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Governadores se armam contra Bolsonaro

 

 

Os governadores dos nove Estados nordestinos assinaram ontem o protocolo que cria o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (Consórcio Nordeste).

A assinatura do documento ocorreu durante o Fórum de Governadores do Nordeste, realizado ontem em São Luís. Antes, os governadores se reuniram a portas fechadas, no Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão, para discutir pontos estratégicos do Consórcio.

Segundo o documento, o Consórcio Nordeste vai atuar em dez pontos principais, nas áreas econômica, política, infraestrutural,  educacional, segurança pública e de meio ambiente, entre outras.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), foi escolhido como primeiro presidente do Consórcio, com mandato de um ano.

Os governadores também assinaram uma carta conjunta que fala sobre o consórcio e também dá o posicionamento da região sobre temas em debate no Congresso Nacional, como a Reforma da Previdência e mudanças no Estatuto do Desarmamento.

Cadê o Matopiba?

Há motivos de sobra para não se acreditar na boa intenção dos governadores com essa iniciativa. E há mais motivos, ainda, para não se acreditar na eficácia dela.

Não faz muito tempo, foi criado, com muita badalação e o aplauso dos governadores, outro tipo de consórcio regional chamado Matopiba, envolvendo os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

O Matopiba foi lançado com metas ambiciosas e como uma promessa governamental de um grande salto no desenvolvimento dos quatro Estados.

Apenas três anos se passaram desde o lançamento do projeto, pela presidente Dilma Rousseff, e já não se fala mais nele.

Os próprios governadores que hoje se dizem preocupados com o desenvolvimento da região - todos eles reeleitos - ajudaram a enterrá-lo, com o seu silêncio cúmplice diante da falta de interesse do governo federal para tocar o projeto.

Palanque

Ora, se os governadores nordestinos estivessem efetivamente preocupados com o desenvolvimento de sua região, estariam brigando era pelo fortalecimento da Sudene, da Codevasf e do Dnocs, três agências que têm políticas articuladas para o Nordeste, fruto de muita pesquisa, estudo e expertise. Ainda mais agora, quando o governo federal promete dar uma condução técnica a esses órgãos.

O Consórcio criado ontem em São Luís não passará, portanto, de um palanque para os governadores, que se esforçam para demostrar ao governo Bolsonaro que o Nordeste está politicamente unido e coeso.

De fato, dos nove governadores nordestinos, quatro pertencem ao PT, um ao PC do B e dois outros do PSB – legendas satélites do Partido dos Trabalhadores. Outro é do MDB petista e outro é do PSD.

No fundo, todos querem fazer ver ao presidente que têm panos pras mangas e peso no Congresso para influenciar em votações como a da reforma da Previdência.

Com seus Estados quebrados e de pires na mão, porém, esse é o tipo da pressão que promete não fazer nem cócega em Bolsonaro.