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Guedes volta a defender imposto sobre pagamentos: 'é feio, mas necessário'

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo deve apresentar sua proposta para a reforma tributária na próxima semana ao Congresso Nacional. Ele, no entanto, voltou a defender a ideia de um imposto sobre pagamentos - que é comparado à antiga CPMF. Ele disse que o tributo é "feio", mas necessário para baixar outras alíquotas.

A defesa é feita menos de duas semanas após a demissão do então secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, que defendia publicamente a criação do imposto sobre pagamentos como forma de substituir ou ao menos reduzir outros impostos, principalmente sobre a folha de salários das empresas.

A ideia era um dos pilares da reforma planejada pela equipe econômica. Após a divulgação de alíquotas que seriam propostas e a reação no Congresso, o secretário foi exonerado e o presidente Jair Bolsonaro foi às redes sociais descartar a ideia do novo imposto. 

"A recriação da CPMF ou aumento da carga tributária estão fora da reforma tributária por determinação do presidente", afirmou há menos de duas semanas.

Mesmo assim, o ministro disse nesta segunda-feira (23) que o imposto tem vantagens e que não representa a volta da CPMF por se aplicar a pagamentos em geral (e não apenas a movimentações financeiras).

Guedes declarou que o país precisa escolher entre alíquotas altas em outros impostos ou o tributo sobre pagamentos.

"Vocês preferem a perversidade dos encargos trabalhistas ao imposto feio? Escolham. O imposto sobre transação é feio, o outro é cruel. Você prefere o feio ou o cruel? Isso era uma opção que ofereceríamos. Estava no nosso programa oferecer essa opção à Câmara e ao Senado", disse.

O ministro ressaltou ainda que o imposto arrecadaria R$ 150 bilhões ao ano e que ia permitir outras mudanças planejadas na reforma, como alíquotas mais baixas de Imposto de Renda, do Imposto sobre Valor Adicionado (IVA, que seria criado a partir da fusão de outros impostos), além dos encargos trabalhistas. "Tudo isso seria possibilitado por esse novo imposto", disse.