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Aos 39 anos, estrela do PT perde o brilho

Fotos: Ricardo Stuckert/PT

Dirigentes do PT comemoram aniversário da fundação do partido

 

O PT completa hoje 39 anos de fundação ainda mergulhado na mais profunda crise de sua história. As comemorações começaram ontem, em São Paulo, na reunião do Diretório Nacional.

O partido se esforça para, em seu aniversário, passar a imagem de que completará 39 anos de defesa dos direitos dos trabalhadores, combatendo a desigualdade e defendendo a soberania nacional.

Na verdade, com seu principal líder preso por corrupção e outra parte da cúpula partidária sob investigação, há muito tempo o PT perdeu o brilho e também naufragou na crise política que afetou as principais legendas do país, como MDB e PSDB.

Resistência

O Partido dos Trabalhadores programou Atos de Resistência em todo o país para celebrar hoje o seu aniversário. A principal palavra de ordem será “Lula Livre!”

No entanto, ao contrário de outras comemorações, quando arrastava as massas para suas festas, o partido deve mobilizar hoje apenas as suas lideranças e a militância.

Os simpatizantes estão cada vez mais raros, pois, além do desgaste ético, o PT carrega a conta de pai da crise econômica que levou milhares de empresas ao fechamento de suas portas e jogou 13 milhões de trabalhadores ao desemprego.

 

Wellington Dias defende o legado de Lula e do PT

O legado do PT

O governador Wellington Dias foi a São Paulo para abertura das comemorações dos 39 anos da legenda e destacou, em seu discurso, as principais lutas e os avanços conquistados pelo país através da atuação do partido e ainda citou o ex-presidente Lula. 

“Ajudamos a mudar toda aquela história de sofrimento para um Brasil para todos e todas. Um Brasil com Minha Casa Minha Vida, Água e energia para todos, crédito para os pequenos, mais médicos e mais especialização. Criamos mais escolas técnicas e mais universidades, com mais vagas em todo Brasil. Foram criados milhões de empregos e mais empreendedores puderam abrir seus negócios. Foi uma época de crescimento econômico, mais cultura, mais infraestrutura. Tudo feito com democracia, levando qualidade de vida e construindo um Brasil para milhões de brasileiros que estavam de fora do desenvolvimento”, contabilizou.

"Preso político"

Wellington destacou ainda a figura de Lula como um dos maiores líderes políticos de sua época: “Temos um dos maiores líderes do mundo: Luís Inácio Lula da Silva. O mais perseguido e injustiçado. Por ele e todos e todas que são parte desta história que vem de antes destes 39 anos, devemos manter a chama da esperança acesa. Acreditando sempre, como ele acredita lá como preso político, na luta democrática. Vamos vencer!”

É difícil que esse tipo de discurso ainda anime alguém fora do PT, especialmente depois da segunda condenação do ex-presidente Lula a mais 12 anos de prisão no Caso do Sítio de Atibaia.

O PT pode até ainda dar a volta por cima, mas vai levar muito tempo para conseguir isso.

Tesouro e TCE's anunciam combate à 'maquiagem' de contas dos Estados

O Tesouro Nacional e os Tribunais de Contas Estaduais (TCEs) deram o pontapé inicial às discussões para acabar com as "maquiagens" que retardaram o diagnóstico da real situação financeira dos governos estaduais.

Muitos desses tribunais, como é o caso do TCE do Piauí, chegaram a avalizar contas de Estados que agora estão em calamidade financeira. Outros estão à beira do caos.

Na primeira edição do fórum técnico, encerrado ontem, em Brasília, a Subsecretaria de Contabilidade Pública do Tesouro registrou a presença de representantes de 31 de 32 Cortes de contas estaduais e municipais nos dois dias de debates.

A ideia, segundo o jornal O Estado de São Paulo, é unificar as interpretações sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

É que os critérios adotados pelos TCEs flexibilizaram os limites de gastos com pessoal e permitiram contratações e aumentos salariais que colocaram as contas desses Estados na rota de um colapso.

Essas interpretações contrariam o entendimento do próprio Tribunal de Contas da União (TCU) e do Tesouro sobre os mesmos temas.

O fórum é resultado de um convênio entre o Tesouro, a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e o Instituto Rui Barbosa, braço acadêmico dessas Cortes.

