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Conheça a história do Corso que conquistou multidões até ser o maior do mundo

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Que o Corso de Teresina é o mais animado do mundo todos já sabem, mas você sabia que ele reescreveu a sua história em 1998 com o desfile de apenas três caminhões, quando ocorreu o resgate do carnaval na capital piauiense? Foi um "trabalho de formiguinha" até ele ser considerado o maior corso do mundo. 

Somente há 19 anos, Teresina voltou a viver as folias de carnavais com direito a bloco de rua, escolas de samba e o “nosso tão famoso Corso”, que, neste sábado (18), terá mais uma edição, na Avenida Raul Lopes, na zona Leste, que será tomada pelo colorido dos caminhões e criatividade dos foliões.  

Em entrevista ao Cidadeverde.com, kleyton Marinho, gerente de promoção artístico e cultural da Fundação Cultural Monsenhor Chaves (FCMC), relembrou as primeiras aventuras, atividades e à vontade de fazer com que o carnaval em Teresina voltasse a pulsar no coração da cidade. 

“Teresina não tinha mais carnaval, era apenas umas bandas que ficavam tocando em alguns pontos da cidade e os bailes de tradicionais clubes. Nós, enquanto FCMC, decidimos fazer esse resgate. Em 1998, alugamos um caminhão, contratamos algumas atrizes, levamos a banda da prefeitura para o caminhão, que foi chamado de ‘Caminhão da Sociedade’ e percorremos algumas ruas”, comentou Kleyton.  

Ele disse que, inicialmente, era apenas um caminhão, mas ao chegar ao ponto de encontro, no Centro de Teresina, foram surpreendidos com a chegada de outros dois: o “Bode Medonho” e o “Pó de Mico”.  A partir de então, o Corso de Teresina voltava a ter vida. 


Corso de Teresina (Foto: Raoni Barbosa/Cidade Verde/Arquivo)

Kleyton relembrou que o evento já existia desde a década de 30, mas somente a partir de 1999, que foi tomando proporções maiores até que em 2012, entrou oficialmente para o Guinness Book, o livro dos recordes, como o maior desfile de carros enfeitados do mundo, com a presença de mais de 400 caminhões e 40 mil foliões. Para Kleyton, hoje o Corso de Teresina está inserindo no grande circuito de carnavais do Nordeste e até mesmo do Brasil.  
    
“A gente não tinha ideia de que o Corso iria tomar a dimensão de hoje, mas a partir disso, ele se tornou domínio público, o povo quis e aceitou, e agora temos a missão de organizar para dar maior segurança aos participantes”, declarou o gerente. 

Companheiro de Kleyton nessa jornada, e de tantos outros que acreditaram no resgate do Carnaval em Teresina, o chefe de divisão de cultura popular da FCMC, Wellington Sampaio, contou ao Cidadeverde.com, que os primeiros desfiles ocorreram nos anos 40 e tinha como carro tradicional o “Caminhão das Raparigas”, que até hoje é tema de muitas decorações.  

“Esse caminhão era destaque e esperado por muitos já que o Corso era o único evento que as prostitutas da época podiam participar livremente na sociedade. Elas se vestiam com as suas melhores roupas e saíam em cima do caminhão. Era a maior atração”, contou. 

“Até os anos 50, o Corso era um tipo de carnaval da elite da época, dos bastardos, que tinham carros. O ponto de encontro era o coreto da Praça Rio Branco, no Centro, onde ficavam os carros de alugueis. Nós não tínhamos um percurso fixo, como temos hoje, de lá o desfile percorria as ruas do Centro, passava pela Avenida Frei Serafim. Dos anos 50 aos 70, ele foi parando, perdendo as forças, e só voltou mesmo depois do resgate em 1998, que foi organizado a partir de uma reunião em 1977. Era o resgate do sábado do Zé Pereira”, acrescentou Wellington.  

Wellington resgatou detalhes que foram se transformando e adaptando a festa ao gosto da população. Para ele, o Corso tem história própria e vai se desenhando a cada ano a partir dos próprios participantes. 

“O Corso é popular. Ele começou das elites, que tinham os carros, e agora é do povo, democrático. Ele vai mudando, se adaptando aos participantes. Antes, era qualquer carro, mas para entrar no Guinness Book tivemos que focar somente nos caminhões.Hoje, por exemplo, estamos com a expectativa de ter mais gente no chão que nos caminhões, diferente de antes, quando entrou pro livro dos recordes. Antigamente, ele percorria várias ruas, hoje já tem um circuito fixo na Raul Lopes. O Corso é assim, ele vai se adaptando ao próprio povo e a gente vai buscando formas para garantir mais segurança e alegria”, ressaltou Wellington, que acompanha o evento há 19 anos.

 

Carlienne Carpaso
carliene@cidadeverde.com