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A facada do ministro no Sistema S

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, chega ao posto procurando briga. Ele criticou na segunda-feira o Sistema S, formado por entidades empresariais e que se dedica, entre outras atividades, ao ensino profissionalizante no país.

A uma plateia de empresários reunidos na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o futuro ministro atacou os custos do sistema, que são bancados por recursos das empresas e não do governo. Elas desembolsam 2,5% do valor da folha de pessoal para manter o sistema.

Em linguagem inadequada Paulo Guedes afirmou que “tem que meter a faca no Sistema S”. E condicionou os eventuais cortes à cara dos interlocutores: “Se o interlocutor é inteligente, preparado e quer construir, corta 30%. Se não, corta 50%”.

A reação

As declarações do futuro ministro da Economia provocaram reações no Senado. O senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) voltou a cobrar transparência quanto aos recursos movimentados pelas organizações que compõem o Sistema S — Sesc, Senac, Sesi e Senai, entre outras siglas.

As atividades do Sistema S visam à prestação de serviços considerados de interesse público, como aperfeiçoamento profissional e bem-estar social dos trabalhadores, além de atividades culturais.

Já o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) disse que o Sistema S tem um serviço prestado ao país na formação de mão de obra.

Ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o senador Armando Monteiro (PTB-PE) defendeu o sistema, o qual estaria, segundo ele, sujeito a aperfeiçoamentos e correções como qualquer instituição privada. Ele também classificou de “imprópria, na forma e no conteúdo”, a declaração do futuro ministro Paulo Guedes.

O senador Romero Jucá (MDB-RR) defendeu que é preciso aprimorar os gastos públicos e destacou que a forma de atuação do Sistema S não impacta diretamente o Orçamento e o teto de gastos públicos.

Tecnologia

Já o senador Walter Pinheiro (sem partido-BA) destacou a atuação do Sistema S na Bahia, lembrando que o setor de telecomunicações tem discutido com as instituições que o compõem temas ligados ao funcionamento de tecnologia da informação.

O senador Jorge Viana (PT-AC) disse que o tema interessa a todos e que o Brasil precisa discutir o Sistema S que, há décadas, mobiliza recursos públicos e executa trabalhos importantes em todos os cantos do país. Ele também destacou o avanço da tecnologia e avaliou que o sistema tem que ser adequado aos novos tempos.

Desinformado

No Piauí, o vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio, Valdeci Cavalcante, presidente regional do Sesc/Senac rebateu duramente as declarações do futuro ministro da Economia.

Ele garantiu ontem em entrevista à Rádio Cidade Verde FM 105.3 que o ministro está muito mal informado sobre o Sistema S e afirmou que todo o sistema é fiscalizado pelo tribunal de Contas da União, a Controladoria Geral da União e o Ministério Público.

Paulo Guedes não é a primeira autoridade que se rebela contra o Sistema S. Também não será a última a se sujeitar a cortar a própria língua por enfrentar atabalhoadamente o sistema.

De fato, o Sistema S tem se mostrado um feudo de muitos empresários, mas também se notabiliza por ser bem articulado e com grande inserção social em todo o país, fazendo ao longo de seus 70 anos de existência um trabalho que o governo, com todo o seu gigantismo, não faz.

(Com informações da Agência Senado)