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A última flechada

Como esperado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disparou ontem a última flechada contra o presidente Michel Temer. Ela atinge também outros membros da cúpula do PMDB. Janot não poderia deixar de levantar o arco novamente na direção presidente.

Em primeiro lugar, esse novo lançamento de flechas foi alardeado por muito tempo. O procurador tinha, portanto, o compromisso moral de fazê-lo. Em segundo lugar, o Supremo confirmou esta semana que ele poderia continuar, sim, como arqueiro que mira o presidente Temer como alvo.

A nova denúncia

Nessa nova denúncia, Janot mete Temer no chamado “Quadrilhão do PMDB”. Além do presidente da República, são acusados de participar do esquema os ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Alves, ex-presidentes da Câmara Federal; os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco e os ex-deputados Geddel Vieira Lima e Rodrigo Loures.

Segundo a denúncia, eles praticaram ações ilícitas em troca de propina por meio da utilização de diversos órgãos públicos, como Petrobras, Furnas, Caixa Econômica, Ministério da Integração Nacional e Câmara dos Deputados.

Pelas contas do procurador, o esquema permitiu que os denunciados recebessem ao menos R$ 587 milhões em propina.

Delações

O núcleo político da organização criminosa, descreve a denúncia, era composto também por integrantes de PP e PT, dispostos em subnúcleos específicos, além de outros parlamentares do chamado “PMDB do Senado”.

A denúncia é baseada em delações de executivos da JBS e também do doleiro Lúcio Funaro, apontado operador do PMDB nos esquemas de corrupção.

Em documento de 245 páginas, Janot argumenta que, ao avalizar a compra de silêncio de Funaro e também do ex-deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, Temer cometeu o crime de obstrução de Justiça.

Rito

Se seguir o trâmite da primeira denúncia, feita em maio passado, o ministro Edson Fachin, relator do caso JBS no Supremo, deve enviar a denúncia diretamente à Câmara. Para que a investigação seja autorizada, são necessários 342 votos dos deputados, dos 513 votos possíveis.

As chances de autorização da denúncia pela Câmara são ainda menores do que na primeira denúncia do procurador contra Temer. Começa que, desta vez, o procurador já estará sem arco e sem flecha quando e se a denúncia chegar à Câmara.

Além disso, a denúncia chega enfraquecida também pelo fato de os delatores que incriminam o presidente e seus aliados terem perdido completamente a credibilidade. Outro obstáculo é que o presidente está calejado para esse tipo de situação e não ficará mais na defensiva, como na anterior.

Suspensão

Ontem, o procurador-geral da República anunciou que os acordos de delação com os executivos da JBS foram rescindidos. O Ministério Público destaca, no entanto, que, mesmo com a rescisão, as provas entregues pelos delatores permanecem válidas.

Ainda ontem, a defesa do presidente Temer protocolou no Supremo pedido de suspensão da nova denúncia apresentada por Janot. A defesa pede que o Supremo só mande à Câmara o pedido de autorização para investigar o presidente após a conclusão das investigações sobre a delação da JBS. (Com informações do congressoemfoco.com)

Foto: Divulgação/ABI

Jornalista Domingos Meirelles, presidente da ABI, hoje em Teresina

Imprensa em debate

Com a presença do presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), jornalista Domingos Meirelles, será aberto hoje, no Sesc Campos Sales, o X Encontro Estadual dos Jornalistas. A promoção é do Sindicato dos Jornalistas do Piauí.

As atividades do evento se estendem por todo o dia de sábado, com palestras, debates, lançamento de livros e exibição de filmes.

Segurança

O deputado federal Silas Freire (Podemos) cobrou na Câmara que os bancos financiem as atividades de segurança de suas agências.

Ele disse que, sozinhos, os governos estaduais não têm condição de garantir a segurança dos bancos em tempo integral.

Silas enfatizou que nos Estados falta dinheiro e, nos bancos, o dinheiro sobra.

Greve

O Tribunal de Justiça determinou, ontem, em caráter de tutela antecipada, que o sistema prisional retome a execução dos procedimentos rotineiros nos estabelecimentos penais – garantindo o mínimo de 60% do contingente de agentes penitenciários –, como visitas de familiares, advogados, servidores e outras pessoas ligadas ao sistema penitenciário e de justiça, procedimentos operacionais e atividades normais das unidades.

O relator do processo é o desembargador Edvaldo Moura, que acatou pedido feito pela Procuradoria Geral do Estado (PGE-PI), acerca do movimento paredista deflagrado pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários do Piauí (Sinpoljuspi), iniciado na última segunda-feira (11).

Acordo

Já o Sindicato dos Médicos do Piauí informou que chegou a um entendimento com a diretoria do Instituto da Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Estado do Piauí (IASPI) sobre a implantação dos códigos para as cirurgias endoscópicas no plano de saúde PLAMTA.

Os médicos vinham realizando cirurgias por vídeo, mas o PLAMTA faturava com os códigos de cirurgia aberta.

Além da questão ética, os médicos recebiam valores bem abaixo do que deveriam, segundo o sindicato.

Após diálogos e movimento acompanhado pelo sindicato, o IASPI reconheceu a falha e introduziu os códigos para as cirurgias endoscópicas.

Foto: Divulgação

Viver bem -  Projeto Neuro em ação, idealizado e coordenado pelo médico Benjamin Vale e desenvolvido por uma equipe multidisciplinar, focaliza a prevenção de trauma de crânio e coluna e este ano procura conscientizara comunidade sobre temas como: 1- perigo do uso de celular no trânsito ao dirigir; 2- perigos do mergulho em águas rasas; 3 - má postura como causa de problemas na coluna. As atividades são desenvolvidas através de palestras nas escolas públicas e privadas e também nas universidades públicas e particulares, por profissionais da neurocirurgia e estudantes de medicina, após curso de capacitação e tutorias. O encerramento do projeto será hoje, às 18 horas, no Cine-Teatro da Ufpi.

* A superlotação da Central de Flagrantes de Teresina levou a Secretaria de Justiça a inaugurar, às pressas, o novo presídio de Campo Maior.

* Começam na segunda-feira as inscrições para o novo concurso do Corpo de Bombeiros. Os candidatos devem ter entre 18 e 30 anos.

* No sétimo ano seguido de seca, os carros-pipas já estão pegando água no semiárido do Piauí a 150 quilômetros de distância.

