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PT vira um Arenão

 

Na eleição presidencial de domingo passado, o PT escapou no Nordeste. O candidato da sigla à presidência da República, Fernando Haddad, ganhou com folga apenas nos nove Estados da região. Em mais dois, Pará e Tocantins, venceu com diferença apertada. Nos demais, foi derrotado.

Em São Paulo, o seu berço e sua principal base, o Partido dos Trabalhadores perdeu feio. O candidato Fernando Haddad obteve apenas 32% dos votos, contra 68% de Jair Bolsonaro, do PSL.

Os petistas sofreram derrotas fragorosas ainda em Minas (58% a 41%) e Santa Catarina (76% a 24%).

O Estado que deu a maior vitória, proporcionalmente, para Bolsonaro foi o Acre, antigo e tradicional reduto do Partido dos Trabalhadores.

Lá, Haddad conseguiu ontem apenas 23% dos votos, contra 77% de Bolsonaro.

Um levantamento do jornal O Estado de São Paulo indica que, entre os mil municípios brasileiros com os maiores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), Bolsonaro venceu em 967, enquanto Haddad conquistou 33.

Já nas mil cidades brasileiras menos desenvolvidas, Haddad ganhou em 975 e Bolsonaro em apenas 25.

Nas eleições passadas, o PT fez quatro governadores no Nordeste (Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte) e comemorou a eleição de cinco aliados – dois do PSB (Paraíba e Pernambuco)), um do MDB (Alagoas), outro do PCdoB (Maranhão) e um do PSD (Sergipe).

Fuga para os grotões

Com a chegada ao poder, em 2002, na primeira eleição de Lula, aos poucos o PT foi perdendo força eleitoral nas metrópoles, que eram sua base.

Os tradicionais eleitores do partido se desgarraram dele, nessas regiões, em função de alianças, concessões e outras atitudes petistas que os contrariaram e os desapontaram.

O PT recompôs essas baixas investindo politicamente nos chamados grotões, as regiões mais pobres do país.  

No Nordeste, uma dessas áreas, o partido se fez forte com as políticas de inclusão social, especialmente com o Bolsa Família, que se transformou no maior cabo eleitoral dos petistas na região.

Nasce um novo Arenão

A eleição deste ano passará a gestão do programa às mãos de um populista de direita, Jair Bolsonaro. Ele terá em mãos todas as armas para invadir e destroçar os últimos redutos do PT nas próximas eleições.

Em resumo, a eleição presidencial deste ano reduziu o PT a um partido do Nordeste.

Foi em um partido político de expressão apenas nordestina que se transformou a toda poderosa Arena. Era a sigla de sustentação do governo militar e chegou a ser chamada até de “o maior partido do Ocidente”.

Depois, a Arena virou PDS, igualmente chapa branca, mas com influência restrita ao Nordeste. A seguir, o PDS virou PFL, também com peso apenas na região.

E, por último, o PFL, neto da Arena e filho do PDS, sendo apenas um partido do Nordeste, virou pó!

O PT de hoje é aquele Arenão de ontem.

(A coluna deixa de ser atualizada pelas próximas duas semanas, em função das férias do titular)