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João Henrique cai da presidência do Sebrae

Foto: Cidadeverde.com

João Henrique com o seu sucessor no Sebrae, no dia da posse, em janeiro

 

Durou apenas 100 dias o mandato de quatro anos do ex-ministro João Henrique Sousa na presidência nacional do Sebrae.

O Conselho Deliberativo Nacional (CDN) do órgão se reuniu ontem, em Brasília, para destituí-lo do cargo e eleger a nova diretoria da instituição. João Henrique foi eleito em novembro do ano passado e empossado em 8 de janeiro último, para um mandato de 4 anos.

A queda do piauiense, segundo informou ontem o jornal Folha de S. Paulo, em sua edição on line, decorre de uma manobra do ministro da Economia, Paulo Guedes, para assumir o controle do Sistema S, de olho no orçamento de R$ 18 bilhões do Sesi/Senai, Sesc/Senac e do próprio Sebrae.

Rasteira

O novo presidente do Sebrae é o ex-deputado federal Carlos Melles, de Minas Gerais. Ele é o atual diretor de Administração e Finanças. Foi eleito em novembro junto com João Henrique e articulou com o governo a sua queda.

Na eleição de ontem, Melles obteve 14 votos do Conselho, dos quais 11 membros são de órgãos ligados ao governo federal, como Banco do Brasil, BNDES e Caixa.

O ministro Paulo Guedes indicou também o novo diretor de Administração e Finanças, Eduardo Diogo. O diretor técnico, Vinícius Lages, também foi destituído. Para o lugar dele, entra Bruno Quick, um técnico do Sebrae.

Interferência

A destituição do presidente eleito e empossado do Sebrae, por motivos políticos, é inédita na história da instituição. A mudança é uma clara ingerência do Governo Bolsonaro no Sistema S, o que, segundo especialistas, compromete a autonomia de entidades como Sesi, Senac e o Sebrae.

O ex-ministro João Henrique foi cair longe. Ontem, quando o Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae se reunia para destituí-lo, ele estava em Lisboa.

Mas João Henrique já sabe para onde vai. Ele assumirá depois da Semana Santa a diretoria de Administração e Finanças do Sebrae-DF.

A indicação é do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

João Henrique era o único piauiense ocupando cargo de projeção nacional. Em março passado, Avelino Neiva deixou a presidência da Codevasf, por estar sendo boicotado pelo novo governo.