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Que país é este?

Os analistas políticos mais perspicazes no máximo darão palpites, muitos deles desencontrados, mas não serão capazes de oferecer uma leitura real sobre o Brasil de hoje.

Não é para menos. A trama política encenada é de deixar qualquer um tonto. E mais difícil que interpretar com alguma precisão o Brasil de agora é arriscar algum palpite sobre o amanhã.

Vamos examinar alguns fatos apenas deste ano. O presidente Jair Bolsonaro tomou posse depois de vencer a eleição como um antipetista. Ele encarnou a verdadeira oposição do país, lutando sozinho contra tudo e contra todos.

Porém, em pouco mais de dois meses, sem que ninguém lhe faça oposição, ele perde 15 pontos de aprovação entre seus eleitores. Caiu de 49% para 34%. Não há registro de algo semelhante na história recente do país. É como se o carro zero que vai fazer uma longa viagem se avariasse logo na partida. Tem conserto, mas perde tempo e atrasa a viagem.

A questão é que o país tem pressa para fazer as reformas necessárias e buscar a retomada de seu crescimento econômico. Sem essas reformas, o governo fica só nas firulas. Mas tais reformas só podem ser feitas através do Congresso, que, por pior que possa ser ou parecer, é tão legítimo quanto o governo do presidente, pois é fruto também do voto popular.

O governo manda os primeiros pacotes da reforma para o Congresso e não se mexe. Quem sabe espera que eles se aprovem sozinhos, por decurso de prazo, como na ditadura.

Diante de sua própria inércia, passa a criticar os parlamentares e, por fim, a hostilizá-los, através das redes sociais, o espaço de sua militância endiabrada.

Nesse cenário, é difícil saber o que virá, mas é fácil prever-se que as reformas não passarão.

E o país, já tão sacrificado por sucessivas e graves crises, que pague mais este preço!