No fundo, com essa discussão, os Tribunais de Contas tentam tirar o corpo de banda. É como se não fossem também responsáveis pela crise fiscal dos estados, na medida que negligenciaram no exercício de suas funções de órgãos fiscalizadores e até deram aval para ‘maquiagens” nas prestações de contas.

O pacote de Moro contra o crime

Está repercutindo em todo o país o pacote anticrime apresentado na segunda-feira pelo ministro da Justiça e da Segurança, Sérgio Moro. Segundo o governo, o projeto tem o objetivo de dar mais efetividade ao combate à criminalidade em três frentes principais:  corrupção, crime organizado e crimes violentos. 

Esses eixos, conforme o ministro da Justiça, devem ser tratados no mesmo pacote porque "os três problemas estão vinculados; não adianta tratar de um sem tratar dos demais".

"O crime organizado utiliza a corrupção para ganhar impunidade. Por outro lado, o crime organizado está vinculado a boa parte dos homicídios do país", justifica Sergio Moro.

Um grande porcentual de homicídios, de acordo ainda com o ministro, está vinculado às disputas do tráfico e às dívidas com drogas, feitas por usuários que não conseguem pagar a sua dependência e acabam pagando com a vida.

Entre os itens de destaque do texto, estão criminalização do caixa 2, prisão após condenação em segunda instância como regra no processo penal e punições mais rigorosas.

Tiroteio

O pacote de medidas apresentado por Sério Moro vem recebendo críticas e elogios.

De uma forma ou de outra, é um passo importante para que se busque um país com menos violência, corrupção e impunidade. O projeto ainda não está pronto e acabado, nem a sua eficácia é garantida.

Em linhas gerais, porém, ele expressa bandeiras defendidas pelo presidente Jair Bosonaro em praça pública.

Os que criticam a proposta são, em geral, os mesmos que tiveram a oportunidade e a responsabilidade de combater a criminalidade e não o fizeram.

Transporte público anda mal

A nova greve nos ônibus urbanos, deflagrada na segunda-feira, em Teresina, não é apenas mais um evento do calendário anual da cidade, como se diz em tom de ironia.

Ela é, antes de tudo, mais um sintoma da grave crise que atravessa o setor, em todo o país. São tantos os problemas que, na contramão da história, a área de transporte público anda a caminho da estatização.

O Rio de Janeiro acaba de dar o primeiro passo nessa direção. Na semana passada, o prefeito Marcelo Crivella decretou intervenção no BRT da cidade e colocou um burocrata pago pelo contribuinte para administrar a concessão.

O poder público não está propriamente interessado em assumir a gestão do serviço.  No entanto, a estatização já chega a ser apontada por especialistas como a única forma de manter o serviço, cuja operação vem acumulando prejuízos insanáveis às empresas concessionárias.

Sangria

A crise resulta de uma série de fatores. A corrosão do sistema começou com a permissividade dos poderes públicos para com os sistemas de transporte alternativo e vans, sejam formais ou piratas. Esse processo começou ainda na década de 1990.

A segunda causa foi a farra das leis concedendo gratuidades e descontos. Idosos, estudantes, policiais, oficiais de justiça, portadores de deficiência e várias outras categorias, independentemente de suas situações econômicas, ganharam o privilégio da gratuidade ou da meia.

É sabido que não existe almoço grátis. Alguém paga a conta. E, nesse caso, é o passageiro que compra a tarifa inteira.

Aplicativos

À medida que o setor foi se tornando frágil, as passagens se tornaram mais caras, o serviço não melhorou e, agora, a novidade do transporte por aplicativos, junto com a crise econômica, acelerou a agonia das  empresas de ônibus.

Somente em Teresina, no ano passado, o sistema perdeu aproximadamente um milhão de passagens.  Fica difícil uma empresa que opera nessas circunstâncias ir longe.

Desde 2015, quando houve a licitação das linhas de ônibus, duas 13 empresas de ônibus da capital já quebraram. Outras cinco estão rodando com o combustível na reserva.

Teresina pode adotar paliativos, mas a solução para a crise está em Brasília. No entanto, por lá ninguém se interessa por um debate em torno da questão.

 

 

Barragens

O Ministério Público do Estado, por meio do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (CAOMA), promoveu, ontem, uma audiência para discutir a segurança das barragens no Piauí.

Ao final, as autoridades garantiram ao MP que não há risco iminente de rompimento de barragem no Piauí.

