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Supremo é o caminho natural de ministros da Justiça

Foto: Marcos Corrêa/PR-Agência Brasil

O ministro da Justiça, Sergio Moro, e o presidente Jair Bolsonaro

 

O assunto dominante na imprensa e nas redes sociais, de domingo para cá, tem sido a declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre uma possível indicação do ministro da Justiça, Sergio Moro, para o Supremo Tribunal Federal, na próxima vaga que surgir.

O primeiro da fila da aposentadoria é o ministro Celso de Melo, decano do STF. Ele será atingido pela compulsória em novembro de 2020, quando chega aos 75 anos de idade.

Em entrevista ao programa “Domingo Esportivo Bandeirantes”, o presidente conversou por mais de uma hora com Milton Neves, Claudio Zaidan e Christiano Panvechi.

Nessa entrevista, Bolsonaro disse que firmou compromisso com Sergio Moro e que vai honrar o que foi acertado, caso o ministro queira ocupar uma vaga no Supremo e se o nome dele for aprovado, evidentemente, em sabatina no Senado.

A afirmação provocou um verdadeiro alvoroço na imprensa e nos meios políticos. Os portais de notícia ligados ao PT e os políticos de oposição viram na declaração do presidente uma espécie de confissão de uma negociata política com o ex-coordenador da Operação Lava Jato.

Café requentado

A imprensa, de um modo geral, se mostrou surpresa e escandalizada, como se estivesse diante de uma grande revelação. Ora, a fala do presidente não passa de café requentado.

Ainda no ano passado, logo após a vitória nas urnas, Bolsonaro já afirmava em entrevista ao Jornal Nacional que pensava em convidar Sérgio Moro para assumir uma cadeira no Supremo, na primeira vaga que aparecesse, dali a dois anos.

À época, a revista Veja, entre outros veículos, também divulgou a declaração do presidente eleito em sua edição on-line.

Celeuma

Os coleguinhas de imprensa e os opositores do presidente esquecem, apenas, que, durante o regime democrático, muitos ministros do Supremo saíram da pasta da Justiça. E que não houve qualquer celeuma diante da escolha de cada um deles.

O último ocupante da pasta que desembarcou no STF foi Alexandre de Moraes, ministro da Justiça do presidente Temer e indicado por ele para a Suprema Corte.

O ministro da Justiça da presidente Dilma, José Cardozo Alves, só não chegou ao Supremo porque ela caiu antes, através do impeachment. Mas estava tudo acertado para ele ir para o STF.

O ministro da Justiça do presidente Lula, Márcio Thomaz Bastos, não foi para o Supremo porque não quis. Já estava com a idade avançada e ganhava muito mais em sua banca de advocacia.

Outro ministro da Justiça que também saiu para o Supremo foi Nelson Jobim, no governo Fernando Henrique Cardoso. Da mesma forma, o ministro Maurício Correia, no governo Itamar Franco.

O presidente Sarney, o primeiro do período democrático, após o fim do regime militar de 1964, indicou o seu ministro da Justiça, Paulo Brossard, para o Supremo.

O substituto de Brossard no Ministério da Justiça, Saulo Ramos, não foi para o STF também porque não quis. Ele preferiu indicar o atual ministro Celso de Melo, que era seu auxiliar. Este episódio está bem explicadinho na obra "Código da Vida", livro de memórias de Saulo Ramos.

Este breve apanhado, feito de memória, mostra que o Supremo tem sido o caminho natural dos ministros da Justiça.

Portanto, é descabida a repercussão que se dá a uma eventual ida do ministro Sergio Moro para o STF.