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Advogados trabalhistas divergem sobre consequências da terceirização

Fotos: Wilson Filho / Cidadeverde.com

O Jornal do Piauí desta quarta-feira (15) promoveu debate entre dois advogados trabalhistas sobre o projeto de lei que legaliza a terceirização e que está tramitando na Câmara de Deputados. Carlos Henrique Vieira, da Comissão do Direito de Trabalho da OAB/PI, é contra o projeto por considerar que a medida levará a uma onda de demissões e contratações de trabalhadores com salários mais baixos. Por outro lado, Ézio Amaral defende que a terceirização vai melhorar a relação com o trabalhador e modernizar as leis trabalhistas.

"O projeto é bom porque o Brasil precisa crescer na relação com o trabalhador. Os países desenvolvidos já aderiram a isso e há leis que protegem os terceirizados. O projeto vai incentivar o crescimento, modernizar e otimizar as relações trabalhistas. Além disso, o trabalhador vai se especializar cada vez mais, porque ele só poderá ser exigido em uma determinada área de atuação", pontuou Ézio. 

Ézio acrecenta que a terceirização, ao invés de demissões, vai gerar mais empregos. "Com mais capital, o empresário investe mais e, consequentemente, gera mais emprego".

Carlos Henrique não concorda e diz que a terceirização vai precarizar a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). "O trabalhador vai ser penalizado pela questão do menor custo, vai passar a ter salário menos digno, pago pela empresa prestadora de serviço. Além disso, quando o contrato entre as duas empresas acabar, esse trabalhador vai ter que ser demitido e recontratado por outra prestadora, se quiser permanecer na mesma empresa. Via de regra, as empresas vão demitir os funcionários que representarem maiores custos", afirmou.