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Do direito de sonhar

Reprodução: Cidadeverde.com

Bolsonaro e Haddad, os finalistas da eleição presidencial

 

Que Brasil sairá das urnas de hoje? Esta é uma indagação que ronda a cabeça de quem acompanha com interesse os passos do país. E o deste domingo será um dos passos mais decisivos, com a escolha do novo presidente da República.

Dois candidatos, representando dois campos antagônicos, estão na disputa. Um, Fernando Haddad (PT), carrega nas costas as virtudes e as misérias de um partido que promoveu a inclusão social e, em sua sanha de poder, chafurdou na lama e conseguiu dividir a nação ao meio, após 13 anos de mando.

Ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, é um gestor arejado, com admirável formação acadêmica. Um político que preza o diálogo. Ele tem se mostrado muito melhor que o seu partido. Daí ter sido o que mais recebeu adesões e apoios dos adversários no segundo turno.

Antitudo

O outro candidato, Jair Bolsonaro, não tem partido. Está circunstancialmente filiado ao PSL (Partido Social Liberal), depois de transitar por dez siglas partidárias, em seus 30 anos de mandatos parlamentares. Militar reformado, é odiado pelos que amam o PT, em função de suas posições polêmicas e de seu estilo bala na agulha.

O primeiro deslanchou na campanha como substituto do ex-presidente Lula, líder máximo do PT que foi trancafiado em Curitiba pela Lava-Jato. Fez o dever de casa e conseguiu uma vaga no segundo turno.

Já o segundo candidato, que encabeça as pesquisas de intenção de voto, explodiu na preferência do eleitor por incorporar e explorar habilmente os sentimentos de revolta contra o PT, de indignação com a corrupção e de rejeição ao sistema político que aí está. Foi empurrado para frente também por uma violenta facada que quase lhe tira a vida.

Não tem experiência administrativa, porém não é um neófito em política. Conhece as regras do jogo. No primeiro turno, sua onda amarela elegeu em todo o país parlamentares que conseguirão piorar extraordinariamente o que já é muito ruim – o Congresso Nacional.

Sonhos e fantasmas

São estas, pois, as opções que o Brasil separou para a eleição de hoje. O país volta às urnas com os nervos à flor da pele. Na campanha, os dois lados em confronto se lançaram mutuamente os mais virulentos ataques.

De certa forma, esse radicalismo tirou o foco do que deveria ser a preocupação central do debate: qual é a saída para o país, diante de seus inúmeros e graves problemas?

Nos regimes democráticos, os eleitores podem expressar nas urnas os seus sentimentos mais pulsantes. Também os seus sonhos mais nobres.

A campanha mostrou que, nestas eleições presidenciais, o Brasil abriu mão do direito de sonhar para reviver seus fantasmas.