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Economia Fácil: atenção para não cair no cheque especial sem perceber

 

 

Sabia que você pode usar o cheque especial sem perceber?

Quer um exemplo? Você sai com a família para jantar e a conta dá R$ 200. Você fica na dúvida se tem esse saldo na conta e pede para passar o cartão de débito. Se der certo é porque você tem esse valor na conta, correto? 

Errado! 

Se você não tem o suficiente, você entra no cheque especial automaticamente.

Salvo pouquíssimas exceções, quem tem conta corrente tem automaticamente um limite disponível de cheque especial. Esse valor fica lá à disposição e já é pré-aprovado. Você não precisa pedir para usar. 

O problema é que toda essa facilidade tem um custo muito alto. A média da taxa de juros do cheque especial chega a mais de 320% ao ano! Tem banco que cobra mais de 400%!

Veja como isso é perigoso: 

Vamos supor que você ganha um salário de R$ 3 mil. Quando pagou as contas, acabou passando desse valor e usou R$ 500 do cheque especial.
No mês seguinte, quando seu salário cair, será descontado, por causa dos juros de 320%, o valor de R$ 635 e, você vai ficar somente com R$ 2.365. 

Como você já tem o padrão de gastar os R$ 3 mil todo mês, vai precisar entrar de novo no cheque especial para completar o valor. Ou seja, ao invés de tirar apenas os R$ 500, vai tirar mais de R$ 600. 

E assim, vai ficando cada vez mais difícil sair dessa situação, até o ponto em que todo o seu salário não vai ser o suficiente para pagar a dívida.

Pior ainda é se não cair mais dinheiro nessa conta. Ao final de um ano, esses primeiros R$ 500 que você pegou se transformam em R$ 2.100. Isso é mais de quatro vezes o valor inicial.

Viu como é um absurdo? 

Tem ainda outra armadilha. Muitas vezes os bancos oferecem um período de uso do cheque especial sem juros. Por exemplo: Você não paga juros se conseguir repor o valor que tirou dentro de 15 dias.

Até aí, tudo bem. O problema é que se você pagar com 16 dias, vai pagar os juros de 16 dias. Ou seja, esse período de 15 dias vai pesar na conta.

Novas regras

Para evitar o hiperendividamento, uma regra criada pela Federação Nacional dos Bancos (Febraban) no ano passado diz que quando alguém usa mais de 15% do limite do cheque especial por mais de um mês, o banco tem que entrar em contato com a pessoa e oferecer uma linha de crédito com juros mais baixos e pagamento parcelado.

Não é obrigatório, mas se não tem como pagar, essa é a melhor opção porque significa trocar uma dívida mais cara por uma mais barata. Porém, é preciso ter bastante cuidado e controle financeiro porque as parcelas vão comprometer boa parte do seu orçamento por muito tempo.

Outra regra criada é que os bancos têm que informar quando você entra no cheque especial. Como não é lei, muitos não cumprem, então você é que tem que ficar atento ao seu saldo para evitar essa armadilha, que é a terceira maior causa de inadimplência no país.

Você pode retirar

Você pode optar por não ter cheque-especial. Basta comunicar ao seu banco a intenção, que ele é obrigado a tirar essa possibilidade da sua conta. Dessa forma, quando seu dinheiro acabar e você usar o cartão, a máquina avisará que o saldo é insuficiente e você terá que utilizar outra forma de pagamento.