... E foi em busca de outra alternativa, ainda que não seja a ideal nem a melhor. O eleitor tem o direito de errar. A esquerda não tem mais.

Então, agora não adianta mais chorar sobre o leite derramado. A vitória de Bolsonaro é irreversível, a não ser que um fato extraordinário mude, brusca e radicalmente, de uma hora para outra, a rota das urnas e o curso da história.

Todos os que aí estão gritando contra Bolsonaro estão simplesmente colhendo o que plantaram.