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Corso: de festa social e protesto ao maior desfile do mundo

  • Corso-de-Teresina-2012---foto-Paulo-Barros-(1003).jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2011
    Paulo Barros
  • Corso-de-Teresina-2012---foto-Paulo-Barros-(784).jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2011
    Paulo Barros
  • Corso-de-Teresina-2012---foto-Paulo-Barros-(770).jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2011
    Paulo Barros
  • Corso-de-Teresina-2012---foto-Paulo-Barros-(725).jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2011
    Paulo Barros
  • Corso-de-Teresina-2012---foto-Paulo-Barros-(678).jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2011
    Paulo Barros
  • Corso-de-Teresina-2012---foto-Paulo-Barros-(310).jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2011
    Paulo Barros
  • Corso-de-Teresina-2012---foto-Paulo-Barros-(77).jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2011
    Paulo Barros
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    Paulo Barros
  • Corso-de-Teresina-2012---foto-Paulo-Barros-(24).jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2011
    Paulo Barros
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  • Corso-de-Teresina-(1308).jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2011
    Paulo Barros
  • Corso-de-Teresina-(1305).jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2011
    Paulo Barros
  • hm-178-(2).jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2007
    Diego Iglesias
  • hm-165-(2).jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2007
    Diego Iglesias
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    Diego Iglesias
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    Diego Iglesias
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    Diego Iglesias
  • hm-150-(2).jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2007
    Diego Iglesias
  • DSC_0649.jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2012
    Diego Iglesias
  • DSC_0647.jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2012
    Diego Iglesias
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    Diego Iglesias
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    Diego Iglesias
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    Diego Iglesias
  • DSC_0579.jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2012
    Diego Iglesias
  • DSC_0559.jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2012
    Diego Iglesias
  • DSC_0532.jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2012
    Diego Iglesias
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    Diego Iglesias
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    Diego Iglesias
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    Diego Iglesias
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    Diego Iglesias
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    Diego Iglesias
  • DSC_0487.jpg Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2012
    Diego Iglesias
  • DSC_0485.jpg Rei e Rainha do carnaval no Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2012
    Diego Iglesias


Imagem mostra foliões no Corso Carnavalesco de Recife no início do Século XX

Desde o final do século XIX, uma tradição se alastrou por todo o país durante a folia de carnaval. Era um simples desfile de carros, geralmente de luxo, abertos e ornamentados, que percorriam as ruas com foliões fantasiados jogando confetes e lança-perfume nos ocupantes dos outros veículos. Em cada cidade, a festa criou uma identidade própria e em Teresina, acabou se tornando na mais forte manifestação momesca, com direito a recorde mundial catalogado no Guinness Book.

As cidades de Recife e Olinda registraram os primeiros sinais do que é hoje o corso, mas com foliões ocupando veículos puxados por cavalos. Mas foi no Rio de Janeiro, na primeira década do século XX que ele se tornou mais forte, com a alta sociedade desfilando nas ruas numa mistura de festa e exibicionismo social, já que carros eram um luxo de poucos.

Acompanhando a alta classe carioca, que normalmente ditava as regras de contextualização social no início do século XX, todas as grandes cidades passaram a organizar o desfile durante os três dias de festa. 

No Piauí, a tradição só chegou um bom tempo depois, na década de 30, época da chegada do automóvel em terras mafrenses. Naquele tempo, contava com participação exclusiva de grandes comerciantes [os chamados carcamanos] e políticos.

De acordo com os registros da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, órgão que administra a cultura em Teresina, no trajeto os foliões entusiasmados percorriam a praça Rio Branco, a Praça Pedro II e o contorno da Igreja São Benedito sendo recepcionados com confetes, serpentinas e lança-perfume - permitido na época - por quem assistia a festa na porta de casa. Para os populares, um evento de saudação aos barões da cidade. 

Corso do Zé Pereira em Teresina no ano 2000

Mas na década de 50, a festa momesca passou a ter um contexto bem diferente, uma mistura de provocação e deboche. Quem comandava a alegria eram as moças que se exibiam em saias provocantes e brindando a sensualidade do Carnaval. Eram as frequentadoras e donas dos bordéis da Rua Paissandu que saíam percorrendo em um caminhão a praça Rio Branco com suas melhores roupas, num claro manifesto à discriminação da classe mais nobre da sociedade. “Naquela época, os desfiles aconteciam durante os três dias. Era um corso pequeno e muitos acompanhavam a pé, nos chamados blocos de sujo”, lembra o professor José Reis Pereira, ex-presidente da Fundação Monsenhor Chaves.

O corso durou até os anos 60, mas a manifestação das mulheres foi tão forte que, mesmo com o fim da organização dos desfiles de Escolas de Samba na Avenida Frei Serafim, elas renasceram com tom de homenagem anos depois. 

Em 1998, a Prefeitura de Teresina, por meio da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, realizou o projeto Reviver Carnaval, uma tentativa de resgate histórico da festa na capital. E as moças com o protesto ganharam lugar de honra com um veículo especial, o famoso "Caminhão das Raparigas", que é até hoje uma das principais atrações do corso teresinense. Nele, atrizes com figurino de época e um colorido especial lembram a tradição e alegria desses personagens que marcaram a história. “Neste tempo, a festa passou a ser só em um dia, na prévia de carnaval”, acrescenta o professor José Reis.

Foto: Diego Iglesias/Arquivo

Em 2010, os carros liderados pelo Caminhão das Raparigas saíam da Avenida Marechal para a Frei Serafim


Foliões nas proximidades da Igreja São Benedito, em 2010

E como a folia é contagiante, a Avenida Frei Serafim e o centro da cidade acabou se tornando pequeno para abrigar tanta festa. Em 2010, o trajeto passou a iniciar-se na Avenida Marechal Castelo Branco, percorrendo a Frei Serafim, Avenida Campos Sales e encerrando na Praça do Marquês. Nesta época, a quantidade de veículos já impressionava e crescia a cada ano.

 

Foto: Diego Iglesias/Arquivo

Em 2011, o Corso passou a ser realizado na Avenida Raul Lopes

Em 2012, A festa já contagiava quase 200 mil pessoas, já durava seis horas e meia, com 7,3 quilômetros percorridos e um total de 343 carros enfeitados (sem contar os que não tinham ornamentação) e veículos de apoio,  totalizando mais de 1000 veículos. Com isso, entrou para o Guinness Book como o maior desfiles de carros ornamentados do planeta. A contagem foi apenas dos veículos decorados.

A tradição passou por muitas mudanças em mais de 100 anos. Hoje, para agradar e continuar sendo uma festa democrática, o Corso estabeleceu regras afim de organizar a folia e respeitar a sua identidade. Limitar o número de caminhões, que devem ainda ter guarda corpo, estabelecer horário do desfile, exigência de banheiros químicos e reforçar o policiamento são alguns dos itens que colaboram para que esta continue sendo a maior festa a ceú aberto da nossa capital. 

Para o professor José Reis, que já esteve como gestor e folião, a mudança é necessária. “A coisa cresceu, ficou mais organizada. É necessária a mudança, limitar carro, mas infelizmente tira o lado mais espontâneo. Perdeu um lado mais moleque da coisa”, finaliza.

Mas apesar de tudo, defensores do antigo corso e do que ele se tornou hoje concordam que uma coisa não mudou em todos os anos: a alegria e irreverência do folião teresinense.

Diego Iglesias
Redacao@cidadeverde.com