Mas também disseram que as barragens do Estado não têm plano de segurança.

Na Justiça

A propósito, a Prefeitura de Piracuruca informa  que ingressou com Ação Judicial contra o Estado do Piauí, pedindo a imediata fiscalização das condições de segurança da estrutura da Barragem de Piracuruca. 

A prefeitura reconhece que existe um clamor na cidade por conta da situação da barragem, que apresenta infiltrações e vazamentos em seu paredão.

Segurança

O presidente do Sindilojas/PI, Tertulino Passos, e o diretor Luís Antônio Veloso estiveram reunidos com o comandante de policiamento de Centro de Teresina, coronel Lacerda, para tratar da intensificação da segurança no centro.

“A reunião foi positiva, eles vão intensificar mais o policiamento. Conversamos também sobre a logística e implementação da segurança”, afirmou Tertulino Passos.

Foto: Divulgação

Novo Cartório - Já começou a funcionar o Cartório do Dirceu I, situado na Avenida Joaquim Nelson, Quadra 139, Casa 17, próximo ao Teatro João Paulo II. O trabalho pela sua instalação começou na gestão do desembargador Brandão de Carvalho como vice-corregedor geral de Justiça. O serviço era reclamado há décadas pela população da região, a mais populosa do Piauí.

 

 

* A folha de batalha.com informa que os vereadores de Batalha lotaram seus gabinetes de parentes.

* O sistema da Agência de Tecnologia da Informação (ATI) deu uma nova pane ontem e deixou todos os órgãos estaduais na mão.

* Até a semana passada, eu achava exagerada a quantia de R$ 120 milhões que teriam sido desviados do programa de Transporte Escolar no Piauí.

* Ontem, depois que o principal acusado de envolvimento com o esquema pagou uma indenização de R$ 1 milhão e 800 mil para ser solto, passei a não achar mais.

 

 

Reality show

- Que BBB, que nada: Família é o maior reality show de todos os tempos.

O que vem por ai!

O governador Wellington Dias deve reunir os deputados estaduais na próxima sexta-feira para apresentar-lhes a proposta de reforma administrativa a ser encaminhada ainda este mês à Assembleia Legislativa. Tanto parlamentares do governo quanto da oposição serão convidados para o encontro.

Antes de enviar a proposta à Assembleia, o governador pretende discutir com os deputados os principais pontos da mudança. Ontem, em entrevista coletivamente à imprensa, na abertura do ano legislativo, ele falou genericamente sobre o projeto:

“Eu quero reafirmar que vamos ter reduções, fusões e modificações de áreas no governo, mas devo dizer que esse não é o ponto principal da reforma. Nós queremos que o Piauí alcance uma condição de desenvolvimento alto, o que não é uma tarefa simples.”

Segundo o governador, uma das novidades de seu novo mandato é que haverá o modelo de contrato de gestão. “Assim como o governador tem um contrato com o povo, cada gestor também terá um contrato com o governador e, assim, ele com a sua equipe”, iniciou Wellington Dias”, teoriza.

Embora esta seja uma ideia ainda muito vaga, se ela for implantada a partir de agora terá o efeito de uma verdadeira revolução no governo.

Até aqui, em todos os seus mandatos do governador Wellington Dias, as pastas da administração estadual têm funcionado como ilhas de poder. Cada gestor faz ou deixa de fazer o que quer. 

 

 

Greve nos ônibus

Teresina amanheceu ontem sem transporte público. Os motoristas e cobradores de ônibus decretaram uma nova greve por tempo indeterminado.

A Prefeitura cadastrou carros do transporte alternativo, mas a frota não foi suficiente para atender à demanda.

A greve continua hoje.

Comissões

O deputado Francisco Limma (PT), confirmado na liderança do Governo na Assembleia, previu que até a próxima terça-feira as comissões técnicas da Casa já estejam criadas.

O governo tem pressa na formação dessas comissões, para que a reforma administrativa seja aprovada até março.

Ouvido de mercador

O governador Wellington Dias terá que gastar muita saliva se quiser levar adiante o seu projeto de enxugamento da máquina governamental.

Até agora, dos partidos da base, apenas o Progressistas declarou, em documento, que é favorável à reforma administrativa, com cortes de despesas, secretarias, coordenadorias e cargos comissionados.