* O professor Washington Bonfim, secretário municipal de Planejamento, já começou a limpar as gavetas. Vai trabalhar em São Paulo.

* O ex-ministro Joao Henrique Sousa leva hoje a Caravana 'Piauí em Movimento' a Campo Maior. 

Canoa furada

Do humorista Fraga:

- Como diria o dono do único colete salva-vidas a bordo da canoa furada: estamos todos no mesmo barco.

 

Pelo cano

O processo de subconcessão dos serviços de água e esgoto de Teresina, que foi parar no Supremo Tribunal Federal, está ameaçado de sofrer mais um revés.

O primeiro foi quando, em março passado, o desembargador Sebastião Ribeiro Martins, do Tribunal de Justiça, suspendeu todas as decisões do Tribunal de Contas do Estado sobre o caso. Na prática, ele dava ao Governo do Estado autorização para tocar a subconcessão.

Dez dias depois, o mesmo desembargador desfez a sua decisão e mandou o TCE seguir com o processo.

No dia 18 de abril, uma nova liminar, do desembargador José Ribamar Oliveira, confirmava que não cabia ao TCE julgar o processo de subconcessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Teresina.

Desta vez, o magistrado entendeu que repetir etapas já realizadas da licitação, como estava decidindo o Tribunal de Contas, traria mais prejuízo à administração e à população.

Assinatura do contrato

Com essa decisão liminar em mãos, o Governo do Estado correu, assinou o contrato com a Aegea (Águas de Teresina) e repassou para a empresa, em julho passado, os serviços de abastecimento de água da capital.

O Tribunal de Contas levou o caso para o Supremo Tribunal Federal, por entender que suas funções estavam sendo retiradas no Piauí.

Agora, o procurador geral da República, Rodrigo Janot, deu sinal verde para a cassação da decisão liminar do desembargador José Ribamar Oliveira. Em seu parecer, ele reafirma a competência do TCE para julgar o caso e que sua atuação deu-se nos limites de suas atribuições.

Rodrigo Janot também destaca que o Tribunal de Contas agiu na prevenção de danos ao erário e na fiscalização da legalidade do procedimento licitatório e da contratação em causa.

Reviravolta

Depois da posição do procurador-geral da República, favorável à suspensão da liminar do desembargador Oliveira e restaurando a decisão do desembargador Sebastiao Ribeiro Martins, a bola volta agora para o Supremo Tribunal Federal.

Como foi assinado às pressas, como quê para criar uma situação de fato, como se ela não pudesse ser desmanchada, o contrato para a concessão da água em Teresina corre, pois, o risco de entrar pelo cano e descer de água abaixo.

Ombro amigo

O governador Wellington Dias esticou ontem sua viagem até o Paraná, para o novo depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro, no processo da Lava-Jato.

Antes da audiência, Wellington conversou com o ex-presidente, juntamente com outras lideranças do PT.

À imprensa, o governador disse que tudo é perseguição a Lula, fazendo parte de um plano para acabar com o projeto de governo do Partido dos Trabalhadores.

Cabo de guerra

O presidente regional do PMDB, deputado federal Marcelo Castro, bateu o pé: não haverá convenção extraordinária do partido para definir que rumo tomar nas eleições de 2018 no Piauí.

Segundo Marcelo Castro, o partido já se definiu: vai marchar com a reeleição do governador Wellington Dias. E pronto.

Alto lá!

O vice-presidente regional do PMDB, ex-ministro João Henrique Sousa, presidente nacional do Sesi, também bate o pé: haverá a convenção, sim, pois a decisão já foi tomada pelo partido e está registrada em ata. O ex-ministro vai além:

- Eles não dizem que têm 80% dos votos dos convencionais? Então, façam a convenção!

Eles, no caso, são os peemedebistas que estão no Governo do Estado.

Nova agência

A Assembleia Legislativa aprovou, ontem, em primeira e segunda votações, os Projetos de Lei do Poder Executivo que criam a Agrespi (Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Piauí) e o Proete (Programa Estadual de Transporte Escolar).

Cinco deputados de oposição votaram contra a criação da Agrespi, que recebeu 17 votos favoráveis.

As proposições seguem agora para sanção do governador Wellington Dias.

Voto contra

O deputado Gustavo Neiva, líder do PSB, pediu que fosse registrado seu voto contrário à criação da Agrespi, afirmando que não concorda que o Governo do Estado crie cargos em um momento de crise financeira do país.

Já o deputado Robert Rios (PDT) pediu que a matéria fosse votada nominalmente.

O deputado Dr. Pessoa (PSD) se absteve de votar. Votaram contra ainda os deputados Rubem Martins (PSB), Firmino Paulo (PSDB), Robert Rios e Juliana Moraes Souza (PMDB).

* O deputado federal Silas Freire chega ao Podemos ocupando espaço. Ele foi empossado vice-líder do partido na Câmara.

* Como esperado, o Supremo decidiu ontem que o procurador-geral Rodrigo Janot continuara no calcanhar do presidente Michel Temer.

* A defesa do presidente pediu a suspeição do procurador-geral da República no Caso JBS, negada pelo STF.

Fora, Trump!

Um eleitor viciado em DAS bate à porta do vice-prefeito de Dom Inocêncio, Marcos Damasceno. Ao tempo em que é esperto, é também bobo; fácil de ser enganado.

O eleitor: - Arrume um DAS pra mim; daqueles que a gente recebe sem trabalhar... 

Vice-prefeito: - Meu amigo, aquele presidente dos Estados Unidos, o tal de ‘Tramp’, proibiu DAS no mundo todo.

O eleitor: - Aquele homem é contra a humanidade!

 

Governadores cobram dívida bilionária

Foto: Álvaro Luís Carneiro/Governo do Piauí

Governadores lançam a "Carta de Diamantina"

Na semana passada, a imprensa de Teresina dava conta que o governador Wellington Dias informava que o governo federal deve cerca de R$ 800 milhões de indenização ao Piauí. O débito estaria vinculado à federalização da Cepisa.

Não dei muita bola para esta informação. Primeiro, porque não sou muito afeito aos números que saem da boca dos políticos, principalmente os mais exagerados. Depois, a Cepisa está nas mãos da Eletrobras há 20 anos. Por que só agora o Governo do Piauí cobra essa dívida ao governo federal?

