Cidadeverde.com

Quem tem mais chance no Enem

Todas as atenções estão voltadas nestes dias para os resultados do Enem. E não é para menos. O Exame Nacional do Ensino Médio é a principal porta de entrada ao ensino superior no Brasil.

Todos os anos, milhões de candidatos participam da prova. Mas as condições de competição entre eles não são exatamente iguais.

É o que mostra um levantamento do jornal O Estado de São Paulo publicado no site do Movimento Todos pela Educação.

O estudo lembra, em primeiro lugar, que, quanto melhor a condição socioeconômica do estudante, maior é a sua possibilidade de obter boa nota no Enem.

O levantamento mostra que o exame traz um imenso desafio para todos. São 180 questões objetivas (de Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas), divididas em dois domingos, além de uma prova de redação.

Contrastes

Mas os obstáculos a serem superados para se dar bem na prova são muito diferentes para cada aluno, enfatiza o estudo.

Condições como renda familiar do candidato, o tipo de escola – se pública ou privada – em que estudou e até se ele tem ou não internet em casa estão, quase sempre, ligadas a ter um bom ou mau desempenho.

Isto não significa, claro, que viver na pobreza ou na falta de estrutura é determinante.

Mas que esses fatores – boa escola e boas condições familiares – são muito relevantes para o sucesso dos alunos

Este contraste é evidente quando são incluídos na comparação os candidatos com as melhores condições socioeconômicas possíveis.

É justamente neste grupo que se concentram as notas mais altas.

Disparidade

Ao comparar os estudantes de cada grupo que tiveram pontuação entre as 5% melhores notas de toda a prova, o estudo concluiu que:

- 1 a cada 4 alunos do grupo com melhores condições socioeconômicas está nos 5% com melhores notas.

- 1 a cada 600  alunos do grupo com piores condições socioeconômicas está entre os 5% que obtêm as notas mais altas.

Isto significa que alguns alunos, ainda que em condições socioeconômicas ruins e escolas sem a melhor infraestrutura, superaram barreiras e atingiram notas típicas de colégios de elite.

Mas… Quantos?

A pesquisa do Estadão descobriu um pequeno grupo de apenas 293 alunos que estudaram em situações extremamente desfavoráveis e contrariaram as estatísticas. Isto é, ficaram entre os milhares de melhores do país.

Os dados são relativos ao Enem do ano passado e explicam por que o governo se esforça para fazer tanta propaganda com os alunos da rede pública que tiram boas notas no exame.

Como diria o antigo cronista, durma-se com um barulho desses!