Demissões na Cepisa

A Cepisa informou ontem, através de nota, que o Tribunal Superior do Trabalho cassou os efeitos da decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região, que impedia a empresa de efetuar demissões “em massa” sem justa causa e determinava a reintegração de empregados desligados nesta condição.

A decisão foi assinada pelo presidente do TST, ministro João Batista Brito Pereira.

 

 

* O economista Raul Velloso foi contratado para auxiliar o Governo do Piauí na busca de saída para cobrir o déficit da previdência estadual.

* MDB e Progressistas estão em uma nova queda de braço no Piauí, pela presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia.

* O presidente Jair Bolsonaro passará mais uma semana internado, pelo menos. A decisão da equipe médica foi anunciada ontem.

* O ministro Sérgio Moro, da Justiça, apresenta hoje em Brasília o plano do governo Bolsonaro de combate à criminalidade.

 

 

Tomando chegada

Henrique Pires (MDB), deputado de primeiro mandato, ficou ontem, na foto oficial, ao lado do presidente Themístocles Filho. O decano e colega de partido, João Mádison  (MDB), logo soltou, em tom de piada:

- Mas rapaz, esse Henrique Pires é danado! Já tá no meu lugar, do ladinho do meu presidente!

Henrique Pires não se fez de rogado:

- Fique feliz e satisfeito por eu querer só esse seu lugar aqui!

Um velho com pinta de novo

Foto: Geraldo Magella/Agência Senado

Davi Alcolumbre, novo presidente do Senado

 

A ser verdadeira uma nova leitura que se faz da derrota do senador Renan Calheiros (MDB), na eleição para a renovação da Mesa Diretora do Senado, no sábado, o plano orquestrado e operado pelo Palácio do Planalto para impedir a volta dele ao comando da Casa terá sido mais sofisticado do que se imagina.

A nova leitura avalia que Renan Calheiros renunciou à disputa, no meio do combate, para não ficar marcado como o antigoverno no Senado. É que o filho dele governa Alagoas e, se não se cuidar, evitando confrontos com o Planalto, Renan e família perdem a base para a oposição local.

A Presidência do Senado, no final das contas, seria um mero instrumento de barganha para levar benefícios ao governo de seu filho, via governo federal.

O Planalto terá avaliado, então, que Renan Calheiros, cria do MDB, uma confraria louca pelo poder ou pela proximidade dele, ficará quieto em seu canto ou no máximo jogando para a plateia, sem se arriscar a uma posição mais ousada contra o governo Bolsonaro.

Cara nova

O plano do Planalto é sofisticado também porque passa a ideia de que houve mudança e renovação no Senado. O novo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), de 41 anos, se elegeu senador em 2014 com 131.625 votos, ou seja, 36,26% da votação.

Nas eleições de 2018, foi candidato a governador e obteve 94.278 votos, isto é, apenas 23,75% do total, ficando em 3º lugar. Agora é premiado com a presidência do Senado e apresentado à nação como novo.

Ora, o senador Davi Alcolumbre é filiado ao DEM, ex-PFL, filho do PDS e neto da Arena, um partido que sucumbiu pelo seu fisiologismo e pelo seu clientelismo.

O comando do Senado deixou de ser exercido por um velho e endiabrado cacique político, mas o novo presidente não representa o novo. Nem de longe.

Importa, no entanto, que ele tenha pulso para conduzir no Senado o processo para implementação das reformas inadiáveis, como a da previdência e a tributária.

Estas, como a desburocratização, dependerão de forte liderança dos presidentes do Senado e da Câmara para serem efetivadas.

Planalto dá golpe em Renan

Foto: Pedro França/Agência Senado

Alcolumbre comemora vitoria no Senado

 

A eleição da nova Mesa Diretora do Senado teve de tudo e mais um pouco. Para começar, a votação deveria ter ocorrido na sexta-feira, mas foi adiada para ontem, depois de muito tumulto e bate-boca entre os senadores.

Os parlamentares aprovaram votação aberta na tumultuada sessão de sexta-feira. Porém, uma decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, quebrou o silêncio da madrugada, ao determinar que a eleição fosse feita através de votação secreta.

O ministro atendeu a um pedido do senador Renan Calheiros (MDB) e de seus aliados, cobrando o cumprimento do Regimento Interno, que prevê voto secreto.

Em voz alta

Uma turma do barulho do Senado fez vistas grossas para a decisão do presidente do Supremo. Seus votos foram declarados alto e bom som.