Muito bem! Na segunda-feira, Wellington Dias anunciou que levaria para o Fórum dos Governadores, em Minas Gerais, a discussão sobre o ressarcimento de cerca de R$ 500 bilhões por parte do governo federal.

Conta antiga

Segundo o governador, o valor calculado é referente às perdas dos estados e municípios com a Lei Kandir, que isenta a cobrança do ICMS sobre as exportações de produtos primários e não industrializados.

 “Há a necessidade de se ter uma solução, ou de anular a regra da Lei Kandir ou encontrar uma fonte segura para isso”, ressaltou o governador, que viajou na segunda-feira para Belo Horizonte. 

A Lei Kandir é de setembro de 1996. Como é que só agora os governadores descobriram esse calote bilionário da União? O Governo do PT, que durou 13 anos, ajudou a dar esse cano nos Estados, incluindo o Piauí?

Para se ter uma ideia do tamanho dessa conta, basta citar que o socorro financeiro aprovado pelo Governo Federal para o Rio de Janeiro será de R$ 41 bilhões, até 2020.

Essa ajuda se dará através do alívio provisório de dívidas e novas concessões de empréstimos ao Estado, a fim de que possa honrar a folha de pagamentos, colocar em dia as aposentadorias atrasadas e pagar os fornecedores.

Orelha em pé

As duas contas apresentadas pelo governador Wellington Dias só me fazem desconfiar que os Estados, entre eles o Piauí, estão com o caixa zerado. E começam a arrumar cartão de seguro para justificar eventuais atrasos nos pagamentos, inclusive de salários, no final do ano.

Que eu esteja redondamente enganado!

Foto: Reprodução

Luiz Carlos Cronemberger, diretor da Petrobras

Petrobras

O engenheiro piauiense Luiz Carlos Cronemberger Mendes é o novo diretor-geral-executivo da Petrobrás. Ele acumula o cargo com a gerência geral de Implantação de Projetos.

Técnico da empresa há 34 anos, ultimamente ele vinha se dedicando a três projetos do pré-sal na Bacia de Campos.

Luiz Carlos é irmão do médico Sílvio Mendes, presidente da Fundação Municipal de Saúde.

Cadeia nele!

Da senadora Ana Amélia, sobre as espertezas do delator-mor da República, Joesley Batista:

- Depois de obter empréstimos bilionários através da corrupção e manipular a Procuradoria Geral da República, Joesley Batista não pode ficar livre de uma severa punição.

Cobra engolindo cobra

Deu no Antagonista, o blog do jornalista Diogo Mainard:

- No último depoimento à PGR, obtido por O Antagonista, Francisco de Assis e Silva diz que Ricardo Saud deu a impressão de que “estava pronto para delatar o Joesley”.

Segundo o diretor jurídico da J&F e também colaborador, Saud já tinha “toda a documentação” separada. Francisco contou que Saud estava “inseguro e indeciso” e que Joesley teve de convencê-lo a integrar o acordo.

Seca

O deputado Gustavo Neiva (PSB) denunciou que o Governo do Estado está atrasando em até três meses o pagamento dos carros-pipas que deveriam abastecer as cidades do semiárido que sofrem com a falta d’água. 

O parlamentar citou a cidade de Curimatá, no Sul do Estado, onde os carros pipas foram contratados há três meses e nunca receberam o pagamento do Governo. 
 

* Hospital da Unimed Ilhotas divulgou nota com aviso de suspensão do atendimento aos segurados do Plamta, por falta de pagamento.

* Já o Hospital da Unimed Primavera está cobrando do plano dos servidores estaduais uma dívida superior a R$ 5 milhões.

* Ao final do Fórum dos Governadores, ontem, em Minas, os participantes divulgaram a “Carta de Diamantina”.

* No documento, eles reivindicam recursos da Lei Kandir e uma política de segurança para o país.

O desconhecido

Do presidente regional do PMDB, deputado federal Marcelo Castro, botando o pé na parede contra a candidatura do ex-ministro João Henrique Sousa ao Governo do Estado, nas eleições do próximo ano:

- Encomendei uma pesquisa e nela 76% dos entrevistados jamais tinham ouvido falar em meu nome, mesmo com minha forte atuação na Câmara dos Deputados. Agora você imagina o João Henrique, que foi candidato pela última vez em 1998. Vão completar agora 20 anos que ele não é candidato. Se você fizer uma pesquisa hoje, quantos por cento você acha que o conhecem? 

O custo Joesley

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Joesley Batista, preso pela Polícia Federal

O devaneio do bilionário Joesley Batista, dono da Friboi, de derrubar o presidente da República, através da caneta do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com a chancela do ministro Édson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, causou grandes estragos. Aos políticos, sim. E muito mais ao país. Com a dirferença de que os políticos podem e sabem se defender.

Antes de entregar ao Ministério Público Federal a gravação contra o presidente, o dono da JBS-Friboi, um dos maiores negócios de alimentos do mundo, cuidou de fazer a mudança de sua empresa para o exterior. A providência era para evitar qualquer dano ao grupo na eventualidade de um revés.

Ainda no ano passado, o grupo tentou migrar sua sede para a Irlanda, como parte desse plano, mas a rota teve que ser alterada por oposição do BNDES e quando o Brasil passou a considerar aquele país um paraíso fiscal.

Em maio passado, a maior parte das operações do JBS -- quase 80% -- já estava no exterior, conforme o jornal Valor Econômico. Nos Estados Unidos, eram 56 fábricas de processamento de carne e quase metade das suas vendas globais.

Somente depois disso, Joesley tratou de abrir o bico e fechar, a toque de caixa, a delação que o procurador-geral da República recebeu com as duas mãos.

Caiu dos céus

O acordo de delação premiada do dono da Friboi se tornou o mais vantajoso dos 155 firmados até então na Operação Lava-Jato. A delação simplesmente os livrou de qualquer punição pelos mais de 240 crimes que confessaram ter cometido em conluio com políticos, graduados funcionários públicos e outros cúmplices.

Logo após a delação, os executivos da JBS, que pagaram propinas a torto e a direito para o sucesso de seus negócios sujos, além de abastecerem campanhas políticas com dinheiro de caixa 2, foram liberados para fixar residência em Nova York, nos Estados Unidos.

