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A lição de Ricardo Boechat

Foto: Estadão

Jornalista Ricardo Boechat: morte trágica aos 66 anos

 

O jornalismo brasileiro sofreu ontem um duro golpe, com a trágica morte do jornalista Ricardo Boechat. Ele morreu no início da tarde, em São Paulo, aos 66 anos de idade.

O helicóptero em que ele viajava caiu na Rodovia Anhanguera, e bateu de frente com um caminhão que transitava pela via. Morreram também o piloto e o copiloto.

Ricardo Boechat era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM, além de colunista da revista IstoÉ.

Ele tinha um dos currículos mais completos da imprensa brasileira. Iniciou-se no jornalismo em 1970 e, desde então, trabalhou nos jornais “O Globo”, “O Dia”, “O Estado de S. Paulo” e “Jornal do Brasil” e foi comentarista no Bom Dia Brasil, da TV Globo.

Premiações

Por três vezes, ganhou o Prêmio Esso, o mais importante do jornalismo brasileiro.

Era também o recordista de vitórias no Prêmio Comunique-se – e o único a ganhar em três categorias diferentes (Âncora de Rádio, Colunista de Notícia e Âncora de TV).

Sua trágica e inesperada morte vem sendo lamentada por quantos conheceram de perto o profissional e o cidadão.

O valor da crítica

O jornalista Gilberto Dimenstein, por exemplo, lembra que Boechat “era de uma geração de que migrou da imprensa escrita e aprendeu os códigos do rádio, da TV e da internet, sempre mantendo o valor da independência.” E acrescenta:

“Não era um rostinho bonito no ar. Mas alguém que sabia o valor da notícia e como interpretá-la com rapidez. Sabia encarnar e compartilhar a indignação.”

Pressões

De fato, eram essas características que faziam de Boechat um jornalista diferente e acreditado.

Não era um falastrão, desses que ficam por aí cuspindo lições de moral aos microfones, em busca de audiência e fama fáceis. Tinha conteúdo e rigor na apuração dos fatos e na exposição de suas ideias.

Ele se tornou o âncora mais influente do jornalismo brasileiro da atualidade justamente pelo seu preparo técnico-profissional e pela sua capacidade de resistir às pressões dos representantes e adeptos dos polos que dividiram ideologicamente o país em dois.

Que o seu exemplo inspire outros profissionais do jornalismo que acreditam em uma imprensa verdadeiramente livre e em um país democrático!