Mas as novidades que fizeram o Senado oscilar entre o ridículo e o patético não acabaram por aí. Na apuração dos votos, foi detectada uma cédula a mais na urna – 81 senadores e 82 votos.

Isso provocou mais algazarra e o cancelamento da eleição - e todos os papéis foram triturados, antes de qualquer apuração.

Os senadores discutiram e decidiram fazer uma 2ª votação.

Disputaram a presidência os senadores Ângelo Coronel (PSD-BA), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Fernando Collor (Pros-AL), Esperidião Amin (PP-SC) e Reguffe (sem partido-DF).

Os senadores Álvaro Dias (Podemos-PR), Major Olímpio (PSL-SP) e Renan Calheiros (MDB-AL) retiraram-se da disputa.

Resultado

O resultado da eleição no Senado foi o seguinte:

Davi Alcolumbre (DEM-AP) - 42 votos

Esperidião Amin (PP-SC) - 13 votos

Angelo Coronel (PSD-BA) - 8 votos

Reguffe (sem partido-DF) - 6 votos

Renan Calheiros (MDB-AL) - 5 votos

Fernando Collor (Pros-AL) - 3 votos

Reviravolta

O senador Renan Calheiros tentava comandar o Senado pela quinta vez. E, com tanto know-how, seguia como favorito. No entanto, foi atropelado por uma articulação operada pelo ministro da Casa Civil do Palácio do Planalto, deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

A vitória de Alcolumbre é, portanto, a coroação do poder de Lorenzoni no Planalto. Poucos davam muito pelo ministro, que até ontem era visto como o maior problema de governabilidade para o presidente.

O fato, porém, é que agora o DEM passa a comandar o Senado Federal e Câmara dos Deputados, pois na sexta-feira (1º) o deputado Rodrigo Maia (RJ) foi reconduzido à presidência da Câmara, também em primeiro turno.

É a primeira vez desde a redemocratização que o MDB não comanda nem uma casa nem a outra. No popular, Lorenzoni fez cabelo e barba. 

Davi e Golias

O novo presidente do Senado é filiado ao DEM do Amapá. Ele tem 41 anos e se elegeu para dirigir o Senado ao obter 42 votos, um a mais que os 41 necessários para um candidato ganhar no primeiro turno. Dos 81 senadores, votaram 77.

Alcolumbre é comerciário, com formação incompleta em Ciências Econômicas. Na eleição de 2018, disputou o governo do Amapá. Ele perdeu a eleição para Waldez Góes (PDT).

Estava em campanha para presidir o Senado desde novembro, com o incentivo de Lorenzoni, mas não aparecia como viável. Por isso, passou a ser chamado desde ontem de o pequeno Davi do Congresso, ao derrotar o gigante Golias que é Renan.

Do baixo clero

A derrota de Renan não significa, no entanto, uma vitória para o governo Bolsonaro. É apenas um gol na largada de um jogo que segue.

Ao retirar sua candidatura, o senador vira o líder da oposição. Se não houver um trabalho urgente e eficaz para isolá-lo, ele terá capacidade de causar grandes estragos ao Planalto.

Certamente, o governo tinha muito a perder com uma vitória de Renan, mas tem pouco a ganhar com a vitória de Alcolumbre.

O senador do Amapá logrou êxito mais pela sua condição anti-Renan, bancada pelo Planalto, do que pelos eventuais méritos que possa ter como líder do Congresso de um país em crise.

 

Um mês de Bolsonaro

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Bolsonaro governa o Brasil de um hospital

 

Ao completar um mês no cargo, o presidente Jair Bolsonaro avalia que seu governo está no rumo certo.

Não é costume avaliar-se um governo com apenas um mês de mandato. Isso costuma ser feito a partir dos 100 dias.

Mas, como é o próprio presidente que antecipa a avaliação, então que ela seja feita agora.

Nestes primeiros 30 dias de mandato, Bolsonaro enfrentou uma queda-de-braço entre integrantes de sua equipe.

Ainda não existe um entrosamento entre seus ministros. Falta também articulação política com o Congresso Nacional para aprovar suas reformas.

Sem trégua

É fato, porém, que o governo começa praticamente sem a trégua que se concede a todo governo em todo início de mandato.

Além disso, tenta-se atingir o presidente com investigações de seu primogênito, o senador diplomado Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que toma posse hoje.