A multa de R$ 225 milhões aplicada à empresa pareceu um troco perto dos R$ 170 bilhões faturados em 10 anos. Somente por seus delatores na Lava-Jato, a Odebrecht pagará R$ 500 milhões em multas, além de R$ 6,7 bilhões devidos do acordo de leniência.

Mais um nó

Os delatores deram mais um nó no Ministério Público, que pareceu enfeitiçado com a lábia de Joesley: sua delação incluiu medidas para garantir a segurança deles e da família. O mesmo documento prevê que os executivos sejam incluídos em um programa de proteção a depoentes, caso necessário.

Segundo ainda o jornal Valor Econômico, o acordo foi justificado pela Procuradoria-Geral da República por causa do “caráter emergencial de alguns relatos dos signatários que narram supostos crimes praticados no presente e com perspectivas de práticas futuras”.

Lucrando com a crise

O jornal O Globo publicou uma nota, na manhã do dia 18 de maio, logo após a explosão do escândalo, informando que a JBS comprou dólares em grandes quantidades antes do fechamento do mercado, no dia anterior, quando a moeda registrou valorização de 1,67%, sendo negociada a R$ 3,13.

No dia seguinte ao escândalo da gravação no Jaburu, o dólar disparou, atingindo o limite máximo permitido de 3,3235 reais. A moeda abriu subindo cerca de 5% e as negociações começaram mais tarde. Por volta das 11 horas, a moeda bateu 3,43 reais.

Bolsa quase quebra

No mesmo dia, a bolsa abriu em queda de mais de 10% e entrou em circuit breaker. O mecanismo, que paralisa as negociações em 30 minutos, só é acionado quando as cotações superam o limite de 10% de alta ou de queda.

Na volta das negociações, se a queda atingir 15 por cento ante o encerramento do dia anterior, os negócios são suspensos por 1 hora. A última vez em que isso ocorreu no Brasil foi em 2008, em meio à crise internacional.

No abismo

Esses não foram, contudo, os maiores estragos causados pelas espertezas do dono da JBS. Com a sua traquinagem, ele lançou o país no abismo das incertezas política, financeira e econômica. Após o golpe traiçoeiro, a muito custo, o presidente conseguiu se equilibrar no cargo e por um milagre a economia não degringolou completamente.

Temer assumira o poder, um ano antes, com o compromisso de recuperar a economia, promover o ajuste fiscal, fazer as reformas e buscar a retomada do emprego, num país de 13 milhões de desempregados e sem perspectivas no horizonte imediato. Estava conseguindo, a duras penas. Mas aí teve que gastar todas as suas energias para escapar da arapuca que armaram contra ele.

A conta chegou

Agora, viu-se que, além desses estragos na política e na economia, Joesley Batista e seus cúmplices deixaram também numa sinuca de bico as instituições, à frente o Ministério Público Federal e o Supremo.

De forma açodada, elas deram crédito desmedido aos seus relatos, sem as necessárias diligências para apurá-los adequadamente e sem atentar para as consequências da megadelação para o país. A conta está chegando. A galope.

Janot e Fachin criaram um 'monstro'

Foto: Agência Brasil

Procurador Rodrigo Janot: muito por pouco

O Brasil promete mais uma semana de grande agitação política, no desdobramento do caso envolvendo o delator-mor da República, Joesley Batista. Ele e seu braço direito no Grupo JBS e nas tramoias, Ricardo Saud, estão presos desde ontem, sob a acusação de omissão de informações na delação premiadíssima que receberam.

A princípio, a prisão da dupla é temporária, de 5 dias. Nada impede que ela seja convertida em preventiva, com prazo indeterminado. Mais uma vez, no entanto, fica patente o tratamento brando que o Ministério Público e o Supremo dispensam a Joesley. Com os demais envolvidos nesse escândalo, eles têm agido com mão é de ferro.

Desconfiômetro

A prisão apenas temporária da dupla dá margem a que se pense que se trata apenas de uma forma de dar satisfação à sociedade, que desde o começo desse processo está com o pé atrás, tanto em relação às denúncias do dono da Friboi, quanto com o prêmio por ele recebido.

Ainda no início desse rumoroso caso, em maio passado, a imprensa divulgou que o executivo da JBS e Fachin andavam de braços dados no Senado, cabalando voto para que o hoje relator do processo envolvendo o grupo chegasse ao Supremo. O ministro jamais desmentiu a informação.

Procurador sai Ileso

Quanto ao procurador Marcelo Miller, braço direito do procurador-geral Rodrigo Janot, a questão é ainda mais intrigante. Pelo que foi exposto na mídia, a partir das autogravações de Joesley e Saud, ele teve participação direta na montagem da arapuca contra o presidente da República e na megapremiação dos executivos da JBS. E, no entanto, escapou da prisão.

No governo militar, o general Golbery do Couto e Silva, um dos cérebros do regime, criou o Serviço Nacional de Informações (SNI), que ao longo de sua existência foi acumulando superpoderes. O SNI acabou engolindo o seu próprio criador. Ao se despedir do governo, em 1981, Golbery cunhou a frase: “Criamos um monstro”.

Joesley Batista foi o “mostro” criado pelo procurador Rodrigo Janot, com a chancela do ministro Fachin. Com ele, pretendeu-se derrubar o presidente da República, ao custo do maior perdão da história do instituto da delação no Brasil. Com mais de 200 crimes confessos nas costas, os bilionários delatores ganharam a imunidade penal.

Gato por lebre

No começo desse episódio, desconfiou-se de que o Ministério Público Federal e o Supremo haviam comprado gato por lebre. Agora, com os novos, chocantes e constrangedores fatos expostos à nação, desde a semana passada, não há qualquer dúvida de que se comprou rato por gato.

Depois de mais essa da prisão apenas temporária dos falsos heróis nacionais, Janot e Fachin terão extremas dificuldades para convencer o país de que efetivamente têm condição de continuar atuando nesse embaraçoso caso.

Guerreiro do povo

Não é à toa que o ex-ministro José Dirceu é considerado herói do povo brasileiro pelo PT.

Condenado na Operação Lava Jato, o ex-ministro disse que prefere “morrer” antes de delatar, como tenta fazer o também ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Uma 'causa'

Questionado por interlocutores sobre o depoimento bombástico que Palocci deu ao juiz Sérgio Moro, na semana passada, acusando o ex-presidente Lula diretamente de receber propinas para o PT, Dirceu respondeu:

“Só luta por uma causa quem tem valor. Os que brigam por interesse têm preço. Não que não me custe dor, sofrimento, medo e às vezes pânico. Mas prefiro morrer que rastejar e perder a dignidade”.

