Cidadeverde.com

Sem pagamento, construtora deixa obra de duplicação da BR-316, na saída Sul de Teresina

Foto: Divulgação/CCom

DER faz operação de emergencia na BR-316, em Teresina

 

A obra de duplicação da BR-316, na saída Sul de Teresina, que já se arrasta há mais de sei anos, vai demorar um pouco mais para ser concluída.

A Construtora Sucesso, vencedora da licitação para tocar a duplicação, em um trecho de 8 quilômetros, decidiu romper o contrato com o Governo do Estado. Os serviços seriam retomados no final deste mês.

O Departamento Estadual de Estrada de Rodagem (DER) está analisando o pedido de rescisão do contrato e a convocação de outra empreiteira para retomar a obra.

A informação foi dada ontem pelo diretor geral do DER, Castro Neto, à Rádio Cidade Verde, ao falar sobre a operação do órgão para recuperar o trecho mais crítico da estrada, que é federal, mas está delegada ao Governo do Piauí, para fazer a duplicação.

Ele disse ainda que 2018 foi um ano complicado no campo das finanças e que o Piauí recebeu com atraso recursos federais destinados a investimentos.

O diretor do DER informou que a construtora está pedindo a rescisão do contrato alegando a falta de um pagamento anterior, que não foi feito em função da dificuldade financeira do Estado.

Castro Neto está esperançoso, porém, que a obra seja retomada em maio, ou com a volta da Sucesso ou a convocação da empreiteira colocada na posição seguinte.

Serviço emergencial

Quanto ao serviço de emergência autorizado pelo DER, o diretor explicou que foi providenciado um desvio do tráfego, de modo que a pista esburacada possa ser recuperada até amanhã.

Os trabalhos foram iniciados ontem. A equipe do DER está atuando no trecho próximo ao conjunto Mário Covas.

O desvio é para que diminua a movimentação na via e a equipe possa trabalhar a fim de que a pista volte a ter condições de tráfego.

De acordo com o diretor do DER, essa ação deve ser encerrada até amanhã.  “Como estamos no meio do período chuvoso ainda não podemos realizar um recapeamento no local. Enquanto isso, será colocado material para tapar os buracos, passaremos patrol e o rolo para dar trafegabilidade à pista. Vamos trabalhar na conservação da via”, frisou

Castro Neto ressaltou ainda que a sinalização no local está sendo feita e que este serviço de manutenção será realizado até a retomada da obra.

Protesto

Os moradores de bairros da região Sul de Teresina que usam esse trecho da BR-316 convocaram um novo protesto na rodovia para domingo, a partir das 7h30. Desta vez, eles querem levar pá e cimento para fazer uma operação ‘tapa-buraco’.

No domingo passado, eles plantaram bananeiras e touceiras de capim nos buracos da estrada, que aumentaram com as chuvas.

É provável que o protesto de domingo seja esvaziado diante da operação tapa-buraco que está sendo feita pelo DER.

Duplicação abandonada

No final do ano passado, a Construtora Copa, que executava a duplicação da BR-343, na saída Norte de Teresina, abandou a obra.

A primeira empresa vencedora da licitação para executar a obra, a Getel, também já havia abandonado o canteiro sem concluir os serviços.

A Construtora Copa, a segunda colocada, foi chamada, trabalhou algumas semanas e depois também entregou a obra, retirando seus equipamentos da estrada.

A empreiteira comunicou oficialmente ao DER e ao Dnit que deixou a obra por falta de pagamento.

Três paralisações

As obras de duplicação das BRs-343 e 316, na capital, foram iniciadas em 2012, sendo paralisadas por longos períodos por três vezes.

O Piauí vai precisar, portanto, de quatro governos para fazer apenas 17 quilômetros de estradas, dentro da capital, com tudo ao alcance da mão.

Juntaram-se e não deram conta desse serviço os governos Wilson Martins (que iniciou a duplicação nos dois sentidos em 2012 e foi até 2014), Zé Filho (2014) e Wellington Dias (2015-1018). Wellington precisou de um quarto mandato para terminar as duas obras, mas ainda sem prazo para que isso aconteça.

Um líder empresarial da construção civil observava ontem que, como sempre, nenhuma empresa abandona obra se o contrato é cumprido. O problema, salientava, é que ninguém quer fazer mais nada para o Governo do Estado sem ter a garantia de pagamento.