A mídia vem se ocupando mais desse episódio e de fatos pitorescos protagonizados por ministros, como a que diz ter visto Jesus em uma goiabeira, do que com aspectos macros da economia e da política.

Armas de fogo

A medida governamental de maior impacto, nesse período, foi a da flexibilização do uso de armas de fogo. Trata-se do cumprimento de uma promessa de campanha.

O governo Bolsonaro vinha dizendo que a preservação do meio ambiente não seria uma prioridade. Então, foi surpreendido com a tragédia do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas, e se viu obrigado a mudar de postura.

Cobrança

O presidente fez uma viagem internacional, a Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial. E cobrou-se que ele assumisse uma posição de líder mundial quando ainda não assumiu direito nem a presidência do Brasil.

Pessoalmente, Bolsonaro ainda enfrenta limitações de saúde, decorrentes das duas cirurgias a que se submeteu após ser vítima de um atentado na campanha eleitoral.

E teve que baixar outra vez ao hospital, esta semana, para uma terceira operação. É de lá, da sala de um hospital, que ele governa o país neste momento.

Mudanças

Em resumo, o governo Bolsonaro enfrenta problemas comuns a todo governo que está em seu início.

Até aqui, o presidente jogou sozinho. O Congresso Nacional e o Judiciário estavam de recesso e entraram em campo agora. O jogo para valer começará em breve.

O presidente foi eleito para mudar. E isso, ao seu modo, ele está começando a fazer. Seu ministério, por exemplo, foi composto sem a interferência do "toma lá, da cá", jogo que impera há décadas na política nacional.

Só uma oposição inconsequente e uma mídia apressada pode cobrar mais de um governo que ainda nem conhece o governo.

 

Teatro da insensatez

“Reassumo as funções da Presidência da República. Entre exercícios e fisioterapia, os trabalhos que já vinham sendo tocados pela nossa equipe seguem com afinco. O apoio que estou recebendo será fundamental para minha total recuperação. Muito obrigado! Um forte abraço a todos!”

Com esse comunicado, publicado ontem pela manhã através das redes sociais, e ainda se recuperando de uma delicada cirurgia, o presidente Jair Bolsonaro reassumiu o governo e está despachando de um escritório improvisado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Como dizia Leal Júnior, em seus tempos de comentarista esportivo, é uma situação que causa espécie.

As cenas de Bolsonaro despachando de um quarto de hospital vão ser curtidas fartamente nas redes sociais, de modo a encher a bola de um governo que ainda não saiu do palanque.

O fato, porém, é que nos próximos dias o Brasil terá um presidente que fará de conta que governa, de um hospital, em São Paulo, e o governo acontecendo de fato, na vida real, em Brasília.

Que não aconteça nada de grave com a saúde do presidente é o desejo de todo brasileiro de boa vontade, neste momento. Mas todo esse esforço que ele faz, nesta fase pós-operatória, para parecer que governa é absolutamente desnecessário.

A pressa do presidente de reassumir o poder apenas sugere uma indisfarçável desconfiança sobre a estabilidade interna da equipe dele, a começar por sua relação com o vice-presidente Hamilton Mourão.

A equipe médica que atende o presidente bem que poderia se impor, ou mesmo o hospital, para não correr o risco de ter a sua credibilidade abalada.

No país de Tancredo Neves, esse tipo de encenação beira a insensatez.

 

 

Eleição na Alepi

Deu o previsto na eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa.

O deputado Themístocles Filho (MDB) venceu ainda na véspera do pleito a queda de braço com o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, e o deputado federal Assis Carvalho, presidente regional do PT.

Renovação

Os dois parlamentares lançaram um candidato de oposição à presidência da Assembleia logo depois das eleições de outubro, sob o argumento de renovar o comando da Casa.

Desde então, o deputado Hélio Isaías (PP) vinha carregando essa candidatura.

Fim de linha

Quarenta e oito horas da eleição, porém, o grupo de oposição jogou a toalha e aceitou se compor com o presidente da Assembleia, apoiando a sua recondução ao cargo.

Formou-se uma chapa de consenso para a eleição será realizada amanhã.

Rebelde

Ontem, após o anúncio do acordo, o deputado Nerinho (PP) rebelou-se contra a aliança e se inscreveu como candidato avulso a presidente.

É possível que tenha o voto dele próprio.