José Dirceu acha que roubar é "causa". E muita gente pensa como ele.

Filme

Em Teresina, haverá amanhã à noite uma exibição especial do filme “Polícia Federal – A lei é para todos”.

Os convidados são policiais federais que atuam no Piauí.

Taí o Zé!

O ex-governador Zé Filho participou de festividades na região Norte do Estado no final de semana. Ele esteve na região de Luís Correia, na localidade Timbaúba, onde a pedido do ex-vereador Ribamar da Emater participou do encerramento dos festejos de Nossa Senhora da Graça.

Diversas lideranças políticas da região, como o vereador Stênio (PSB), da cidade de Cajueiro da Praia, prestigiaram o ex-governador.

Ciro vem aí!

O PDT do Piauí confirmou a vinda do ex-ministro Ciro Gomes ao Piauí no próximo dia 10. Hoje presidenciável, ele participará da convenção regional do partido.

Com a indefinição da candidatura Lula ao Planalto, Ciro sonha em receber o apoio do PT para tentar chegar lá.

* O governador Wellington Dias recebeu elogio da presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffman, pela nota de apoio ao ex-presidente Lula.

* A nota do governador foi divulgada logo após a revelação do ex-ministro Antônio Palocci de que Lula recebeu um pacote de propina da Odebrecht.

* Começa hoje a Campanha Nacional de Multivacinação 2017 para atualização da caderneta vacinal de crianças e adolescentes até 15 anos de idade.

* As vacinas estão disponíveis nas Unidades de Saúde em todos os municípios do Piauí, informa a Secretaria de Saúde. 

Esperteza cearense

Nas férias, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho (PMDB), visitava uma cidade turística do litoral cearense. Ao entrar na cidade, muito calma, ele parou em frente à igreja e começou a andar pela praça. Em seguida, dirigiu-se a um cidadão que o observava discretamente:

- Amigo,  qual é o padroeiro dessa cidade?

O cidadão olhou o deputado de cima a baixo, se fixou em seus cabelos brancos e mandou brasa:

- O padroeiro daqui, meu patrão, é o senhor!

Como delatores rasgaram a boca no arame

Foto: MPF

Joesley armou armadilha para muitos e caiu em uma delas

De fortes emoções, talvez, mas de tédio ninguém morre na política do Brasil. A cada dia, um fato novo e chocante mexe com o cenário nacional. Nesta semana, eles ocorreram em cadeia, cada qual com mais adrenalina. E quase todos num espaço de 24 horas.

O primeiro foi a apreensão de uma bolada de R$ 51 milhões socados em malas e em caixas de papelão, em um apartamento no Centro de Salvador. Geddel Vieira Lima, ministro nos governos Lula, Dilma e Temer, foi apontado como dono ou guardião da dinheirama.

Logo em seguida, um ex-presidente da República, Lula, foi denunciado em nova ação do Ministério Público Federal sob a acusação de ter recebido R$ 230 milhões em propina.

Na mesma ação, a ex-presidente Dilma também foi acusada pelo Ministério Público Federal de ser beneficiária de propina no valor de R$ 170 milhões.

Em depoimento na Lava-Jato, o ex-ministro Antônio Palocci, um dos mais poderosos nos governos Lula e Dilma, acusou o ex-presidente de receber da construtora Odebrecht uma oferta de R$ 300 milhões para fazer política, além de imóveis, incluindo a sede do Instituto Lula.

Mas o fato de maior repercussão na semana foi o revés na delação premiadíssima do dono da JBS, Joesley Batista, vítima de sua própria armadilha – uma gravação.

Boca no arame

Em Água Branca, a minha cidade, quando a pessoa fala demais, incriminando-se, diz que ela rasga a boca no arame. A lembrança desse axioma vem a propósito da situação dos delatores da JBS. Como eles caíram na própria armadilha das gravações ocultas?

Foi assim: eles desencadearam uma operação de gravação às escondidas de altos figurões da República para usos espúrios, entre eles o de fazer chantagens e acusações.

Porém, da mesma forma que o delator-mor não tem familiaridade com a língua portuguesa, também não tem intimidade com a tecnologia. E eis que, numa reunião na qual tratavam de seus planos maquiavélicos, soltaram a língua com o próprio gravador ligado, sem saber que a conversa com seu braço direito estava sendo gravada.

Provando do próprio veneno

Depois que Joesley Batista gravou clandestinamente o presidente Michel Temer, ele negociou sua megadelação com a Procuradoria Geral da República em troca de impunidade para mais de 200 crimes que confessou ter praticado.

Sua proposta foi aceita de muito bom gosto pelo procurador Rodrigo Janot. Aí chegou a hora de ser feita a perícia na gravação, exigida tanto pelo acusado, Michel Temer, quanto pelo Supremo.

Para começar o serviço, a Polícia Federal requisitou o aparelho da gravação. Até então, ela só tinha em mãos o CD da conversa de Joesley com o presidente.

O gravador foi entregue. Na varredura que fez no aparelho, a PF encontrou a gravação com o presidente. E encontrou muito mais. Lá estavam outros áudios que Joesley Batista deletou, mas que a  PF, com o uso da tecnologia, conseguiu recuperar.

E foi aí que apareceram aquelas conversas abjetas, inclusive impróprias para menores de 18 anos, em linguagem chula, que provocaram a reviravolta no caso. E que levarão Joesley para a cadeia.

Vaca vai pro brejo

Quando a JBS descobriu que a PF havia recuperado todas as gravações de seu gravador, aí mais uma vez tentou a esperteza. E mandou o áudio incriminando os delatores, fazendo parecer que ele estava indo por engano. Era um remendo para evitar a acusação de omissão de informações que ameaçaria os megabenefícios da delação.

O procurador Rodrigo Janot, sabendo que essas gravações estavam em poder da PF, não teve outro caminho a não ser o de denunciar a tramoia, para não virar cúmplice.

Foi assim, portanto, que o poderoso dono da Friboi rasgou a boca no arame. Agora a vaca vai pro brejo! Ou melhor, o dono dos bois vai.

