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Uns brigam, outros comem galinha de graça

Nas propriedades rurais do empresário Gervásio Costa Filho, ex-prefeito de União, havia uma família, grande e muito trabalhadora, mas também chegada a uma briga.

Homens, mulheres e crianças, todos, absolutamente todos, só queriam resolver seus problemas indo às vias de fato. Como ninguém queria ser seus vizinhos, as brigas se davam mesmo entre família.

Foi assim que duas primas estavam, então, em uma briga sem fim pela posse de uma franga. Ambas juravam que eram proprietárias da ave e, como de costume, foram procurar os diretores da empresa para solucionar a pendenga.

Ambas estavam azunhadas e descabeladas, depois de uma briga corporal. Uma romaria de desocupados acompanhou as brigonas até o escritório. Na empresa, todos estavam ocupados, sem tempo para dar atenção à briga das moças. Cada uma mais exaltada que a outra, dando a sua versão.

Francisco Costa, que era irmão de Gervasinho e que depois viria a ser deputado estadual, no final da década de 1980, levantou-se e, depois de se inteirar da questão, calmamente começou a falar com uma das donas da franga: “Você me dá a franga?” Ela respondeu: “Para o senhor, eu dou!”. Sem perda de tempo, virou-se para a outra e fez o mesmo pedido. Recebeu novamente resposta afirmativa.

Francisco, então, agradeceu a cada uma e mandou as duas para casa. Em dois minutos acabou com a briga de meses que andou perto de um fim trágico. E ainda teve direito, naquele dia, a almoçar uma saborosa franga, gratuitamente.

Esta historinha é contada pelo próprio Gérvasio Costa Filho, em seu livro “Aconteceu em minha vida”, lançado em 2015, na Academia Piauiense de Letras, em sessão conduzida pelo seu sobrinho Nelson Nery Costa, presidente da instituição.

Galinha gorda

Lembrei-me do episódio a propósito da recente briga pela Secretaria de Saúde, uma das mais importantes da estrutura administrativa do Estado.

Engalfinharam-se na disputa o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, e o deputado federal Assis Carvalho, presidente regional do PT.

No governo passado, os dois parlamentares avalizaram a indicação do ex-prefeito de Parnaíba, Florentino Neto (PT), para dirigir a pasta. Agora, na composição da nova equipe do governador Wellington Dias, cada um tinha um candidato diferente para o lugar de Florentino.

E ficou nesse estica e puxa até que o governador chamou os dois parlamentares, separadamente, e costurou um acordo sobre a ocupação da Secretaria de Saúde.

Imagino que a conversa foi mais ou menos assim: “Não posso dar a Secretaria nem para um nem para o outro. Para evitar problemas e pacificar nossas relações, vocês me autorizam nomear uma pessoa de minha escolha para o cargo?”

Cada um disse que sim e o governador deixou Florentino Neto na Saúde.

Wellington é outro Francisco Costa que aproveitou uma briga alheia para comer uma franga de graça, no caso a Secretaria de Saúde do Estado! Na verdade, uma galinha gorda.

 

 

Vaso trincado

A propósito da composição do novo secretariado, o vaso trincou, na relação do governo com o Progressistas.

O partido se reúne hoje, em Teresina, para avaliar o desfecho e os desdobramentos do caso, no qual foi alijado na formação do novo governo.

O governador Wellington Dias repetiu sua velha fórmula e entregou secretarias e outros órgãos a parlamentares do PP, não ao partido.

De olho em 2022

Não é preciso muito esforço para entender essas manobras do governador.

Ele enxerga em Ciro Nogueira um potencial adversário do projeto dele de manutenção no poder, nas eleições de 2022.

Aviso

Aliás, o próprio Ciro deu indicações nesse sentido ainda nas eleições do ano passado.

Não demorou e o Progressistas perdeu a indicação para o cargo de vice na chapa encabeçada por Wellington.

Adiantou-se

Em fevereiro, atropelando os planos do governador, o senador limpou a área para a convocação do suplente de deputado estadual Bessah Filho, ao puxar o deputado Júlio Arcoverde para o secretariado do prefeito Firmino Filho.

Ao navegantes

Na semana passada, em um evento de filiações de lideranças ao Progressistas, Ciro Nogueira declarou que o futuro governador do Piauí estaria na mesa de honra do evento, à qual sentavam-se ele, o prefeito Firmino Filho, as deputadas federais Iracema Portella e Margarete Coelho e outras lideranças.

Foi outro recado curto e grosso de que o PP terá candidato próprio a governador, depois de apoiar duas eleições de Wellington.

Operação de risco

O governador, então, com muito jeito, vem cuidando de aparar as asas dos aliados. Talvez seja uma estratégia arriscada.

Em seu mandato anterior, Ciro Nogueira foi um aliado de peso e abriu muitas portas em Brasília para Wellington.

Sem a sua colaboração, ele dificilmente teria chegado aonde chegou em 2018.

Em baixa

No Palácio de Karnak, a avaliação que se faz é que agora, no governo Bolsonaro, Ciro está desidratado em Brasília.

Não é bem assim. Ele acaba de ser reeleito para o terceiro mandato no comando de um dos maiores partidos do Congresso.

Recuperação

Além disso, o PP já é a maior força no chamado Centrão, que decidirá a aprovação ou não das reformas propostas pelo governo.

Então, mais dias, menos dias, o senador estará plenamente reabilitado, com sua força política recuperada.

Ele conhece o caminho das pedras.

Wellington conta com apenas um senador em Brasília, Marcelo Castro, presidente regional do MDB.

Este, sim, não tem força no governo Bolsonaro, pois ainda hoje vive a repetir os chavões do PT.

Elmano Férrer, do Podemos, hoje é quem mais abre portas em Brasília, porém é visto pelo governo estadual como inofensivo.

 

 

* Todos os caminhos levam hoje ao Atlanti City Club, onde será realizado até quarta-feira o II Congresso das Cidades. Mais de 200 municípios piauienses estão inscritos.

* Os presidentes do Congresso Nacional, senador David Alcolumbre, e da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia, estarão na abertura do evento.

* Mais de 70 palestras serão realizadas durante o Congresso, que tem como tema geral “Gestão, Inovação e Desenvolvimento Humano”.

* Haverá ainda exposições e feiras de negócios durante os três dias do evento.

 

 

Sabedoria joqueiriana

No primeiro Governo Hugo Napoleão, a nova equipe estava montada e pronta para ser anunciada. E viu-se na última hora que haviam esquecido o ex-governador João Clímaco d’Almeida, o Joqueira, figura de proa do esquema dominante, mas já em decadência política. Ele já tinha sido vice-governador de Petrônio Portella e de Helvídio Nunes, deputado federal e secretário de Segurança.  Despacharam um emissário para perguntar a Joqueira se ele aceitaria um cargo no terceiro escalão:

- O governador mandou saber se o cargo de diretor do Banco do Estado do Piauí serve ao senhor.

Joqueira, que já estava consciente de que não teria outra chance, pegou a oportunidade com as duas mãos:

- Ora, não serve é diabo de nada!