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Bolsonaro, a novidade de 2018 na política

Foto: Agência Brasil

Bolsonaro, a surpresa da eleição presidencial

 

Qualquer balanço da política brasileira, relativo a este ano, vai indicar como fato principal a eleição presidencial. E, dentro dela, a vitória do deputado federal Jair Bolsonaro e a consequente derrocada do Partido dos Trabalhadores, do PSDB e do MDB nas urnas.

Bolsonaro se elegeu de forma surpreendente e inédita. Até seis meses antes da eleição, poucos apostavam suas fichas na vitória do candidato do PSL. Tanto que os partidos tradicionais fizeram tudo para se manterem distantes dele.

Vice do barulho

Assim, Bolsonaro foi para a campanha praticamente só. Apenas o PRTB se aliou ao PSL, talvez até por falta de opção. A escolha do seu vice também foi suada. A barulhenta advogada Janaina Paschoal, a musa do impeachment, não quis ser companheira de chapa do capitão.

O senador Magno Malta (PR), outra opção para vice de Bolsonaro, não quis arriscar a renovação de seu mandato, que considerava favas contadas, em troca de uma eleição incerta. Resultado: acabou perdendo as duas – a reeleição e a cadeira de vice-presidente.

Por exclusão, o general Hamilton Mourão acabou sendo o vice de Bolsonaro. Aí, como costumava repetir o ex-senador Freitas Neto, referindo-se naturalmente a outras situações, “a roda maior entrou na menor”, pois um general do Exército acabou vice de um capitão da mesma arma militar.

Essencialmente, o papel do vice, quando não pode somar, é não atrapalhar o cabeça de chapa. Com o general Mourão aconteceu o contrário: ele mais atrapalhou do que ajudou o candidato a presidente, com suas intervenções e declarações polêmicas na campanha.

Palanque e atentado

Outro detalhe da eleição de Bolsonaro é que ele se elegeu sem palanque eletrônico. Ou seja, sem o marketing eleitoral tradicional, com generoso espaço no rádio e na televisão. O PSL dispunha de apenas 8 segundos nos horários reservados à propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV.

Até a campanha de rua do candidato foi irremediavelmente prejudicada, quando ele se viu vítima de um atentado que quase lhe tira a vida. Um celerado o atingiu com uma facada mortal no abdômen, durante um ato político no interior de Minas.

O criminoso foi imediatamente preso, porém até hoje o crime não foi devidamente esclarecido. As investigações ainda estão em andamento, a cargo da Polícia Federal.

Candidato sofre atentado a faca durante a campanha

Mídias sociais

Depois de agonizar entre a vida e a morte, o candidato do PSL centrou fogo nas chamadas redes sociais. Daí passou ao segundo turno em primeiro lugar, com larga vantagem sobre o principal concorrente, o ex-ministro Fernando Haddad (PT), e correu para o abraço.

Seu apelo popular, que incendiou as massas, foi mais forte que a pesada campanha lançada contra ele pelos adversários e também pela chamada grande mídia.

Tchau, PT!

A vitória de Bolsonaro encerra o ciclo do PT no poder, iniciado com a eleição de Lula, em 2002, continuado com a reeleição dele, em 2006, e consoliddo com as duas vitórias de Dilma Roussef, em 2010 e em 2014, respectivamente, mas interrompido pelo impeachment, em 2016. As lideranças do partido sonhavam, no entanto, em dar a volta por cima através das urnas.

Para desgosto delas, o Brasil, pela maioria esmagadora de seus eleitores, disse através do voto que basta de PT!

O governo Bolsonaro é uma incógnita. O novo presidente sinaliza que, como fez diferente na campanha, vai fazer diferente também no poder.

Se vai conseguir, só o tempo dirá.