Onde esse dinheirão faz falta

Foto: IstoÉ

Dinheiro apreendido pela Polícia Federal

1. Uma apreensão de uma bolada de R$ 51 milhões, em espécie, socados em malas e em caixas de papelão, amontoadas em um apartamento no Centro de Salvador. As primeiras informações apontam um ex-ministro de Estado, nos governos Lula, Dilma e Temer, como dono ou guardião da dinheirama;

2. Um ex-presidente da República, Lula, denunciado em nova ação do Ministério Público Federal sob a acusação de ter recebido R$230 milhões em propina;

3. Uma ex-presidente da República, Dilma, acusada também pelo Ministério Público Federal de ser beneficiária de propina no valor de R$170 milhões apenas de uma construtora;

4. Um ex-ministro do governo Lula, um dos mais fortes, Antônio Palocci, revela em depoimento na Lava-Jato que uma construtora ofereceu ao ex-presidente, ao término de seu mandato, um pacote de propina incluindo um terreno para a sede do instituto que leva o seu nome, em São Paulo, e uma bolada de R$ 300 milhões para gastar em política.

***

Tudo isso apareceu no noticiário nacional em apenas 24 horas. Até que os fatos sejam devidamente esclarecidos, podemos adiantar, entretanto, que esse é o tipo de dinheiro que faz falta.

Faz falta para a compra da merenda escolar; para abastecer o hospital púbico e o posto de saúde de remédio; para o piso salarial justo do professor; para equipar e remunerar adequadamente a polícia.

Faz falta também para melhorar o abastecimento de água tratada e a energia elétrica, bem como para a  implantação de esgoto em todas as ruas das cidades.

É esse tipo de dinheiro fácil nas mãos de poucos que encarece as obras públicas; que leva ao atraso e muitas vezes à paralisação delas.

Esse tipo de dinheiro é responsável, ainda, por muitas outras mazelas, inclusive a moral.

Que o brasileiro, sobretudo o eleitor, e especialmente o pobre, comece a refletir sobre isso.

Afinal, como adverte o papa Francisco, os pobres pagam pelos pecados dos corruptos.

Cadeia neles!

Do ministro Luiz Fux , sobre os novos áudios dos empresários Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS:

- Eles procuraram degradar a imagem do Supremo Tribunal Federal através de uma bravata e sem prejuízo eles causaram enorme prejuízo ao Brasil no plano internacional. Então, eu acho que a primeira providência que tem de ser tomada é prender eles.

Transparência

Um grande acerto do ministro Edson Fachin foi a retirada imediata do sigilo do áudio da conversa que motivou a abertura do processo de revisão do acordo de colaboração da JBS.

Devido às menções feitas pelos delatores em diálogos com exposições íntimas, Janot havia enviado o áudio ao STF sob segredo de Justiça.

Ao adotar ação de transparência no caso, o relator contribuiu para que o país pudesse conhecer melhor a sua gravidade e o nível dos delatores.

De boa

Enquanto a ministra Carmén Lúcia faz um pronunciamento indignado – e com razão de sobra – Joesley Batista continua solto, Geddel Vieira Lima é punido com prisão domiciliar, sem tornozeleira, e José Dirceu cai no samba.

Onde está o braço forte da Justiça?

Solidariedade

Após a revelação do ex-ministro Palocci, na Lava Jato, sobre supostas propinas da construtora Odebrecht a Lula, o governador Wellington Dias divulgou nota ontem, pelas redes sociais, hipotecando solidariedade ao ex-presidente:

"Conheço o presidente Lula há muitos anos e, após tomar conhecimento do depoimento do ex-Ministro Antônio Pallocci - imagino as circunstâncias que o levaram a isto, afirmo que o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva é um homem digno. São poucos os seres humanos tão desapegados de riqueza material como ele. Reafirmo minha confiança na inocência de Lula. Quero acreditar na Justiça deste país e espero que, de forma apartidária, seja garantido o respeito à Constituição Brasileira sem paixões, preconceitos e ódio.
Por fim, também espero que a verdade seja reposta."

Pela culatra

Na véspera da vinda do ex-presidente Lula ao Piauí, na semana passada, o vereador Dudu do PT saiu batendo perna pela Polícia Federal, pela Polícia Civil, pela mídia e por onde mais fosse possível para se certificar da segurança do petista.

Pois foi justamente a segurança do ex-presidente que quase mata na taca, em Teresina, um manifestante, que foi para a UTI entre a vida e a morte.

Foto: Divulgação

Desfile - Sem vaias e sem aplausos, conforme registrou a imprensa de Brasília, o presidente Michel Temer acompanhou ontem o desfile do Dia da Independência. Estavam ainda no palanque oficial, além de Marcela e Michelzinho, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM),  do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), o ministro da Defesa, Raul Jungman,  entre outras autoridades. O ex-ministro João Henrique Sousa, presidente nacional do Sesi (Serviço Social da Indústria), também estava no palanque oficial como convidado do presidente Temer.

* Enquanto no campo político a temperatura continua alta, na economia surgem duas boas notícias.

* Uma dá conta de que a inflação medida pelo IPCA caiu, segundo o IBGE. Acumulado deste ano é o menor desde 1994.

* A outra é o corte da taxa de juro em mais 1%. Agora a Selic está fixada em 8,5%. Em maio do ano passado, era de 14,25%, um escândalo!

* O procurador Rodrigo Janot está numa sinuca de bico: se não pedir com urgência a prisão de Joesley, ele vai desmoralizar a delação premiada, para a alegria geral de todos os bandidos.

Caravanas da fé

Na abertura dos festejos de Santa Cruz dos Milagres, na segunda-feira, com o santuário lotado, o padre Ranieri começa a identificas caravanas de fiéis presentes à celebração:

- Quem veio de Água Branca levanta o braço!

A turma levantava.

- Quem veio de Teresina levanta o braço!

A turma levantava. Quando já ia na décima cidade, ele pediu de novo:

- Quem veio de Brasília levanta o braço!

Ninguém levantou. Aí o padre se benzeu diante dos fiéis:

- Graças a Deus! 

