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Um velho com pinta de novo

Foto: Geraldo Magella/Agência Senado

Davi Alcolumbre, novo presidente do Senado

 

A ser verdadeira uma nova leitura que se faz da derrota do senador Renan Calheiros (MDB), na eleição para a renovação da Mesa Diretora do Senado, no sábado, o plano orquestrado e operado pelo Palácio do Planalto para impedir a volta dele ao comando da Casa terá sido mais sofisticado do que se imagina.

A nova leitura avalia que Renan Calheiros renunciou à disputa, no meio do combate, para não ficar marcado como o antigoverno no Senado. É que o filho dele governa Alagoas e, se não se cuidar, evitando confrontos com o Planalto, Renan e família perdem a base para a oposição local.

A Presidência do Senado, no final das contas, seria um mero instrumento de barganha para levar benefícios ao governo de seu filho, via governo federal.

O Planalto terá avaliado, então, que Renan Calheiros, cria do MDB, uma confraria louca pelo poder ou pela proximidade dele, ficará quieto em seu canto ou no máximo jogando para a plateia, sem se arriscar a uma posição mais ousada contra o governo Bolsonaro.

Cara nova

O plano do Planalto é sofisticado também porque passa a ideia de que houve mudança e renovação no Senado. O novo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), de 41 anos, se elegeu senador em 2014 com 131.625 votos, ou seja, 36,26% da votação.

Nas eleições de 2018, foi candidato a governador e obteve 94.278 votos, isto é, apenas 23,75% do total, ficando em 3º lugar. Agora é premiado com a presidência do Senado e apresentado à nação como novo.

Ora, o senador Davi Alcolumbre é filiado ao DEM, ex-PFL, filho do PDS e neto da Arena, um partido que sucumbiu pelo seu fisiologismo e pelo seu clientelismo.

O comando do Senado deixou de ser exercido por um velho e endiabrado cacique político, mas o novo presidente não representa o novo. Nem de longe.

Importa, no entanto, que ele tenha pulso para conduzir no Senado o processo para implementação das reformas inadiáveis, como a da previdência e a tributária.

Estas, como a desburocratização, dependerão de forte liderança dos presidentes do Senado e da Câmara para serem efetivadas.