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Osso duro de roer

Um dia, aí por volta das 7 horas da manhã, eu recebo uma ligação do então governador Wilson Martins. Não lembro se ele me deu bom dia. Lembro perfeitamente que, do outro lado da linha, ele disparou ao meu ouvido:

- Você não vê nada de positivo no meu governo?

Sai me desviando como pude daquele inusitado telefonema. O governador Wilson Martins não era, afinal, o primeiro político que me botava contra a parede.

A diferença é que ele tinha liberdade para isso, pois fomos juntos secretários do prefeito Wall Ferraz, ele de Saúde e eu de Comunicação.

E desde então mantivemos um bom relacionamento pessoal e profissional.

Não custa reconhecer, porém, que eu fazia por merecer uma ligação daquelas.

Quanto mais rezo...

Muito bem! Esse nariz de cera, como no jornalismo se chamam os textos prolixos, é para dizer que estou para receber uma ligação idêntica do governador Wellington Dias com a mesma indagação:

- Rapaz, você não vê nada de positivo em meu governo?

Sim, Wellington é outro que tem liberdade comigo para fazer esse tipo de abordagem. Entramos no sindicalismo ao mesmo tempo, ele presidindo o Sindicato dos Bancários do Piauí e eu, o dos Jornalistas. E fizemos muitas caminhadas juntos. Depois, cada um tomou o seu rumo.

Talvez ele não tenha dado uma de Wilson porque avaliou que possivelmente sua atitude pudesse ser entendida como uma tratorada ou porque ela não iria mudar muito a situação.

O fato é que, quanto mais me esforço para não pegar no pé do governador, mais ele se esforça para me dar serviço, de bandeja.

Ou, como se diz em Água Branca ou em Paes Landim: quanto mais rezo, mais assombração me aparece.

Inchaço da folha

Então, vamos direto ao ponto: na primeira semana de seu quarto mandato, o atual governo alardeia que as contratações de pessoal deverão passar pelo crivo da Secretaria de Administração.

Ou seja, de agora em diante, todas as nomeações serão centralizadas na Secretaria de Administração.

Mais: o gestor que precisar de nomeação vai ter que justificar, mandar o pedido.

Ora, isso é do beabá da administração, é medida para começo de governo, isto é, para o governador que põe os pés no Karnak pela primeira vez.

Já no quarto mandato, Wellington está para afundar o caminho do palácio.

Estranha, pois, que o Estado não tenha tomado essas providências lá atrás.

Governo cavou o buraco

Certamente está aí, nessa liberdade para o gestor contratar ao seu bel prazer, um dos motivos para o desajuste financeiro do Estado.

Não há governo no mundo que controle as suas despesas em uma situação dessas, com apenas um secretário arrecadando e os demais gastando, sem limites.

Até então, imaginava-se que a crise econômica seria responsável pela penúria financeira do Governo do Piauí.

Mas, enfim, é isso: o próprio governo cavou esse buraco no qual está metido, com o funcionalismo pago, mas devendo a Deus e ao mundo e sem um tostão para investimento!