Ciro, o pivô do novo escândalo

Foto: Cidadeverde.com

Senador Ciro Nogueira era o alvo dos delatores

O pivô do novo escândalo que abala a República, ainda que de forma involuntária, é o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. Os delatores da JBS mandaram à Procuradoria Geral da República, na última hora para apresentação de provas, novos áudios em que incriminariam o parlamentar piauiense. Segundo eles, o senador teria recebido R$ 500 mil e jurado acabar com a Lava-Jato.

Ocorre que, por uma trapaça do destino, os delatores mandaram o arquivo errado. Ao invés de supostas provas contra o senador, chegou aos investigadores da Procuradoria um áudio de quatro horas em que Joesley Batista e Ricardo Saud, seu braço direito, conversavam abertamente e em linguagem chula, sobre os bastidores de seu plano para derrubar a República.

Tiro saiu pela culatra

Nessa conversa, gravada sem que eles soubessem (não se sabe também quem gravou!), os delatores deixaram em maus lençóis o procurador-geral Rodrigo Janot, o ministro Édson Fachin (STF) e outras altas autoridades do país. O primeiro negociou a delação premiadíssima da JBS e o segundo a homologou.

No entanto, todos os citados na conversa frouxa e repugnante dos delatores podem se explicar e apresentar esclarecimentos convincentes. Alguns nem precisam. Não dá para consertar mais é o estrago que eles fizeram neles mesmos. Brincaram de roleta-russa e se deram mal. Levaram a pior.

O áudio repassado ao Ministério Público Federal como se fosse prova contra Ciro Nogueira revelou, na verdade, de forma nua e crua, os planos maquiavélicos, as ações nefastas e o desavergonhado modus operandi do grupo JBS junto ao poder, com um nível de agressão e desrespeito às instituições e às mulheres jamais visto, de tão deplorável.

Caiu a máscara

De acusadores, os delatores caíram na esparrela. E, com todos os traumas, vexames e constrangimentos que o episódio possa causar, ele foi o que de melhor aconteceu ao país nestes tempos de intermináveis crises, pois derrubou a máscara de impostores impiedosos e desqualificados.

Que a Justiça não fraqueje em sua missão e ponha os envolvidos nessa trama em seu devido lugar - a cadeia!

Quanto ao senador Ciro Nogueira, o santo dele é forte!

Quando a sabedoria é demais

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Janot: novos rumos para delação da JBS

 

O velho e sábio Ulysses Guimarães não se cansava de ensinar: “A sabedoria, quando é demais, vira bicho e come o dono”. A lembrança da citação que o deputado costumava fazer vem a propósito do novo imbróglio em que se meteu o dono da JBS-Friboi, Joesley Batista, o delator-geral da República.

Sua história passou a ser conhecida dos brasileiros depois do escândalo da gravação clandestina que ele fez com o presidente Michel Temer, no Palácio Jaburu, tornada pública em maio passado. Uma gravação que sacudiu as bases do Palácio do Planalto. A muito custo, o presidente conseguiu se equilibrar no cargo.

O salto da JBS

A JBS é um império econômico. O grupo encerrou 2014 com um faturamento de R$ 120 bilhões, um salto espetacular em relação aos R$ 3,5 bilhões registrados em 2003. E, sobretudo, em comparação com o início humilde dos negócios da família: um pequeno frigorífico em Anápolis, no interior de Goiás.

A revista Exame divulgou em seu site que o grupo JBS registrou um crescimento gigantesco, multiplicando seu faturamento por 35 (3.400%) nos últimos dez anos.

Os negócios da JBS ganham volume a partir de 2007, quando a empresa abriu seu capital e deixou de ser Friboi para adotar o nome que leva atualmente.

A mão amiga do BNDES

Nesse período, o que não faltou foi dinheiro amigo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em suas contas. Assim, o  seu faturamento pulou da casa dos R$ 4 bi em 2006 para mais de R$ 14 bi já no ano seguinte.

A JBS tem fábricas em mais de 30 países, incluindo os Estados Unidos, e clientes em todos os continentes. O conjunto dessa obra fez com que, ainda em 2015, a JBS se tornasse a maior empresa privada do Brasil em termos de receita.

Doações e propinas

Os irmãos Batista viram que investir em político é um bom negócio, especialmente quando o dinheiro é jogado na mão certa. Dessa forma, a JBS foi a maior doadora para a campanha eleitoral de 2014, com R$ 391 milhões, apoiando a vitória 164 deputados federais, seis governadores e da chapa formada pela ex-presidente Dilma Rousseff e por Temer.

O grupo também doou para a campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que ficou em segundo lugar na disputa presidencial e que hoje é um dos principais alvos da operação Patmos, desdobramento da Lava Jato. Ele foi gravado pedindo dinheiro a Joesley.

Em sua delação, os executivos falam também de muito dinheiro derramado nas mãos dos políticos em forma de propina.

Imagem: MPF

Joesley Batista grava o presidente Temer e ganha imunidade penal

Aposta alta

Com tamanho lastro e tamanha esperteza, os donos do grupo JBS foram dominados por uma ganância em que o céu é o limite. Ou inferno. Assim, sonharam em derrubar a República, a partir do presidente, para reinar mais.

Então, armaram uma onda de gravações clandestinas dos figurões da República. Nem tudo deu certo. Muitos, como o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, conseguiram escapar da trama.

Mas o trabalho não ficou perdido de todo. Conseguiram gravar o presidente Michel Temer. E houve quem tivesse a boa-fé de acreditar neles, sem atentar para suas más intenções e também para a crise política e institucional que adviria da delação por eles proposta.

Por conta do serviço, todos os executivos do grupo se livraram da cadeia, tiveram o passaporte carimbado para sair do país e receberam do Ministério Público Federal e do Supremo Tribunal Federal o perdão judicial para mais de 200 crimes. Ninguém em sã consciência no país engoliu essa megapremiação.

"Cavalo de Troia"

Quando, porém, tudo se encaminhava para o desfecho do caso e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, começava a limpar as gavetas para deixar o cargo, eis que o destino lhes prega uma peça.

Em novos áudios encaminhados como prova suplementar de sua delação, um “cavalo de Tróia”: uma gravação na qual os delatores Joesley Batista e Ricardo Saud admitem que o acordo que lhes rendeu a imunidade penal tem as digitais do procurador Marcelo Miller.

Trata-se de ninguém menos que o braço forte de Janot até poucos dias antes da delação, quando já prestava serviço a um escritório de advocacia contratado pela JBS.

