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Falta uma política para a seca no Nordeste

Foto: Cidadeverde.com

O presidente diplomado Jair Bolsonaro agitou as águas paradas da discussão sobre a seca no Nordeste com o anúncio de mandar o seu ministro da Tecnologia a Israel, com a missão de trazer para o Brasil as tecnologias da dessalinizacão da água.

Na mesma viagem, o novo ministro vai também conhecer e importar tecnologia para a captação da água através do ar, para implantação, sobretudo, na região nordestina.

A polêmica em torno do assunto se acendeu porque o Nordeste já pratica a dessalinização, através do Projeto Água Doce, implantado em 2004 pelo Ministério do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos.

Assim, não seria necessário o novo presidente mandar um ministro a Israel para conhecer uma tecnologia que já existe por aqui.

Uma piada

Acontece que, conforme os críticos dos críticos da proposta do presidente, a tecnologia utilizada atualmente no Brasil para dessalinizar a água, além de cara, não tem escala.

Isto é, o que existe por aqui é tecnologia de aguadas e pequenas cisternas. Coisa de pequenos galinheiros.

Para o ex-superintendente da Sudene, Luiz Gonzaga Paes Landim, por exemplo, “é risível o falar-se em dez sistemas de dessalinização no Piauí.”

Segundo ele, “a nossa dita fronteira do cristalino se estende das divisas do Ceará, ao Norte, até a Bahia, no extremo Sul. Só na região de São Raimundo e São João cerca de 150 mil pessoas ou mais bebem água pesada ou de péssima qualidade.”

Corrupção

O ex-superintendente escreve, ainda, à coluna:  “Ora,ora não me venha com coisinhas pontuais. Se a sede dos humanos não recebe bom tratamento, imagine a dos rebanhos, afetando sua produtividade, que é baixa.”

Por fim, ele escreve: “Ademais, como essas ações tipo Água Boa não ensejam a ladroagem em larga escala de propinas e comissões, governo nenhum se interessa efetivamente por elas. Tudo é faz de conta. Aí o apelo às grandes obras: transposições, barragens e aí já sabemos no que dá: obras paralisadas, imensos armazéns de água para nada, sem nenhum impacto na produção agrícola e na economia. A tecnologia existe. E daí? Nunca foi utilizada.”

Testada e aprovada

Na visão dos que abraçam a ideia do novo presidente, a tecnologia já existente em Israel para o problema da escassez de água seria mais barata e mais abrangente.

Ou seja, o novo presidente estaria pensando em tecnologia de larga escala, já testada e aprovada. .

O fato, porém, é que o Nordeste não venceu esse secular problema da falta de água, mesmo chovendo muito por aqui e com muita água acumulada no subsolo.

Enquanto isso, Israel, com pouca água, está anos-luz à frente do Brasil nessa questão.

O debate está lançado.