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Prefeitura oferece salário de 1.600 a médico

Oportuna e necessária a nota de repúdio do Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI), contra a proposta salarial lançada pela Prefeitura de Floriano, no edital de concurso publicado na quarta-feira passada, para contratação de profissionais de saúde e de outras categorias. O salário oferecido ao médico é de R$ 1.675,00.

Além de protestar contra o salário aviltante, o Conselho recomendou que os médicos não participem do concurso: “O CRM-PI recomenda aos médicos que não aceitem ofertas de emprego e plantões médicos e nem se submetam a concurso público cuja remuneração se encontre bem abaixo da média dos valores praticados”, diz nota divulgada no site do Conselho.

A recomendação traz em anexo a parte do edital do concurso que mostra, além do vencimento básico para a área de medicina, os requisitos necessários e carga horária exigida.

No edital, estão sendo ofertadas 13 vagas para a área de Medicina; uma dessas é reservada para médico plantonista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O piso salarial da Federação Nacional de Medicina (Fenam) é de R$ 14.134 por 20 horas semanais.

O Programa Mais Médicos paga um salário de R$ 11.865, a título de bolsa-formação, para o trabalho semanal de 32 horas de atividades nas unidades básicas e mais 8 horas de atividades acadêmicas.

Já o Governo do Estado paga ao médico  salários que variam de R$ 7.914 a R$ 11.982 por uma jornada semanal de 20 horas.

Coren protesta

O Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) também repudiou os baixos salários destinados aos profissionais de enfermagem em concursos promovidos pelas Prefeituras de Floriano e Parnaíba. O salário oferecido ao enfermeiro é de R$ 1.605, mais gratificação.

Segundo o Conselho, a remuneração oferecida não corresponde ao valor correto de um salário justo e digno, e desvaloriza os profissionais de enfermagem, não subsidiando uma vida digna a esses.

É com salários desse nível, porém, que as duas prefeituras pretendem atrair profissionais de saúde qualificados para seus quadros. Tais propostas são, antes de tudo, uma falta de compromisso com a saúde e um desrespeito às duas profissões.