Os novos áudios deixam em maus lençóis os delatores, o procurador-geral e seu ex-assessor, além do ministro Edson Fachin, que homologou a delação. Na melhor das hipóteses, eles sairão dessa como engabelados. As gravações também põem sob suspeita mais três ministros do Supremo.  

A caminho da prisão

O procurador perdeu o sono desde então. E corre contra o tempo para tentar agora salvar a pele e não mais a delação da JBS. Ele sabe que a sucessora Raquel Dodge – que assumirá o posto em dez dias – não hesitará em adotar as correções que ele deixar de fazer.

Como já especulado pelos principais analistas políticos do país, a esta altura não há mais como preservar a imunidade penal concedida aos donos da JBS.

O que se discute é se Joesley e cia. irão para o xilindró agora ou só mais adiante.

 

TJ do Piauí é o penúltimo em produtividade

Foto: Reprodução

Capa do novo Relatório do CNJ, com 188 páginas

O Tribunal de Justiça do Piauí aparece, mais uma vez, nas últimas colocações do Relatório “Justiça em Números 2017”. O levantamento é realizado anualmente, desde 2004, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O relatório divulga a realidade dos tribunais brasileiros, com muitos detalhamentos da estrutura e litigiosidade, além dos indicadores e das análises essenciais para subsidiar a Gestão Judiciária brasileira.

Produtividade

Pelos dados contidos no relatório divulgado ontem pelo CNJ, a produtividade do Tribunal de Justiça do Piauí é a terceira pior do país. Foram 1.010 processos baixados por magistrado no ano passado. O índice só é melhor que o do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, com 962 processos, e do TJ-CE, com 929.

No topo da lista entre os mais produtivos tribunais está o do Rio de Janeiro, considerado de grande porte. Foram baixados no ano passado 3.388 processos por magistrado. 

A justiça estadual brasileira é dividida em tribunais de grande, médio e pequeno porte. O TJ-PI é considerado de pequeno porte. Entre os 12 tribunais nesta categoria, o TJ-PI é o penúltimo em produtividade, só trabalhando mais que o TJ-RN.

Processos

Em relação ao número de processos em tramitação, o TJ-PI ficou em 7º lugar entre os 12 tribunais estaduais de Justiça considerados de pequeno porte. Com uma despesa total de R$ 539.935.782, o TJ teve 635.037 processos tramitando em 2016. 

Com 188 páginas, a 13ª edição do Relatório “Justiça em Números” traz um diagnóstico amplo e abrange aspectos relativos à estrutura judiciária, aos recursos humanos e financeiros e à movimentação processual. 

Mudanças

Na apresentação do relatório, a presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministra Carmén Lúcia, informa que, a partir de 2016, com a implantação do módulo de produtividade, os tribunais passaram a transmitir as informações mensalmente sempre até o dia 20 do mês subsequente ao mês de referência.

Os dados, que são permanentemente atualizados, estão disponíveis para acesso público no endereço eletrônico:

http://www.cnj.jus.br/files/conteudo/arquivo/2017/09/ccbf89236e608e0c2bc755bee863b68a.pdfdo

Ponto facultativo

Mesmo com esse despenho, o Tribunal de Justiça do Piauí, que só funciona um expediente, já decretou ponto facultativo para a próxima sexta-feira, na sequência do feriado de 7 de setembro.

Deve ser para comemorar o resultado do ranking do CNJ!

Liberou geral

Pela grande quantidade de secretários de Estado e de outros assessores governamentais presentes nos eventos da ‘Caravana Lula pelo Brasil’ no Piauí, deu até para imaginar que foi decretado ponto facultativo no Estado na sexta-feira de ontem.

Agressão

A Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal do Piauí - APCEF/PI divulgou nota ontem sobre o caso envolvendo o engenheiro Herbert dos Santos Matos Júnior, que foi parar na UTI depois de ser agredido no local, sábado, durante o jantar que o PT ofereceu ao ex-presidente Lula.

Terceirização

A nota informa que o Clube da APCEF foi locado pela empresa contratante e teve todas as taxas pagas para realização do evento. “Ressaltamos que, a responsabilidade do evento, tais como taxa de acesso, ingressos, seguranças, operacionalização e logística do evento é de total responsabilidade do contratante”.

Repúdio

“Diante do exposto, a APCEF/PI repudia todo e qualquer ato de violência, seja dentro ou fora das dependências do clube, e se solidariza com o engenheiro Herbert dos Santos Matos Júnior, empregado da CAIXA, que segundo os noticiários locais sofreu violência física ao externar suas ideologias políticas contrárias ao partido.”

A nota é assinada pela presidente da APCEF-PI, Maria da Glória Araújo Silva.

'Estrada da morte'

A BR-135, mais conhecida como “Estrada da Morte”, registra 83 acidentes e 42 mortes apenas em 2017 no trecho que corta o Piauí.

Faz tempo que essa rodovia é um caso de intervenção federal!

Na torcida

Em Brasília, muitos parlamentares da chamada base aliada estão coçando as mãos para que saia uma nova denúncia do procurador-geral da República contra o presidente Michel Temer.

Eles gostaram dos agrados recebidos do Planalto para derrubar a primeira denúncia. E querem mais!

Foto: Divulgação

Dr. Lula -  O ex-presidente Lula se despediu do Piauí ontem ao receber, debaixo de muita polêmica, o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Piauí. A distinção, aprovada em 2008, foi entregue ao ex-presidente no Cine-Teatro da Ufpi, em cerimônia prestigiada por seus seguidores e simpatizantes.

* Na volta de Estocolmo, o prefeito Firmino Filho participou de um encontro do PSDB com a cúpula do partido.

* Derrotados seguidamente nas urnas, desde 2002, os tucanos querem voltar ao poder através do Parlamentarismo.

* O secretário de Comunicação do Governo Wellington Dias, João Rodrigues Filho, é o mais novo filiado ao PT.

* Um petista da corrente light, a mesma do governador Wellington Dias e de outros companheiros.

Dito e feito

No ato público do PT em Picos, o ex-presidente Lula referiu-se ao governador Wellington Dias, presente ao palanque, como o índio mais esperto do Brasil. Ele disse que o governador é quem mais sabe cavar dinheiro em Brasília. E arrematou:

- Esse Índio é tão esperto que é capaz de estar tirando dinheiro até do Temer! 

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