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Governo privatiza a "raspadinha" por R$ 818 milhões

Foto: Arquivo / Agência Brasil

A Lotex, popularmente conhecida como raspadinha, foi privatizada na terça-feira (22) em leilão realizado em São Paulo. Houve apenas um proponente, o consórcio Estrela Instantânea, formado por IGT e Scientific Games. 

O consórcio deu o lance mínimo de R$ 96,97 milhões de parcela inicial pelo ônus da outorga e pagará 7 parcelas anuais de R$ 103 milhões, corrigidas pela inflação do período.

A outorga total será de R$ 818 milhões e o prazo de concessão é de 15 anos. A partir de agora, a receita arrecadada com a venda da raspadinha será distribuída da seguinte forma:

- 16,7% para a União
- 18,3% para o grupo de empresas que arrematou a Lotex
- 65% para o vencedor dos jogos

O governo disse que 90% do valor que vai para a União será destinado à área de segurança. A previsão é que o montante supere R$ 1,5 bilhão por ano daqui a 5 anos.

Esta foi a terceira tentativa do governo Bolsonaro de vender a Lotex. Outros dois certames não tiveram interessados. O leilão foi realizado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social).

A projeção do banco é que a operação da Lotex gere R$ 19 bilhões de retorno para o governo nos 15 anos de concessão. No cálculo que leva em conta os tributos, o valor seria de R$ 23,5 bilhões.

As duas empresas vencedoras detêm 80% de participação mundial no mercado de loterias instantâneas, segundo Roberto Quattrini, diretor da IGT. Segundo ele, o setor fatura anualmente US$ 80 bilhões (R$ 330,5 bilhões) ao ano no mundo. As duas empresas do consórcio são sediadas nos Estados Unidos e têm ações negociadas em bolsa.

Segundo ele, a previsão de faturamento total com a operação nos 15 anos de concessão supera os R$ 112 bilhões. Já arrecadação máxima por ano com raspadinhas quando a Caixa oferecia o produto foi de R$ 215 milhões, diz Quattrini. O banco parou de oferecer o produto em 2015. A alta na arrecadação deve ser possível pelo aumento do número dos pontos de venda.