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Muita farofa e pouca linguiça

É cedo para exigir do governo Bolsonaro soluções para os graves problemas do Brasil. Essas soluções não aparecerão em um passe de mágica. Elas exigirão muito esforço e tempo.

Mas é tempo para cobrar que o governo comece a trabalhar, que inicie o encaminhamento de soluções para esses problemas.

Até aqui o presidente não tem dado sinais claros de que está efetivamente empenhado em tirar o Brasil da crise, fazer as reformas necessárias e recolocar o país no trilho do desenvolvimento.

Ele tem preferido ocupar o seu tempo com mimimi através das mídias sociais, como se ainda estivesse em campanha. Ou como se não tivesse uma dura agenda de governo a cumprir.

Ou, ainda, por outro lado, como se, com essas pirotecnias, o governo tentasse desviar a atenção do país para problemas como o ‘laranjal’ do partido do presidente, o desentrosamento da equipe governamental e a própria inércia do governo.

Má vontade

É evidente a má vontade contra o governo Bolsonaro, como é evidente também a grande a torcida para que ele não acerte.

Tudo o que o presidente diz ou faz vira polêmica, às vezes, sem o menor sentido.

Mas é evidente, do mesmo modo, a falta de movimento do governo para entabular as mudanças esperadas pelo país.

Bolsonaro foi eleito ao apresentar uma agenda que vai dos costumes ao combate à criminalidade e à corrupção, além da liberalização da economia, passando pelo enxugamento do Estado.

Tudo isso depende do Congresso Nacional, onde o presidente não tem liderança. Ele passou quase 30 anos por lá, como deputado federal, e não chegou nem ao Baixo Clero. Ficou isolado.

Agenda

O governo já deu alguns passos para frente, como a redução da máquina, com a diminuição de ministérios, através da extinção e fusão de pastas.

Também deu um freio brusco na política do ‘toma lá, dá cá’.

E mandou para o Congresso um pacote anticrime e também a proposta de reforma fatiada da Previdência. No mais, é muita farofa e pouca linguiça.

As duas propostas estão paradas no parlamento, por falta de articulação política do governo para que elas andem, sejam discutidas e votadas.

Se o presidente não aproveitar para aprovar as mudanças enquanto a sua popularidade está em alta e a sua caneta bic tem tinta, dificilmente ele conseguirá emplacar as reformas depois.

Então, o governo precisa ter foco, definir uma agenda e centrar fogo para que as mudanças aconteçam, a partir de um diálogo com o Congresso.

Não dá para governar uma nação como o Brasil pelas mídias sociais, um espaço no momento pouco propício ao entendimento e mais parecido com uma praça de guerra.