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Colarinho branco leva a primeira

Foto: Will Shutter/Câmara dos Deputados

Deputada Margarete Coelho, na coordenação de Grupo de Trabalho na Câmara

 

As perspectivas de mudança dos níveis de corrupção e criminalidade no Brasil são poucas. O grupo de trabalho que estuda os projetos anticrime e anticorrupção decidiu que a definição sobre prisão após o julgamento em segunda instância será feita por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC).  A proposição foi rejeitada por 7 votos a 6.

Em seu relatório, o deputado Capitão Augusto (PL-SP) pretendia incluir esse dispositivo por meio de projeto de lei, conforme proposta do ministro da Justiça, Sérgio Moro.

O grupo de trabalho está analisando os projetos apresentados por Moro e por uma comissão de juristas que modificam a legislação penal e processual penal.

A coordenadora do grupo de trabalho, deputada Margarete Coelho (PP-PI), explicou que não foi discutido o mérito sobre a necessidade da prisão após o julgamento em segunda instância.

O artigo da Constituição que se pretende modificar é o que define que "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória".

Como ainda existe a possibilidade de recursos na Justiça após a condenação em segunda instância, é preciso definir que essa seria a sentença condenatória, e as outras etapas são cumpridas após a prisão do acusado.

O Supremo Tribunal Federal está rediscutindo a questão da prisão em segunda instância. Mas ainda não há previsão de quando sairá uma nova decisão sobre o assunto.

Colarinho branco

O que é fato é que os presídios brasileiros estão abarrotados de presos condenados ainda em primeira instância. Poucos prestaram atenção a isso, afinal são quase todos pés-de-chinelo. E existem, ainda, os presos provisórios, sem condenação.

O assunto da prisão em segunda instância só começou a interessar ao parlamento, contudo, depois que os bandidos de colarinho branco começaram a ir para a cadeia. E muitos outros estão na fila, tremendo de medo.

O pacote anticrime do ministro Moro começa, então, com uma estrondosa derrota. É a primeira, mas certamente, não será a última.

Tem muita gente no Congresso armada contra o combate à corrupção e à criminalidade.

 

 

Uma voz que se cala

O polêmico jornalista Paulo Henrique Amorim é uma voz que se cala na imprensa brasileira, na qual se destacou com brilhantismo.

Ele encerrou ontem uma longa carreira, que foi do jornalismo impresso ao televisivo, passando pelo digital, ao morrer na madrugada, vítima de um infarto fulminante, aos 77 anos.

A carreira

O jornalista iniciou-se no jornalismo em 1961. Mais tarde, atuou como correspondente internacional em Nova Iorque nas revistas Realidade e Veja.

Quando trabalhava em Nova Iorque fez cirurgia cardíaca para implantação de ponte de safena.

Na televisão, passou pela extinta Manchete, Rede Globo, Bandeirantes e TV Cultura.

Afastamento

Estava na Record desde 2003, quando assumiu a apresentação da edição noturna do Jornal da Record. Posteriormente, foi deslocado para o programa Domingo Espetacular.

No final do mês passado, ele foi afastado da atração após 14 anos no seu comando.

Na ocasião, a emissora anunciou o nome de novos apresentadores como parte de uma reformulação do seu jornalismo e informou que Paulo Henrique Amorim não seria demitido, ficando à disposição para novos projetos.

"Conversa Afiada"

O jornalista também editava o ‘Conversa Afiada’, um site focado na cobertura política do país que ele criou inicialmente como um blog em 2008.

Fazia defesa aberta do governo petista e atacava a Lava Jato, o governo Bolsonaro e parte da imprensa, especialmente os veículos para os quais já havia trabalhado.

Homenagens

A notícia de sua morte repercutiu no meio profissional e político.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), expressou seus sentimentos através das redes sociais:

“Minhas homenagens ao jornalista Paulo Henrique Amorim. Longa e vitoriosa carreira. Tivemos algumas conversas inesquecíveis e muitas entrevistas.”

O Brasil perde

O governador Wellington Dias também manifestou seu pesar:

“Triste em saber da morte do jornalista Paulo Henrique Amorim. Ainda consternado. O Brasil perde um de seus maiores profissionais do jornalismo. Eu o considerava um amigo, defensor da democracia e da ética. Pra mim era um privilégio ouvir as suas ideias, considerações e opiniões.

Uma honra maior ainda ser entrevistado por ele. Descanse em paz, amigo. O Brasil chora a sua partida. A Democracia perde um de seus maiores defensores em presença, mas suas palavras sempre serão lembradas.”

 

 

* Há quem jure ter visto ontem em Teresina o cartunista Albert Piauhy, secretário de Cultura de Parnaíba.

* O governador Wellington Dias participou ontem, em Brasília, da primeira audiência pública da Comissão Especial destinada a apreciar a reforma da previdência no Senado.

* O ex-deputado Robert Rios (DEM) disse ontem que já sabe onde estará nas eleições do próximo ano: na oposição.

* O texto-base da reforma da Previdência passou com folga ontem à noite, na Câmara, no primeiro turno da votação: 379 votos a favor e 131 contra.

 

 

"Cadeia? Tô fora!"

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, ontem, por 17 votos a 2, o projeto de lei que criminaliza o caixa 2 nas campanhas eleitorais. O senador Marcelo Castro (MDB-PI), conforme o site O Antagonista, protestou. Ele disse, segundo O Globo, que eventual esquecimento na prestação de contas deveria ser punida no máximo com perda do mandato:

-“E eu vou para a cadeia, cinco anos de cadeia? Isso não tem pé nem cabeça. Nós estamos entrando num caminho aqui que precisa de uma reflexão. Vamos parar, vamos raciocinar, vamos pensar. Eu topo: pegou caixa dois, perdeu o mandato, saio tranquilo e vou casa para viver com minha família. Agora ir para a cadeia? Tá doido! De jeito nenhum!”