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Diversidade

Tese estuda homoafetividades na obra 'Stella Manhattam' e 'Onde andará Dulce Veiga?'

“A arte não é e nem pode ser norma, é energia desperdiçada mesmo, é alguma coisa, uma ação por exemplo(...) que a energia humana produz num rompante e que transborda num vômito pelo mundo do trabalho, pelo universo do útil, com a audácia e inépcia de alguém que, ao despejar leite numa xícara para se alimentar de manhã, deixa que a maior parte do líquido se desperdice pela mesa”

O   fragmento acima do romance de Silvanto Santiago e os versos de Caetano Veloso ‘Gosto de ser e de estar/e quero me dedicar/ a criar uma confusão de prosódia/e uma profusão de paródia/que encurtem dores/e furtem cores como camaleão” instigam a saborear as ambivalências e sinuosidades da existência fora dos enquadramentos reducionistas.

 Neste sentido, a pesquisa de doutorado  de Cyro Roberto de Melo Nascimento é também um convite provocativo   para refletir sobre  as  homossociabilidades   no discurso artístico-literário como transbordamento e atravessamento de fronteiras  do ‘universo do útil’, da norma redentora e da vida linear e codificada heterocentrada.

A tese defendida nesta sexta(10) na Universidade Federal do Rio Grande no Norte/UFRN  tem como titulo:  “Stella Manhattan de Silvano Santiago e Onde andará Dulce Veiga? De Caio Fernando Abreu: dois romances homotextuais brasileiros”. O estudo aborda, a partir das narrativas em questão, o surgimento de sujeitos e sexualidades protagonizando   suas histórias no contexto brasileiro dos anos 60 e 70, reconfigurando práticas e discursos socioculturais sobre homoafetividades.

A tese  tematiza  como processos históricos constroem distintas visões sobre pessoas homoafetivas e também reflete a cerca do conceito de ‘entre-lugar’. A noção de identidade também é problematiza para além dos ditames da ordem natural das coisas