Virar o disco

Agora é esperar que, com a definição da nova Mesa da Assembleia, finalmente vire-se o disco e se busque um assunto de interesse da população para ocupar as atenções e as preocupações de todos.

Essa pauta da eleição da Assembleia já deu o que tinha que dar.

Foto: Divulgação

Com o novo ministério - O prefeito Firmino Filho retornou satisfeito e esperançoso de seu primeiro contato com o ministério do presidente Jair Baolsonaro, em Brasília. Acompanhando a Frente Nacional de Prefeitos, ele esteve com os ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta; e da Economia, Paulo Guedes. Nas audiências, reforçou ao governo as demandas municipais, e também falou sobre as necessidades dos municípios com vistas a um maior diálogo federativo.Firmino esteve ainda com o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, e com o secretário de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto do Ministério da Defesa, brigadeiro Ricardo Machado .Outro compromisso de sua agenda foi com o presidente nacional do Sebrae, João Henrique Sousa. 

 

 

* O Ministério Público de Contas pediu a cabeça do diretor d Maternidade Dona Evangelina Rosa, justificando que por lá a situação é calamitosa.

* Se a moda pegar, em qual órgão da administração pública vai sobrar gestor para tocar o expediente?

* Pollyanna Keccy Vieira da Rocha assume hoje, às 9 horas, o cargo de vereadora de Teresina pelo PV.

* Ela foi convocada com a renúncia da vereadora Teresa Brito para assumir o mandato de deputada estadual.

 

 

Brasil brasileiro

Do humorista Fraga:

- O Brasil tem jeito. Mas não desse jeito.

Ciro joga a toalha

O presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira, principal articulador da chapa de oposição, na sucessão da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, jogou a toalha.

Em posts inseridos ontem em sua conta no Twitter, o parlamentar expôs os motivos de sua decisão e avisou que não tratará mais do assunto, que considera desgastante. Eis a nota do senador:

 

Sobre a discussão acerca da eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, tenho alguns pontos a esclarecer. O primeiro, embora não esteja eu envolvido no processo, é que defendo agora e para o futuro uma renovação no comando da Casa.

2º ponto: não tenho nada pessoal contra o deputado Themistocles Filho, mas penso que uma permanência de 14 anos à frente da direção da ALEPI é desgastante para ele e, mais ainda, para o Poder Legislativo.

3º ponto: nesse processo de renovação da ALEPI, defendo corte significativo na estrutura da Casa, porque há evidentemente gordura em excesso. E os novos tempos de disciplina fiscal exigem corte em gastos em todos os poderes.

4º ponto: os deputados são livres para fazer a escolha que quiserem. Se for pela manutenção do presidente que está no cargo há 14 anos, só tenho a parabenizá-lo, esperando que ele próprio adote medidas de ajuste fiscal na Casa.

5º ponto: seguirei defendendo a tese de renovação na direção da ALEPI, reafirmando que os deputados do Progressistas são inteiramente livres para tomar a decisão que for melhor, conforme suas consciências.

6º ponto: estarei fora desse debate, pois se tem algo que criou um sentimento ruim, principalmente na população, é o fato de nos últimos 30 dias não se falar em outra coisa que não seja a eleição na ALEPI, quando tantas coisas mais importantes existem a tratar.

7º ponto: essas serão as últimas palavras que usarei sobre esse tema, que considero inteiramente superado. Não tratarei mais desse assunto.

 

O desfecho

O presidente regional do PT, deputado federal Assis Carvalho, que fazia dobradinha com Ciro Nogueira na articulação para derrubar o presidente da Assembleia, baixou o fogo. Há uma semana, ele não fala mais do assunto publicamente.

Ciro Nogueira e Assis Carvalho avaliaram que, sem a entrada do governador Wellington Dias no jogo, com a força de sua caneta, o deputado Themístocles Filho se tornou imbatível.

Escaldado com a derrota que levou quando bancou uma chapa de oposição na Assembleia, em 2015, o governador não quis arrumar mais problemas além dos que ele já tem para o início de seu novo mandato.

Até porque, ao contrário de 2015, desta vez Themístocles é seu aliado, da mesma forma que o deputado Hélio Isaías, escolhido pelo PP como bucha de canhão.

Ciro e Assis voltam para casa com mais esse desgaste desnecessário, pois se meteram numa disputa que não era deles e se deram mal.

Na reta final, seus aliados ficaram sem força até para propor uma composição com o presidente da Assembleia.

 

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